Tag: #ProcureSaber

“o que você está fazendo nesta rua?

1) Eu estava viajando com um pequeno grupo da região de DC para comemorar o aniversário da abolição da escravidão. Esta também foi a minha primeira vez no Brasil. Ficamos alguns dias no Bahia Othon Hotel, em Salvador. Lembro-me de tentar me aproximar dos funcionários através de um “bom dia”. Silêncio. Aparentemente, eles foram instruídos a não interagir com os clientes, além de servir os hóspedes da maneira que fosse necessária. Certa tarde, nossa pequena "delegação" dirigiu-se às instalações em frente ao hotel para tomar alguns drinques antes do passeio pela cidade. Encontramos resistência até mesmo para entrar na instalação e disseram que era um clube privado. Nós prontamente respondemos indicando que não íamos a lugar nenhum até que fossemos servidos e imediatamente requisitamos uma mesa. Era como no filme (48 horas) quando Eddie Murphy entrou no bar. Poucos minutos depois, após uma grande discussão, fomos servidos. No dia seguinte, ...

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“Não, não sou angolana.”

25 de abril de 2012   Notas de viagem Hoje no correio, onde fui fazer o pedido de um CPF, perguntei se estava no lugar certo para fazer a inscrição.  "- Você é angolana?!", fui questionada pelo funcionário dos correios” - o qual seria classificado como negro nos EUA, mas não no Brasil. Respondi em seguida, "-Não, não sou angolana." Entreguei a ele uma cópia impressa de minha inscrição online que continha todas as minhas informações. Endereço no Brasil, cidadania etc. Atendente do Correios: “-Ok. Bom, você precisa de um passaporte oficial , tem que pegar uma carta da Polícia Federal (imigração), uma carta de alguém que informe sua estadia aqui e uma conta de telefone ou luz.” Eu: “-Em primeiro lugar, eu não consigo ter uma conta de luz sem ter CPF, e não, não preciso de todas essas informações. Eu só preciso de um passaporte. Além ...

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Finalização do Aeroporto de Brasília (Inaugurado em 1957). Acervo: Arquivo Público do Distrito Federal. NOV-D-4-4-B-16' (864)

Historiadoras e historiadores negros realizam exposição virtual sobre racismo e trabalho

Sob a curadoria da Rede Historiadorxs Negrxs, Geledés - Instituto da Mulher Negra, em parceria com o Acervo Cultne e com o Google Arts & Culture, a exposição Racismos: lutas negras no trabalho livre é parte do projeto "Nossas Histórias: vidas, lutas e saberes da gente negra". Ela será a quinta sala de um conjunto de exposições on-line que têm tratado da trajetória, experiências e ativismos de homens e mulheres negras. No dia 13 de maio de 1888 foi assinada a Lei Áurea, que decretou a abolição formal da escravidão no Brasil. De forma que, o fim desse regime foi marcado por uma série de disputas em torno dos projetos de emancipação, em um contexto no qual a maior parte da população negra já era livre e liberta. Gente que lidou com  muitos desafios para assegurar a vida em liberdade. Antes e após o fim do escravismo, os percursos desses ...

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“raça é um marcador da vida no Brasil”

Na minha primeira viagem ao Brasil, em 1986, participei de uma conferência que acredito ter sido organizada pela Association for Caribbean Studies. A Conferência foi realizada em Salvador, Bahia, no Hotel da Bahia. Lá fiz amizades que tenho até hoje, as quais só acabaram com a morte de meus amigos. K.C. Morrison também participou dessa conferência. K.C. e eu havíamos nos conhecido alguns meses antes em uma reunião do National Conference of Black Political Scientists (NCOBPS). Ele e sua esposa, Johnnetta, foram juntos para Salvador, mas Johnnetta ficou doente e teve que ficar em repouso absoluto. KC me convidou para encontrar com alguns brasileiros que ele e Johnnetta conheceram, assim poderia obter alguns insights sobre a vida dos negros no país. Também fiz contato com uma pessoa apresentada por um amigo dos EUA. Esse conjunto de contatos nos possibilitaram acesso a novos mundos, mundos que a maioria dos visitantes de ...

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Exposição virtual: Racismos – Lutas Negras no Trabalho Livre

Com muita satisfação, anunciamos a abertura da Exposição “Racismos - Lutas Negras no Trabalho Livre” no Google Arts & Culture! Nesse 13 de maio, fazem 133 anos desde a abolição formal da escravidão no Brasil. Na época, muitos homens e mulheres negras já questionavam a precariedade do projeto de liberdade assinado. No século que se seguiu, o que vemos é a constante reatualização dos racismos no mundo do “trabalho livre”. A partir de uma reflexão sobre esse processo, apresentamos nessa exposição fotografias e periódicos da imprensa negra e operária que nos dão notícias da situação dos trabalhadores negros em diferentes centros urbanos. Na Rádio Amefricana, apresentamos diversos documentos históricos, além de canções da sambista Cris Pereira. O material pode ser acessado em português e inglês e é mais um resultado da parceria entre a Rede de HistoriadorXs NegrXs, o Geledés e o Acervo Cultne! Ao longo de todo 2021, muitas ...

