terça-feira, agosto 9, 2022
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Entidades repudiam ataque à casa de candomblé que deixou uma mulher ferida em Boa Vista

A Associação dos Filhos e Amigos do Ashè Tàtà Bokule (Afatabe) e a Federação de Umbanda, Cultos Afro religiosos e Ameríndios de Roraima (Fucaberr), destacaram que a 'violência demonstra a marca do desrespeito e ódio religioso'. Caso ocorreu no último sábado (9), no bairro São Bento.

Fonte: G1

A Associação dos Filhos e Amigos do Ashè Tàtà Bokule (Afatabe) e a Federação de Umbanda, Cultos Afro religiosos e Ameríndios de Roraima (Fucaberr) repudiaram nessa quinta-feira (14) o ataque a uma Casa de Candomblé, em Boa Vista, que deixou uma mulher, de 37 anos, ferida (leia a íntegra da nota no fim da reportagem).

O caso aconteceu no último sábado (9), no bairro São Bento, zona Oeste da capital. O grupo, composto por 40 pessoas, estava cantando louvores por volta das 14h, quando uma bomba foi jogada no telhado da casa.

Na ocasião, a bomba abriu um buraco no telhado, de zinco, e os estilhaços acertaram a autoridade do terreiro. A vítima foi atingida na região do peitoral.

A denúncia sobre o ocorrido foi feita na Polícia Civil na madrugada do domingo (10). Os candomblecistas afirmara que foram vítimas de ataques de intolerância religiosa por parte de um vizinho.

Em nota, a Afatabe se solidarizou com a Casa de Auxílio Espiritual Filhos de Osùn e disse que “a violência ocorrida demonstra a marca do desrespeito e ódio religioso” ao segmento “visto que a atitude dessas pessoas é uma das muitas situações que as comunidades de candomblé vivenciam num país onde o Estado é negacionista”.

“Dessa forma, os reflexos da intolerância religiosa no país expressa a presença e expansão do fundamentalismo religioso, que se manifesta e é alimentado, muitas das vezes, sob a forma de atos genuinamente terroristas seus únicos objetivos são oprimir, discriminar, violentar”, disse a Afatabe.

A associação ressaltou, ainda, que é preciso entender que o preconceito, discriminação e violência contra os espaços e os adeptos dessas religiões é crime e que esses tipos de episódios não são aceitáveis.

“Por fim, vale ressaltar uma última coisa em relação à intolerância religiosa: não passará impune!”, ressaltou a Afatabe, que acompanha o caso.

Na quinta-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil em Roraima (OAB-RR) informou que vai acompanhar o caso. A Comissão de Direitos Humanos e a de Liberdade Religiosa estão acompanhando as investigações.

Os integrantes da casa de Candomblé foram recebidos na última quarta-feira (13), ocasião em que a OAB se colocou à disposição para cobrar e exigir providências. Em nota, a Ordem ressaltou que “qualquer ato atentatório e de intolerância torna obrigatório seu efetivo enfrentamento por parte de todos os segmentos da sociedade”.

Entenda o caso

De acordo com o boletim de ocorrência, o suspeito de causar o ataque é dono de um comércio localizado ao lado da residência e, já se exaltou outras vezes, reclamando da prática religiosa. Na ocasião do ataque, a bomba abriu um buraco no telhado, de zinco

O agressor, segundo a candomblecista e analista de Recursos Humanos, Inadira Souza, de 42 anos, reclama do barulho dos atabaques usados no culto, mas também demonstra preconceito em relação à prática religiosa.

“A gente faz nossos rituais e a gente vez sofrendo constantemente intolerância religiosa por parte do vizinho. Porque se a gente toca curimba a noite, ele chama a policia e se tocamos de dia ele joga bomba. Então, já não é mais a questão da zoada que ele alega, mas sim intolerância religiosa mesmo”.

Além disso, o suspeito costuma ouvir músicas muito altas na frente da residência, causando poluição sonora. Mas, nunca foi censurado pelo grupo, conforme o boletim de ocorrência.

A mulher informou ainda que o boletim de ocorrência foi registrado após o mesmo vizinho acionar a Polícia Militar por perturbação do sossego.

Na ocasião os candomblecistas acionaram a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas as autoridades não foram até o local, segundo Inadira. O caso foi registrado como um suposto crime de lesão corporal e dano, e é investigado pela Polícia Civil.

Leia a íntegra

A Afatabe – Associação dos Filhos e Amigos do Ashè Tàtà Bokule, juntamente com a Federação de Umbanda, Cultos Afro religiosos e Ameríndios de Roraima – Fucaberr, representada por seu corpo de diretores, externa sua repulsa ante aos atos de intolerância religiosa mais uma vez ocorridos contra os Cultos de Matrizes Africanas.

Desse modo, uma família praticante da fé de Candomblé foi vítima durante seu culto, culminou em lesões corporais a uma integrante da casa na tarde do último sábado dia 09/07/2022. Diante do nefasto acontecimento, os sacerdotes e toda Comunidade da Casa de Auxilio Espiritual Filhos de Osùn, foram surpreendidos pela atitude truculenta de cidadãos que jogaram um artefato que destruiu o telhado e feriu uma filha da casa. Assim, a violência ocorrida demonstra a marca do desrespeito e ódio religioso ao nosso segmento, visto que a atitude dessas pessoas é uma das muitas situações que as comunidades de candomblé vivenciam num país onde o Estado é negacionista.

Dessa forma, os reflexos da intolerância religiosa no país expressa a presença e expansão do fundamentalismo religioso, que se manifesta e é alimentado, muitas das vezes, sob a forma de atos genuinamente terroristas seus únicos objetivos são oprimir, discrimina, violentar.

Por meio desta nota, viemos ratificar nosso compromisso irrevogável com o enfrentamento à intolerância religiosa e exigir o respeito às religiões de matriz afro-brasileira. É preciso que se entenda, de uma vez por todas, que o preconceito, discriminação e violência contra os espaços e os adeptos dessas religiões é crime (Lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997), e que esses tipos de episódios não são aceitáveis nem condizentes com uma democracia e um Estado laico.

Por fim, vale ressaltar uma última coisa em relação à intolerância religiosa: não passará impune!

A Afatabe – Associação dos Filhos e Amigos do Ashè Tàtà Bokule, juntamente com a Federação de Umbanda, Cultos Afro religiosos e Ameríndios de Roraima – Fucaberr, por meio de seus Diretores, e a Comissão de Liberdade Religiosa da OAB/RR, informam à população que estão acompanhando o caso desde o início, e que envidarão esforços para que sejam investigados todos os fatos dessa e de outras agressões sofridas por estas comunidades.

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