Marco Feliciano tira sarro da cara de todo mundo porque pode

A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE NÃO PERDE BALCÃO DE NEGÓCIOS

Por: Fátima Oliveira

Quando apareceu a manchete “Pastor homofóbico deve presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara” (27.02), ele declarou: “Se tem alguém que entende o que é direito de minorias e que sofreu na pele o preconceito e a perseguição, é o PSC; o cristianismo foi a religião que mais sofreu até hoje na Terra”; complementou que a Comissão se resumia a defender “privilégios” de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais; e que ele defendia um “maior equilíbrio”.

Falo do deputado Marco Antônio Feliciano – empresário, pastor evangélico, conferencista e sócio-proprietário da Kakeka – Comércio Varejista de Brinquedos, Artigos do Vestuário Ltda., da Marco Feliciano Empreendimentos Culturais e Eventos Ltda. e do Tempo de Avivamento Empreendimentos Ltda. Todos em Orlândia (SP). É também pastor presidente da igreja Assembleia de Deus de Orlândia – Ministério Catedral do Avivamento. Ele também crê na “cura gay”, pois vê a homossexualidade como uma doença e a Aids como um câncer gay. Sobre negros disse: “A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, as pestes, as doenças e as guerras étnicas” (2011).

Lendo as notícias, entendi que tê-lo na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) era da responsabilidade da Câmara. O movimento social nunca teve força política para definir quem preside uma comissão. O pastor recebeu apoios eloquentes do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do deputado Garotinho (PR-RJ).

“A CDHM é uma das 20 comissões permanentes da Câmara dos Deputados, onde atua como órgão técnico constituído por 18 deputados membros e igual número de suplentes, apoiada por um grupo de assessores e servidores administrativos”. A principal atribuição da CDHM, criada em 1995, como uma ressonância da Conferência da ONU sobre Direitos Humanos, em Viena (1993), é “contribuir para a afirmação dos direitos humanos”. Com poder deliberativo desde 2004, cabe a ela a “formulação de propostas e programas governamentais ligados à cidadania e aos direitos humanos”.

A má notícia, de que presidiria a CDHM uma pessoa sem as qualificações necessárias para o cargo, mereceu o seguinte comentário, no Twitter, do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ): “Ele é confessadamente homofóbico e fez declarações racistas sobre africanos. Está claro que o objetivo do PSC, ao escolher a CDHM, deve ser barrar a extensão da cidadania plena às minorias. É lamentável”. Nilmário Miranda (PT-MG), primeiro presidente da CDHM, soube ser magistralmente grande no Twitter, sem dourar a pílula: “Esse é o resultado do presidencialismo de coalizão. Nosso PT optou por outras comissões mais importantes” (7.3.2013).

Sem mais hipocrisias, tratemos do assunto como ele é e merece. Nos marcos da ética da responsabilidade. O governo cometeu um erro monumental ao abrir mão do que sempre foi “a joia da coroa” do petismo: a CDHM; o PT dormiu no ponto; e os partidos da base aliada, idem. Todos têm culpa no cartório. Não escapa um! Tiremos as viseiras da hipocrisia: o PSC jamais reivindicou a presidência da CDHM; ela sobrou para ele, como o patinho feio das comissões!

A dureza é ter de assistir às escaramuças da esquerda, partidos e militantes de movimentos sociais, agora que “Inês é morta”, fazendo de conta que o pastor é um usurpador (o que não é!) ao expor as vísceras partidárias da esquerda e do governo, tirando o maior sarro da cara de todos nós! Erramos, e a teologia da prosperidade não perde balcão de negócios.

 

 

Fonte: O Tempo

+ sobre o tema

Pesquisadora: “Se trabalho infantil fosse bom, seria privilégio de ricos” 

"Bons tempos, né? Onde (sic) o menor podia trabalhar"....

Peritos das Nações Unidas avaliam condições de vida dos africanos em Portugal

Por: António Pereira Neves Genebra, 14 mai...

Luís Roberto Barroso: Grupos religiosos preparam ofensiva contra indicação de Barroso ao STF

Incomodados com a escolha do advogado Luís Roberto...

para lembrar

Só o Talibã descumpre ordem da ONU, diz Celso Amorim

O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim lamentou o...

O Brasil real e a imprensa nativa: um desencontro marcado

-"A liberdade de imprensa é um bem maior que...

Beyoncé canta Tina Turner em espetáculo futurista da nova turnê ‘Renaissance’

Numa performance brilhante, Beyoncé fez o primeiro de seus cinco shows...

Repórteres no pelourinho

    A direção da Folha de...

Fim da saída temporária apenas favorece facções

Relatado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o Senado Federal aprovou projeto de lei que põe fim à saída temporária de presos em datas comemorativas. O líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA),...

Negra Li mostra fantasia deslumbrante para desfile da Vai-Vai em SP: ‘Muita emoção’

A escola de samba Vai-Vai está de volta ao Grupo Especial para o Carnaval 2024, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, neste sábado...

Livro põe mulheres no século 20 de frente com questões do século 21

Vilma Piedade não gosta de ser chamada de ativista. Professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e uma das organizadoras do livro "Nós…...
-+=