Prisão de professor negro testa nova mentalidade “pós-racial” americana

Fonte: New York Times –

Al Vivian, à esquerda, é um consultor de diversidade em Atlanta. Wayne Martin trabalha para a Atlanta Housing Authority. Crédito David Walter Banks para The New York Times

CHICAGO – Ralph Medley, negro, professor de filosofia e inglês aposentado, se lembra do dia em que foi preso em sua própria propriedade (um prédio de aluguel no Hyde Park) enquanto fazia alguns reparos para seus inquilinos.

Um vizinho preocupado chamou a polícia para informar sobre uma pessoa suspeita. E essa não foi a primeira vez que Medley disse ter sido preso injustamente. Ao chamar a polícia há alguns anos por causa de um furto, ele próprio foi detido pela polícia. “Mas fui eu que chamei vocês”, ele se lembra de dizer aos oficiais.

Como inúmeros negros de todo o país, Medley reviveu seus encontros com a polícia conforme uma discussão nacional sobre raça e a execução da lei se desenrolou após a prisão de Henry Louis Gates Jr., proeminente estudante de história afro-americana de Harvard.

Gates foi preso por conduta desordeira na quinta-feira passada na casa dele em Cambridge, Massachussets, enquanto a polícia investigava uma ocorrência de invasão ao local. A acusação foi removida e a polícia de Cambridge afirmou que o incidente foi “lamentável e infeliz.”

Em entrevistas aqui e em Atlanta, em publicações online e programas de entrevista na televisão, negros e ativistas disseram que o que aconteceu a Gates é uma realidade comum, ainda que não reconhecida, para muitas pessoas negras e hispânicas. Eles também disseram que além da raça, o ego do policial teve alguma participação no evento.

Mas além disso, muitos disseram que o incidente é uma lembrança desconcertante de que apesar de todo o progresso racial que o país parecia ter feito com a eleição do presidente Barack Obama, muito pouco mudou na vida cotidiana da maioria das pessoas em termos de relações de raça.

Com certeza, pessoas viram algum erro na forma como Gates se comportou em relação ao policial responsável por sua prisão,o sargento James Crowley, que disse estar apenas cumprindo seu dever investigando o relato de um roubo em andamento.

“Não é sábio para ninguém de qualquer qualquer raça erguer a voz a um oficial da lei”, disse Al Vivian, consultor de diversidade em Atlanta, que é negro. “Mas o resultado disso, no final, é que este era um homem que não violou nenhuma lei, que estava em sua própria casa e que é uma das principais estrelas acadêmicas da nação e mesmo assim foi preso”.

Matéria original: Prisão de professor negro testa nova mentalidade “pós-racial” americana

+ sobre o tema

Fotógrafo faz desabafo em vídeo após ter porta arrombada e casa invadida pela PM

O repórter fotográfico Tandy Firmino, morador do morro Santa...

Polêmico pastor africano está de jejum por 30 dias contra a pobreza e o racismo

Em novembro ele chamou a atenção dizendo que Jesus...

Mestiçagem, harmonia e branqueamento: quem tem medo do homem negro?

Apesar das nuances e interconexões entre ambas, existem basicamente...

Epidemia de mortes de jovens negros e pobres no Brasil

Há poucas semanas, no dia 27 de outubro, o...

para lembrar

Pra 2018 começar

Milhares de pessoas se dirigem às águas, evocando paz...

Atos de racismo vão levar a multas até 8400 euros e a indemnizações

Indivíduos e empresas podem ser multados por práticas discriminatórias....

Nota de alunos que ingressam na UFMG pela cota já supera a dos não cotistas

Cotistas que garantiram uma vaga na UFMG neste ano...
spot_imgspot_img

Portões da universidade

"Nós queremos é que uma filha de uma empregada doméstica possa ser médica, possa ser dentista, possa ser engenheira. Nós não queremos uma sociedade...

Desaparecidos assombram país mesmo após redemocratização

Quando o presidente Lula assinou o decreto de reinstalação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, no início de julho, emergiu como prioridade na retomada...

Racista é condenado a oito meses de prisão por ataques a Vini Jr

O Real Madrid anunciou, nesta quarta-feira, que um racista foi condenado a oito meses de prisão por ataques a Vinicius Junior e Rüdiger. As agressões foram...
-+=