domingo, outubro 2, 2022
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Ruas da cidade: Manifestações livres sobre qualquer assunto

Por Leno F. Silva

Percorrer a pé as ruas da cidade é um
hábito saudável em vários sentidos. Permite ver a metrópole sob outros
aspectos, mais próximos da realidade e, principalmente, de conhecer alguns dos
personagens que fazem dela o que é. Mesmo circulando por um perímetro
reduzido, delimitado pelo centro antigo e os bairros de Santa Cecília,
Higienópolis e Consolação, esses mais de seis meses de andanças cotidianas me
permitiram estabelecer novas percepções dessa região.

No horário comercial o volume de
pessoas que circula pelas ruas e avenidas centrais é impressionante. Gente que
se movimenta com pressa para todos os lados, que lota a centena de restaurantes
com preços para os distintos bolsos e que se constitui como uma amostra viva das
nossas diversidades.

Como a cidade se desenvolveu a partir
do centro é nele que os trabalhadores de todos os bairros se encontram. Após o
término do expediente essa mesma região se transforma e fica quase abandonada.
Os prédios são ocupados pelos profissionais de limpeza e de manutenção e as
ruas recebem quem tem nas calçadas a única opção de moradia. E não por acaso, a
frequência e a quantidade de cidadãos sem lar cresce a cada dia.

Nos finais de semana ando pelos
bairros. Em Higienópolis o destaque são as ruas arborizadas e quase vazias.
Perto dali, em Santa Cecília, há uma mescla de pessoas e de estabelecimentos
numa mistura de sotaques que é uma das características de São Paulo.

Consolação é reconhecida pelo comércio
das luzes, cemitérios e algumas concessionárias de automóveis. Mas é “no baixo
Augusta”, trecho entre a Av. Paulista e a Rua Caio Prado, que a variedade
transpira e reluz o tempo todo. No horário comercial transita o povo das
labutas mais convencionais. Já à noite, entram em cena a turma dos bares, das
casas de shows eróticos, das boates, dos teatros e aqueles cujo o
entretenimento é subir e descer a rua várias vezes.

Não importa o dia e o horário. Desvendar
a cidade com as próprias pernas é um exercício de aproximação com os outros e
um jeito simples de se descobrir cidadão, nessa metrópole que se manifesta com as
mais distintas contradições. Por aqui, fico. Até a próxima.

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