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“de repente, esse cara estava em cima de mim, segurando meu braço”

Meu incidente mais assustador no Brasil foi há alguns anos, durante uma conferência no Rio de Janeiro. Eu estava hospedado em um hotel no Leblon, que como homem de pele negra me marcava como deslocado. Eu andava para cima e para baixo na rua todos os dias para visitar restaurantes, lojas e a praia, com uma câmera montada no meu ombro. Muitas vezes notei um policial, cuja cor de pele era parecida com a minha, na guarita que ficava no caminho que eu costumava passar. Em um desses dias, nossos olhares se encontraram e eu o cumprimentei (como os afrodescendentes costumam fazer de onde eu venho) e fui embora. Não sabia que esse ato aumentaria minha condição de suspeito, e, de repente, esse cara estava em cima de mim, segurando meu braço. Virei-me para ver seu rosto ameaçador enquanto ele murmurava sobre documentos de identidade. Claro, eu tinha pouco domínio ...

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“como mulher negra, o título ‘Morena’ intencionalmente dilui minha visível identidade racial.”

Embora algumas expressões do racismo antinegro brasileiro sejam impossíveis de esconder, essas agressões abertas eram familiares para mim como uma mulher negra estadunidense que mora no exterior. Minhas experiências mais confusas com o racismo cotidiano no Brasil foram terrivelmente sutis. Embora pretendam se referir amigavelmente a mim como indivíduo, tais declarações e ações reforçam estruturas opressivas racistas, classistas, sexistas e imperialistas que impactam negativamente a comunidade negra globalmente. Enquanto morava no Brasil, escolhi residir em áreas metropolitanas, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília. O que posso dizer? Eu amo viver na cidade e cada local tem suas próprias características e distinção. Avenida Paulista em SP, Botafogo no RJ, Rio Vermelho na Bahia e outros bairros turísticos que costumam receber estrangeiros eram os lugares onde novos conhecidos me convidaram para sair. Devido ao meu status de estrangeira e origem dos Estados Unidos, presumia-se que eu me sentiria mais ...

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“Ela me acusou de roubar seu equipamento de exercícios”

Quando morei em São Paulo, entre 2003-2004, vivi em um prédio no alto do Morumbi, perto do meu trabalho. Minha vizinha do outro lado do corredor exigiu que eu usasse o elevador de serviços. Ela repetidamente reclamava da minha presença no prédio e dizia que eu não podia usar a piscina para não sujá-la. Em outra ocasião, ela me acusou de roubar seu equipamento de exercícios (tínhamos um tapete de ioga idêntico) e seu laptop. Embora soubesse que eu era dos EUA, ela se referia a mim como “aquela vagabunda que fala espanhol”. Meus colegas de quarto, americanos brancos, eram tratados bem. Em outra ocasião, quando recebi alguns amigos negros brasileiros, ela ameaçou chamar a polícia por achar que éramos criminosos. Esta não foi a primeira vez que me disseram para usar o elevador de serviço. Em muitos momentos, fui confundida com uma doméstica e me pediram para não entrar ...

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“Você mora aqui ou você vem todos os dias?”

Como uma mulher afro-estadunidense e nigeriana de segunda geração, morar no Brasil me mostrou que o racismo não é apenas um fenômeno dos EUA. Eu vivi no Rio de Janeiro por muitos meses entre 2010 e 2012 para conduzir entrevistas com casais interraciais negro-branco para meu livro de 2019, Boundaries of Love: Interracial Marriage and the Meaning of Race (NYU Press). Examinando as minhas anotações do trabalho de campo e os memorandos de pesquisa, pude perceber as inúmeras maneiras pelas quais o racismo à brasileira afetou minha estadia nesta cidade. Eu morava em um apartamento que dividia com outras três mulheres no bairro de classe média do Flamengo. Este é um bairro predominantemente branco a algumas quadras da famosa praia de Copacabana. Um dia, ao entrar no elevador onde moro, uma mulher saia do prédio. Ela tinha cerca de 1,62m e a pele da cor de um saco de papel, ...

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“Ela negou minha cidadania”

Em 2012, tentei receber dinheiro em um banco de Salvador. O dinheiro foi enviado por um colega dos EUA. A gerente se recusou a me deixar receber o dinheiro e pediu identificação. Dei a ela meu passaporte dos EUA e, mesmo assim, lhe disse minha nacionalidade. Ela negou minha cidadania, insistindo que eu era angolana e disse que eu não poderia receber o dinheiro que estava sendo enviado de Angola. Em 2005, no Banco do Brasil em Salvador, eu já estava tão acostumada com o segurança bloqueando meu acesso para entrar no banco que pensei que era uma prática comum, até que li o livro de Keisha-Khan Perry, onde ela abre a obra com uma alegação de racismo arquivada devido a uma situação semelhante que experimentou quando foi a um banco em Salvador. Já em 2018, eu estava no mercado Bom Preço, loja que frequentei no bairro do Rio Vermelho ...

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13 de maio: comemorar o quê?

