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Obrigado, mãe
Photo Credit To Guilherme Torres

Obrigado, mãe

Em primeiro plano é possível ver que a mulher pintada na parede do Oficina Cultural Alfredo Volpi, em Itaquera, São Paulo, usa um belíssimo brinco. Trata-se de um nsbidi, símbolo nigeriano que significa raiz. A obra chama-se Obrigado Mãe e a retratada em questão atende pelo nome de Josefa Santana, conselheira tutelar aposentada.

Por Miriam Gimenes, do Diário Grande ABC

Foto: Guilherme Torres

Ela é a homenageada da exposição (Re)conhecimento – A Arte de Robinho Santana, do artista plástico de Diadema autor da exposição na Oficina Cultural, que pode ser visitada até 16 de março. “É um agradecimento e uma homenagem a quem me gerou e me educou. Levando para o tema da exposição é fazer ser reconhecidos os que são ainda menos reconhecidos”, explica Robinho Santana.

Antes da primeira edição da mostra, feita no ano passado, ele conta que Josefa passou por grave problema de saúde e incentivou o filho a continuar o trabalho, embora o momento fosse difícil. “Então o agradecimento está ligado a tudo isso: à uma mulher negra, nordestina, não reconhecida, mas que é minha mãe e minha maior referência de resistência.”

A exposição conta com mais de 40 obras feitas com tintas óleo e acrílica, pintura digital e serigrafia. Nelas, Robinho reconstrói sua trajetória a partir de referências familiares – ele também é filho do deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT) –, da história de luta e resistência do povo negro, além da influência da arte afro-brasileira profana e religiosa. Por isso, o artista explora, em suas obras, as referências de religiões de matrizes africanas, Adinkras – símbolos dos Akan que representam provérbios sobre as crenças e as histórias desses povos – plantas e os elementos da natureza (água, fogo, terra e ar).

Em uma sociedade onde se glorifica a influência europeia e os negros se sentem coagidos e forçados a alienar a própria identidade por pressão social, ele quer transmitir em suas pinturas e desenhos um resgate e uma representatividade digna do homem e da mulher negra. “A minha busca é tentar fazer com que a pessoa que entre em contato com a exposição se sinta representada, respeitada e reconhecida. Como artista periférico pinto meu cotidiano e da onde venho, onde majoritariamente as pessoas são negras, assim como a maioria da população brasileira. Portanto, pinto minha realidade e a minha verdade. Me vejo obrigado a não me encostar sobre o artifício da ‘arte pela arte’. Entendo a mostra (Re)conhecimento como um ato político e de resistência”, finaliza.

(Re)conhecimento – A Arte de Robinho Santana – Exposição. Oficina Cultural Alfredo Volpi – Rua Américo Salvador Novelli, 416. Até 16 de março, de terça a sexta, das 10h às 22h. Aos sábados, das 10h às 18h. Gratuito.

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