quinta-feira, setembro 29, 2022
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Governo troca cultura por mais armas na favela

Em meio à violência que recrudesce nas favelas do Rio de Janeiro, e o discurso retrógrado do governador em colocar mais policias, como tentativa de pacificação, surge mais uma falha, aliás muito mais que uma falha, um desrespeito aos moradores. A Biblioteca Parque da Rocinha teve cortes de repasses e sofre com a falta de investimentos que fez com que o espaço tivesse, a partir do mês de abril, uma redução considerável no horário de funcionamento.

Por Davison Coutinho Do Jornal do Brasil

Um projeto construído pelo PAC 1, após anos de lutas e reivindicação dos moradores por um espaço dedicado à cultura, foi entregue ainda inacabado em 2011 pelo então governador Sérgio Cabral, lá funcionam diversas atividades artísticas e culturais. O espaço é usado por diversos grupos de música, dança e teatro que levam a arte às vidas de muitas crianças, jovens, adultos e idosos.

Com a redução do horário de funcionamento, muitos projetos culturais ficaram desabrigados. Os profissionais foram reduzidos e as atividades são cada vez menores. A biblioteca é administrada por uma OS – Organização Social chamada IDG e segundo funcionários da biblioteca a OS sempre ignorou as reivindicações para que o espaço pudesse de fato atender as necessidades da comunidade.

A Secretaria de Cultura, por sua vez, se omitiu de suas responsabilidades e os moradores é quem estão sofrendo com mais uma falta de respeito.

A biblioteca, que funcionaria das 10h às 20h, de terça a domingo, passa a funcionar de 12h30 às 18h30, de terça a sexta, o que deixa os projetos sem espaço para realização das atividades com os moradores.

Segue trecho da carta publicada por diversas instituições da Rocinha:

“EM NOME DA “CRISE, MENOS CULTURA E MAIS ARMAS PARA A FAVELA.

Falta de respeito. Essa tem sido a tônica do tratamento que em nossa visão a cultura da favela tem sido tratada. Os grupos culturais que assinam essa carta, tem acompanhado um processo que com certeza não se restringe a nossa comunidade. Infelizmente, ainda não se entende a favela como potência, culturalmente falando. O que estamos vendo atualmente é um espaço cultural sendo fechado a comunidade aos finais de semana e um horário reduzido, funcionando de terça a sexta das 12h as 18:30…”

Assinam: Fórum de Cultura da Rocinha, Grupo de Valsa Noite de Encantos, GBCR,  Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha, Portal Viva Rocinha,  Museu Sankofa,  Grupo de Teatro Roça Caça Cultura, Grupo de Teatro Pé Sujo, Intervém Favela,  FavelaDaRocinha.com.

“Atenção Governador Pezão e secretária de Cultura, Eva Rosental, os moradores aguardam uma solução. Ou nos dê uma resposta, quando vai fechar de vez o espaço da biblioteca, pois a cada tempo é menor o horário de funcionamento. Os senhores podem fazer as contas que é muito mais barato e produtivo investir na cultura do que comprar fuzil. A arma mata, já a cultura e educação dão vida e geram sonhos na vida de toda essa gente que viveu e vive com o descaso e a falta de serviços públicos.

Manifesto meu apoio ao movimento  “EM NOME DA “CRISE, MENOS CULTURA E MAIS ARMAS PARA A FAVELA”.

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