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Lésbicas protestam contra machismo, racismo e lesbofobia em SP

Lésbicas protestam contra machismo, racismo e lesbofobia em SP

Neste sábado (1º), a Avenida Paulista foi palco da 11ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais contra a violência e preconceito. A concentração começou por volta das 12h30 no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). De acordo com a Polícia Militar, cerca de 1.500 pessoas participam da marcha.

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Caminhada reúne lésbicas e bissexuais na Avenida Paulista 

Carregando cartazes com dizeres como “basta de machismo, chega de racismo, fora lesbofobia” e “violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer”, o grupo pedia o fim do preconceito e respeito aos direitos.

As mulheres começaram a batucar, convocando as pessoas que passavam a se juntar no protesto. Algumas pegaram o microfone e gritaram “fora Feliciano”, em referência ao deputado federal do PSC-SP que preside a comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Outros participantes, inclusive homens, travestis e estrangeiros usaram o microfone para discursar antes de começar a caminhada, defendendo os direitos e criticando o preconceito contra o relacionamento entre duas mulheres.

História e luta

No dia 21 de junho de 2003, pela primeira vez, mulheres lésbicas e bissexuais ocupavam a Avenida Paulista para celebrar seu amor e também para marcar o início da Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo com o primeiro nome de “Caminhada de Lésbicas e Simpatizantes da Cidade de São Paulo”. A Caminhada, desde então, se configurou como um ato político que representa até hoje um marco nos movimentos de reivindicação a favor dos direitos de lésbicas e bissexuais que historicamente lhes são negados por conta do sexismo, misoginia, lesbofobia e bifobia tão fortemente presente em nossa sociedade.

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A Caminhada surgiu num contexto de militância bem especifico de invisibilidade política e social de lésbicas e bissexuais na época que, de uma certa forma, permanece o mesmo até hoje. Este contexto de invisibilidade é constituído e reforçado pela perpetuação dos estereótipos de gênero arraigados na sociedade em que, antes de pertencermos uma identidade gay ou lésbica, somos criados e nos construímos como homens e mulheres. Nesse sentido, a crença que o espaço público, ou seja, a política, o uso da rua, etc., é caracterizado quase que exclusivamente como masculino, de direito dos homens (gays) e que às mulheres (lésbicas e bissexuais) cabe apenas ocupar o espaço privado da casa, a família, etc.

Muitas são as demandas políticas lésbicas e bissexuais, como por exemplo, a questão da saúde, compreendendo que os tratamentos e os protocolos de atendimentos médicos não atendem as necessidades das mulheres lésbicas e bissexuais e, que há um profundo desconhecimento sobre a realidade de mulheres lésbicas e bissexuais, no que se diz respeito a cuidados com a saúde e sexualidade. Além disso, pouco se fala sobre a questão da saúde mental e os impactos devastadores que a lesbofobia, o sexismo e a misoginia causam no bem-estar físico e mental de mulheres que não seguem a norma heterossexual.

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A violência contra as lésbicas tem aumentando de forma aterrorizante e de todas as formas. Agressões físicas dentro dos trens da CPTM em São Paulo, execução de um casal de lésbicas na Bahia e mais recentemente, uma estudante da UERJ foi vitima de estupro corretivo. Segundo depoimento, ela foi estuprada por outro aluno dizendo que ela “ia aprender a gostar de homem”. Triste e desesperador… A violência familiar que acontece quando pais e mães não conseguem “aceitar” e respeitar suas filhas e as expulsam, violam, humilham rejeitam… E não menos importante, a violência entre as próprias mulheres que ainda é um tabu a ser discutido, pensamos que a violência entre casais de lésbicas não acontecem pois são duas mulheres e mulheres são mais pacificas (sic)… Assim deve ser discutido também o mito de que “a mulher não pode ser agressora”.

Apesar das grandes vitórias que o movimento lésbico feminista alcançou nos últimos anos, recentemente temos acompanhado o fortalecimento de grupos reacionários, fundamentalistas e discriminatórios que têm ocupado espaços de decisão, como o Senado e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

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Por isso, para este ano de 2013, devido este grande retrocesso das demandas do movimento, assim como o assustador avanço do fundamentalismo religioso dentro dos nossos sistemas políticos, o tema obviamente é: O Estado é laico! Construindo direitos, desconstruindo preconceitos: basta de lesbofobia! A ideia é abordar as diversas formas de negação de direitos que as mulheres lésbicas e bissexuais e também toda a população LGBT, de forma mais geral, estão enfrentando no contexto politico desse momento.

Apesar de todos os desafios, algumas desavenças no seu processo de construção e organização, a Caminhada Lésbica de São Paulo foi a precursora de todas as caminhadas e marchas que acontecem no restante do Brasil e é referencia para militantes e ativistas de outros estados.

Portanto, vamos comemorar as conquistas, celebrar o amor, mas mostrar também que somos livres e autônomas, que estamos vigilantes e não nos contentaremos com nada aquém do que nos é de direito!

Fotos: Ninja

 

 

Fonte: Vermelho

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