‘Este vai ser o século das mulheres na África’, diz Margarida Paredes

“Hoje, um terço dos cargos de poder em Angola são ocupados por mulheres, e na Assembleia Constituinte o número chega a 50%”. Quem revela os novos dados da participação é Margarida Paredes. A escritora, autora de “O Tibete da África”, foi uma importante militante na independência de Angola.

Morando em Portugal desde 1981, Margarida acompanha a reconstrução de Angola as novidades africanas com atenção. “A participação das mulheres na Guerra de Independência e na Guerra Civil permitiu quem elas tivessem um espaço maior na política angolana”, explica.

Margarida participa nesta sexta-feira (30) da mesa “Escrita e liberdade: a literatura é capaz de transformar e redimir?” ao lado de Frei Betto, no Fórum das Letras em Ouro Preto, Minas Gerais. Bem Nascida em Portugal mas criada também em Angola Moçambique, ela foi militante do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), que ajudou a expulsar os colonos portugueses do país.

“Hoje as mulheres têm uma expressão política maior em Angola do que na Europa”, continua, dizendo que essa é a tendência em todo o continente africano: “este vai ser o século das mulheres na África”.

Ela acha que a entrada das mulheres no poder pode mudar os rumos de importantes questões políticas. “A mulher investe muito em educação, dá prioridade à isso, e elas devem aumentar essa preocupação com a educação pública”.

Explicando que “O Tibete da África” está longe de ser uma obra autobiográfica (“A personagem principal é o meu oposto”), Margarida diz que seu próximo livro é sobre “os monstros imperiais” – uma história sobre o colonialismo europeu, especialmente nos séculos XIX e XX.

“Para mim foi um privilégio lutar com os angolanos pela independência, e o dia mais feliz da minha vida foi 11 de novembro de 1975, dia da independência do país”, faz questão de frisar. Para ela, as novas relações internacionais no continente africano também mostram as mudanças recentes no equilíbrio das forças no mundo.

“Neste momento o Brasil está mais próximo da África e de entender os africanos do que a Europa”, explica, dizendo ter um amigo historiador congolês, que não entende a situação. “Ele se pergunta porque o país está mais próximo do Brasil do que dos seus vizinhos africanos. Creio que Angola esteja participando de novas dinâmicas, mais globais, e que isso cause estranheza a outros países” .

Além da mesa de Margarida, a programação principal do Fórum das Letras ainda inclui os debates “O papel da crítica literária no Brasil: limites e possibilidades” e “Passos da produção do livro: da redação à edição”. Nesta sexta (30) também é aberta a Via Sacra poética, com performances, mostras e leituras espalhadas por todo o centro histórico de Ouro Preto. Confira a programação completa no site oficial do evento: http://www.forumdasletras.ufop.br/

 

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