sexta-feira, novembro 26, 2021
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O valor da representatividade na mídia

O mundo lamentou, neste final de semana, a perda precoce do ator Chadwick Boseman, que interpretou o Rei T’Challa, o Pantera Negra, nos cinemas. Pantera Negra foi lançado em 2018 e inaugurou uma nova fase do universo da MCU, da qual sou muito muito fã.

O impacto da história de um super herói negro, africano, com sotaque africano, comandando uma nação desenvolvidíssima e negra transformou e ainda transformará muitas vidas, principalmente de crianças que se identificam com o personagem.

Quando a gente se vê num personagem que a gente admira, a gente projeta um sonho, uma crença de que tudo é possível, que aquele lugar também nos pertence. Não é de hoje que se critica a estereotipização de papéis designados à população negra na mídia, assim como à feminina.

Em razão dos últimos acontecimentos, decidi assistir novamente alguns dos filmes mais recentes da Marvel, desde Pantera Negra até os 4 Avengers, e Capitã Marvel. Preciso dizer que Pantera Negra foi realmente uma guinada importante e necessária na forma como se contam as histórias de super heróis.

Do filme, quero destacar 3 pontos importantes:

  • Okoye é a General que comanda o exército que defende Wakanda. Uma mulher negra, forte, impactante, linda, com um senso de humor incrível, comanda um exército de mulheres que defendem o reino;
  • Shuri é princesa de Wakanda e irmã genial de T’Challa, uma jovem brilhante que comanda o laboratório responsável pelas criações tecnológicas de Wakanda, dona de um conhecimento pioneiro sobre inteligência artificial, física quântica e todo o maravilhoso mundo da ciência;
  • Nakia é uma guerreira de Wakanda, ex-namorada de T’Challa, que decidiu sair de seu país e se infiltrar como espiã em situações arriscadíssimas em outros países do mundo, buscando ajudar e salvar vidas.

Escolhi essas 3 personagens para destacar que todas são mulheres, possuem suas trajetórias e narrativas específicas, e que, para se destacarem no filme, não foi preciso abordar a sexualização de seus corpos, o seu desejo de ser mãe ou girar em torno da busca por um amor romântico.

São mulheres retratadas em suas complexidades que as tornam quem são, e que fizeram tantas meninas e mulheres se inspirarem pelos seus papéis. Foi a partir desse filme que outro grande marco da Marvel ganhou magnitude – o lançamento do filme da maior super heroína de todos os tempos – a Capitã Marvel.

Uma mulher que defende todos os planetas, que possui uma força e inteligência incomparáveis, e cuja história não é voltada aos clássicos estereótipos de feminilidade, delicadeza, sexualização dos corpos e busca de viver um relacionamento heterossexual.

Já assisti todos os filmes da Marvel inúmeras vezes. Continuo e continuarei super fã do Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Homem Aranha, Hulk… mas nenhum deles faz eu me sentir mais inspirada e envolvida com as histórias do que Pantera Negra e Capitã Marvel.

E isso é graças a importância dada à representatividade. É muito mais difícil nos tornarmos aquilo que não conseguimos ver. O consumo de mídia – seja televisão, serviços de streaming ou redes sociais – é algo que só tende a crescer na nossa sociedade cada vez mais conectada.

E aí que precisamos nos perguntar: o que consumimos reflete a imagem do mundo inclusivo, representativo e igualitário que queremos fazer parte?

Ou vamos continuar consumindo narrativas escritas, produzidas, comandadas e estreladas a partir do ponto de vista do homem, cis, branco e heterossexual?
#wakandaforever #chadwickforever

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