Cururupu patina no lamaçal, e o povo maranhense padece com a saúde pública

Por: Walber Silva

Uso o espaço desse blog para tornar público um momento de revolta, tristeza, e miséria na saúde pública do nosso país, mas em especial ao estado do Maranhão.

Assim como muitos brasileiros, sou de uma família forte que sempre luta para vencer, graças à matriarca, a base e o alicerce de tudo, a senhora minha vó, Raimunda Ferreira. Quem criou treze filhos com toda dificuldade, força, determinação e um grande sonho. Sonho que se concretizou depois de muita luta.

Nascemos na cidade de Cururupu, no Maranhão.  Porém, nossa famíla é dividida entre Manaus, São Paulo e São Luís. Neste final de ano, passamos por momentos difíceis, estamos superando as barreiras que cruzam em nossos caminhos. Na semana do natal, meu avô, de 73 anos, foi levado para o hospital, pelos sintomas suspeitamos de um AVC, para o médico que estava de plantão seria uma crise de labirintite.

Não nos conformamos com a versão do médico. Com dois dias internado em Cururupu , meus tios aqui em São Paulo queriam a transferência  para a capital São Luís,  pois lá há mais “hospitais e recurso”. Ficávamos aqui em São Paulo ligando e dando as orientações . Foi através de exames detalhados que descobrimos que meu avô foi vítima de um leve AVC, graças a Deus sem nenhuma lesão.

A esposa do meu tio teve uma crise de desmaio dias depois, levada também ao hospital, outro médico falou que não era nada demais, apenas labirintite. Foi encaminhada para São Luis a procura de exames. No dia de ano novo, meu pai, de 49 anos, foi acidentado por uma moto vindo em direção contrária e pegou em cheio sua perna. Com muita dor, foi para o hospital e fomos surpreendidos que não tinha uma máquina de raio-x. Viajei às pressas para São Luis, acompanhar meu pai nesse processo turbulento. Passaram um produto em sua perna, enrolaram com ataduras, e foi liberado. À noite, não suportou as dores e foi encaminhado para a capital do estado.

Todos esses procedimentos falhos e primeiros socorros ocorreram no município de Cururupu, que infelizmente muitos dos meus familiares moram lá.

Cururupu é uma cidade com mais de 35 mil habitantes, de tradição do melhor carnaval da baixada, lendas, melhor setor pesqueiro, e considerado Pólo Ecoturístico das Florestas dos Guarás. Uma cidade boa de viver se não fosse “desprezada” pelos políticos que a governa. Não há médicos especialista no único hospital, cardiologista, ortopedista e etc…

Sem recurso, sempre passam diagnóstico errado e encaminham para a capital.  Tudo isso ocorre sem a menor preocupação do administrador hospitalar e do prefeito.

Como uma pessoa com sintomas de AVC, crise de desmaio, pode ser diagnosticado com uma labirintite.?

A população não tem mais voz para pedir “socorro”. O prefeito José Francisco Pestana caiu do governo ano passado por desvio de dinheiro público. O vice Júnior Franco (irmão do deputado estadual Alberto Franco, aliado da familia Sarney) assumiu o cargo, mas a população ainda padece.

Há um histórico de má administração em Cururupu, situação grave que não muda.  Funcionários com salários atrasados por três meses. Para vermos o tamanho da gravidade, a Secretária de Educação foi demitida do cargo e colocaram a mulher do ex-prefeito que foi tirado do poder, vítima de desvio de verba pública.

Uma fonte sigilosa que mora na cidade me confessou, que foi procurado por um candidato(a) que tenta se eleger este ano. Segundo a fonte, o candidato(a) prometeu grande recompensa se ele conseguisse votos para um deputado na eleição de 2010.

Com bastante dinheiro, saiu pelos interiores à procura de votos. O deputado foi eleito, a gratificação prometida foi uma miséria.

Este candidato(a) concorre as eleições deste ano, sem dúvida com manipulação e compra de votos, práticas ilegais e crime que contraria a justiça.

O ortopedista Dr. Milon que cuidou do meu pai em São Luis ficou revoltado quando viu a situação em que a perna se encontrava. No hospital de Cururupu, colocaram um produto errado que causou queimaduras e bolhas. Milon conhece muito aquela cidade e fez o comentário: ” Realmente lá não tem jeito”.

Mas a minha revolta maior e a explicação de toda a mazela, descuido e negligência do hospital de Cururupu. Foi ver o administrador do hospital, Alcides Tavares, na praia litorânea, em São Luis, rodeado de 15 pessoas. Rindo, bebendo, comendo,  e tão pouco preocupado com a situação daquele lugar. Num determinado momento, o vocalista da banda cumprimenta o senhor Alcides, e diz que fez a comemoração do seu aniversário na casa de praia no bairro Araçagi. Resta saber e perguntar para o senhor Tavares para onde vai o dinheiro enviado à saúde.

Entre muitas idas e vindas, acompanhando meu pai e meu avô, vi de perto o sofrimento do povo maranhense, a pobreza nua e crua. Pacientes com todos os tipos de doença jogados no chão dos corredores do hospital Socorrão II, em São Luis.. Confesso que me emocionei muitas vezes. A maioria das pessoas que estavam naquele hospital são dos interiores. Um senhor com as duas pernas enfaixadas jogado no chão, não tinha 25 reais para ir até a capital São Luis para fazer o tratamento da diabetes com antecedência. Foi informado pelo médico que o examinava de que perderia uma das pernas. Fui até ele, desejei força, sorte e um aperto de mão, com um olhar triste de quem tinha muitas coisas para dizer, apertou fortemente.

O nosso caso  foi resolvido com certa facilidade, porque  uma tia trabalha naquele hospital e conseguiu agilizar alguns procedimento que demoram meses. Imaginava a situação daquelas pessoas que não tinham essa oportunidade. Muitas vezes me sentir impotente em não fazer nada para minimizar o sofrimento dos meus conterrâneos.

Histórias iguais com personagens diferentes. Se percorrermos pelos interiores maranhenses, nos deparamos a um contraste social gritante na área da saúde. O estado com o maior índice de desigualdade do país se arrasta como pode, sobrevive com as deficiências até o limite.

Se o prefeito não for da “corja Roseana Sarney” é uma carta fora do baralho. É assim a briga na capital entre Roseana e o prefeito João Castelo.

Para o prefeito Júnior Franco, e o diretor do hospital de Cururupu, Alcides Tavares, só resta a opção de cruzar os braços e perguntar: para onde vai o dinheiro público destinado à saúde, e até quando aquele hospital continuará sem pronto atendimento adequado?

 

Fonte: Blog do Walber

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