segunda-feira, novembro 28, 2022
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Para além do movimento negro, o povo negro em movimento – Por: Dennis de Oliveira

Na terça-feria, dia 18 de setembro, a ex-ativista do partido Black Panthers, Ericka Huggins, proferiu palestra para mais de 250 estudantes da Universidade de São Paulo no auditório da Geografia. O evento serviu como lançamento público do Coletivo de Estudantes Negros da USP, cujo manifesto foi lido ao final sob intensos aplausos dos presentes.

Quase não consegui entrar no evento, de tão lotado estava o auditório (coisa que não via há muito tempo). Um dado importante em uma universidade marcadamente elitista e que se mostra mais resistente a implantação de cotas raciais.

O que me chamou a atenção nesta atividade foram os depoimentos dos presentes. Alguns, alunos que ingressaram recentemente na universidade, destacaram a sua batalha para enfrentar o funil do vestibular e também o sentimento de ser “brutal minoria” em um espaço majoritariamente branco. Por isto, disse uma das alunas em seu depoimento, é sempre necessário estar aqui na universidade mas também não perder as suas raízes, as suas origens.

Outros, ativistas de movimentos culturais da periferia, relataram a sua tenaz luta em manter projetos de educação informal, como ações de posses de hip-hop com crianças em bairros periféricos. Um deles, por exemplo, falou da batalha em obter recursos para manter um projeto de fornecer um café da manhã comunitário com crianças, momento em que fazem projeções de filmes, discussões sobre problemas sociais e raciais, entre outros.

A política flui por outros espaços que não necessariamente aqueles tradicionais da realpolitik em que, infelizmente, uma parte considerável dos militantes considera ser o único esteio de militância. Por isto que eventos como este, organizados com pouquíssimos recursos e até em cima da hora (o local do evento foi obtido na véspera) surpreendem pela mobilização. Assim como as manifestações de junho, a plenária da Frente Pró-Cotas em fevereiro deste ano na Câmara Municipal, as manifestações contra o genocídio da população negra. Há um fato que começa a se desenhar no cenário político da luta anti-racista: para além do movimento negro, há o povo negro em movimento.

Fonte: Revista Forum

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