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Quanto vale uma vida?

Quando perguntamos às crianças o que querem ser quando crescerem, as respostas variam entre médico a astronauta. Eu dizia que queria ser grande. Não grande no sentido convencional, mas grande na estatura!

por Flaviana Menezes enviado para o Guest Post do Geledés

Eu cresci, como muitas crianças da minha geração, ouvindo aquela lenda urbana de que o Assistente Social tirava criancinhas dos seus lares. Mas, nunca me disseram que os lares eram inapropriados para o crescimento saudável das crianças e que estas corriam risco social e vulnerabilidade social. O que é risco social e vulnerabilidade social? O risco social se configura a partir do momento que se complexifica e se agrava as situações de vulnerabilidade. Ou seja, quando os direitos dos indivíduos, grupos e famílias foram violados ou rompidos. A vulnerabilidade social é um indicador da falta de acesso às necessidades básicas das famílias. (DESLANDES; SOUZA, 2009).

O Assistente Social é o profissional que vai além da burocracia interna das instituições: ele vai aonde o indivíduo necessitado está. Eu conheço vários profissionais que nunca foram à periferia, que nunca viram a miséria de perto, a fome a devorar o corpo até sobrar um olhar vazio e um sorriso inexpressivo, a violência escondida no conceito popular de “briga de casal” e etc. Quantas dores! Quantos casos de partir o coração estes profissionais enfrentam todos os dias. Um trabalho invisível, mas que salva várias vidas.

A Reforma da Previdência já ocorre no interior do INSS e ela veio com duas missões: dar aos Peritos poderes que não lhes competem por não serem formados em Serviço Social, remuneração extra a cada solicitação do segurado recusada e outros benefícios; aos Assistentes Sociais o sucateamento dos seus serviços, privações e dificuldades éticas e técnicas para a execução dos seus trabalhos. Os prejudicados nessa guerra injusta de poder somos nós, os cidadãos que necessitam dos únicos profissionais dispostos a ajuda-los. O BPC (Benefício de Prestação ]Continuada) não é uma política previdenciária, mas uma política de assistência social destinada a reduzir a pobreza de idosos e pessoas com deficiência sem outra fonte de renda mínima.

A presidente substituta do INSS, KARINA BRAIDO SANTURBANO DE TEIVE E ARGOLO, num devaneio ou desespero pelo poder, após marcar uma reunião com os Assistentes Sociais em Brasília e não comparecer (2º Encontro Nacional em defesa da Previdência Social e do Serviço Social no INSS, realizado nos dias 26 e 27 de maio, contra as medidas que estão sendo adotadas para desmonte dos serviços previdenciários.), baixou uma portaria – inconstitucional – obrigando os profissionais do Serviço Social a fazerem o seu trabalho em trinta minutos ou sofrerão sanções. Agora, me digam: como fazer avaliação socioeconômico em trinta minutos? Ela é Perita, logo, desconhece o verdadeiro trabalho de um Assistente Social, provavelmente, nunca entrevistou um segurado de forma minuciosa, nunca foi ao local em que eles vivem, as suas dificuldades, as suas misérias humanas. Ela via embora, mas o transtorno que ela causou refletirá, para sempre, na camada mais necessitada da sociedade.

Aí vem a pergunta à senhora KARINA BRAIDO SANTURBANO DE TEIVE E ARGOLO: quanto vale uma vida?

 


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