Hoje na História, 22 de Abril de 1970, nascia Mano Brown

Paula Farias

Os livros de história ensinam que a data de 22 de abril 1500, foi o descobrimento do Brasil, mas já sabemos que essa terra não foi descoberta, mas sim invadida.

E assim como a verdadeira lição aprendida nas ruas, a data 22 de abril, porém do ano 1970 marca o nascimento de Pedro Paulo, o homem que se tornaria Mano Brown líder dos Racionais MC’s, que com suas letras de rap ensinou mais ao povo brasileiro sobre sua origem, do que os livros de história.

O filho da dona Ana, contrariou todas as estatísticas e agora completa 43 anos de vida e de luta. E dentro da cena do RAP nacional ele afirma que não há ninguém mais novo que ele.

Ah, o cachorro louco da zona sul, o vida loka, negro drama, vagabundo nato, mito do rap nacional, lenda viva da música negra brasileira, marrento, cara fechada, um amigo leal, um personagem, contraditório, polêmico, um louco, um sábio, um anjo ou sádico, cada um se refere ao Mano Brown de uma forma diferente. Quem diria que um morador do Capão Redondo, extremo sul de São Paulo, conseguiria despertar os mais variados sentimentos nas mais variadas pessoas.

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Pois não precisa ser da periferia, nem escutar RAP para tecer opiniões sobre Mano Brown. Afinal, ele sempre chama para si o peso da responsabilidade, denunciando a violência social e policial nas comunidades carentes, mais recentemente chegou ao ponto de pedir o impeachment do governador de São Paulo, durante uma cerimônia, dentro da Assembleia Legislativa (ALESP).

Talvez polêmico seja um das palavras que ajude a descrever esse furacão chamado Mano Brown, que por onde passa chama a atenção, atrai olhares atentos, ouvidos sensíveis a cada palavra pronunciada. Uma multidão de seguidores, querendo se aproximar cumprimentar, questionar ou simplesmente abraçar, impossível ficar indiferente diante dele.

E assim, como todos os grandes homens que marcaram a história da humanidade, e que foram questionados e criticados, Mano Brown também é alvo de muitas criticas, porém ele mesmo já disse várias vezes, que não gosta de seguir regras, que prefere seguir o sentido contrário, para surpreender,  se expressa como um homem que vive a frente de seu tempo, talvez por isso não seja compreendido.

Porém nada consegue abalar a importância do Mano Brown, que soube usar a arte musical como instrumento de luta, e não se limitou aos palcos  ultrapassando barreiras.

E dentro das polêmicas e questionamentos é importante lembrar as palavras de Gandhi, “A divergência de opinião jamais deve ser motivo para a hostilidade”.

Bom, por isso e por tantas outras coisas parabéns, Mano Brown por mais um ano de vida. Você é um lutador, vida longa aos verdadeiros.
 

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