Quase três décadas após o reconhecimento oficial da existência do racismo no Brasil por um presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, e duas décadas de intensificação de Políticas de Promoção da Igualdade Racial pelo governo Lula, vivemos um momento de retrocessos em que, mesmo com dados recentes apontando o aprofundamento das desigualdades raciais, autoridades do país elaboram um discurso público de negação dos efeitos do racismo na sociedade brasileira. A campanha “13 de Maio: Comemorar o quê?” é uma iniciativa de colaboração entre US Network for Democracy in Brazil, Geledés Instituto da Mulher Negra e Afro-Brazilian Alliance (ABA) e tem como objetivo reafirmar a data da abolição da escravatura no Brasil como Dia Nacional de Luta contra o Racismo, como demarcado pelo movimento negro, já que a Lei Áurea não garantiu o pleno acesso aos direitos e à igualdade para a população negra - a qual vem enfrentando profundas desigualdades ...

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Foto: Ju Matemba

Carimbó Cobra Venenosa apresenta a lenda da “Flor de Mururé” em clipe de curta-metragem

São Paulo, março de 2021 – Um menino, que saiu vestido de menina, foi agredido e teve seu corpo jogado nas águas dos rios da Amazônia. Ao submergir, voltou em forma da flor de mururé, uma planta aquática com características femininas e masculinas, de origem amazônica, muito comum na região do Afuá (Ilha do Marajó - PA). Essa é a lenda da “Flor de Mururé”, repassada de forma oral pelas antepassadas de Naraguassu Pureza da Costa (54 anos), uma figura lendária do Afuá, que manteve viva a tradição ancestral da pajelança amazônica. Com inspiração na lenda e com a música “Flor de Mururé”, o grupo paraense Carimbó Cobra Venenosa lança seu primeiro videoclipe, em formato de curta-metragem, dirigido por Marcos Corrêa e Priscila Duque. A obra é uma ode à beleza, às encantarias e ao poder feminino amazônico e, por isso, é lançada no dia 8 de março, Dia Internacional ...

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Carlos Alberto de Oliveira (Foto: imagem retirada do site UOL)

O homem por trás da Lei Caó

Embora a lei histórica de sua autoria seja bastante conhecida no país (a Lei Caó), após meio século do golpe militar vale ressaltar a luta deste valoroso baiano pela implantação da democracia no país e ampliação dos direitos civis. Soteropolitano, filho de uma costureira e de um marceneiro, Carlos Alberto de Oliveira iniciou sua militância cidadã na Associação dos Moradores da Federação. E foi também vice-presidente da UNE. Com esse curriculum, foi preso e torturado pela ditadura militar. Migrou para o Rio, onde se tornou uma das lideranças mais influentes do brizolismo - corrente hegemônica na cena política do estado fluminense nas décadas de 80 e início dos anos 90. Tornou-se, então, secretário estadual do Trabalho e Habitação. Jornalista e advogado, foi presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mandato de deputado federal, deixou a sua marca indelével na ampliação dos direitos civis, na condição de autor ...

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Caó durante uma homenagem em 2013 (Foto: Eduardo Naddar / Agência O Globo/ Arquivo)

Lei nº 7.716/89 – Lei CAÓ, 25 anos no Combate ao Racismo

Estamos há 25 anos da Lei nº 7.716 de 5 de janeiro de 1989, que ficou conhecida como Lei Caó, em homenagem ao autor Carlos Alberto de Oliveira. A legislação define como crime o ato de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Também regulamentou o trecho da Constituição Federal que torna inafiançável e imprescritível o crime de racismo, após dizer que todos são iguais sem discriminação de qualquer natureza. Legalmente, é proibido recusar ou impedir acesso a estabelecimentos comerciais, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador (reclusão de um a três anos); impedir que crianças se matriculem em escolas (três a cinco anos); impedir o acesso ou uso de transportes públicos (um a três anos); impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o casamento ou convivência familiar e social (dois a quatro anos); fabricar, comercializar, distribuir ou ...

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Caó durante uma homenagem em 2013 (Foto: Eduardo Naddar / Agência O Globo/ Arquivo)

Raça Brasil homenageia os 70 anos de Caó autor da lei que tipifica o racismo no Brasil

Em 24 de novembro de 1941, nascia em Salvador, na Bahia, Carlos Alberto Oliveira Santos, ou simplesmente Caó, filho do marceneiro Themístocles Oliveira dos Santos e da costureira Martinha Oliveira dos Santos, a dona Miúda. Seu registro de nascimento, no entanto, só foi lavrado quase um mês depois, em 20 de dezembro, na época, uma prática comum, principalmente entre os negros Para a maioria das famílias era, antes de tudo, por uma questão econômica. Se hoje a mortalidade infantil ainda é alta entre os negros, imagine na década de 40, na Bahia? Quando uma criança negra nascia, os pais esperavam algum tempo para ver se ela viveria ou não. Como dizia a minha avó, esperava-se que 'a moleira' – parte superior do crânio – do recém-nascido endurecesse para se ter a certeza que resistiria, para depois registrá-lo. Imagine as despesas de uma família negra se, ao nascer um filho, o ...

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