TERREMOTO HAITI:Haiti: um terromoto que já acontece há tempos

Há uma semana um terremoto destruiu quase em sua totalidade um país já sofrido desde os primeiros anos de sua história. O Haiti, não é desse terremoto que vem sofrendo com a fome, criminalidade e pessoas à beira de um colapso de nervos. Não à toa (ou por interesses políticos obscuros) vários países, entre eles o Brasil, com a chancela da ONU, mantem tropas dos seus exércitos no Haiti.

Do jeito que a grande mídia mostra parece que o sofrimento começou de verdade depois do tal terremoto. Vídeos de salvamentos espetaculares e de “lições de vida e de perseverança”, no melhor estilo Joseph Climber, são mostrados a cada momento nos telejornais, como se antes as deliberações e guerras políticas não fizessem o povo viver em uma miséria avassaladora.

O Haiti foi cedido aos franceses por volta de 1697, já com uma grande população escrava. Não é difícil perceber a influência da cultura africana no país em um país quase em sua totalidade povoado por negros. Foram “civilizados” pelo Cristianismo, mas há ainda uma parcela da população que seguem a Umbanda e o Vodu, coisa que fez gente culpar essas práticas pelo acontecido.

Apesar de ser uma colônia francesa na América, a língua de Paris só falada por cerca de 10% da população, que fala mesmo é o Crioulo (Krèyol), uma espécie de língua/dialeto formada do francês.

 

Antes do terremoto

O Haiti, sempre sofreu com a fome e o descaso dos outros países. É mais um país marginalizado por ser da América pobre, que não tem relevência alguam no mundo, a não para construição fábiricas de grandes corporações uqe se utilziam da mão de obra barata que encontram, como é o caso de Honduras e Costa Rica.

Não é de agora que o povo sofre com essa especulação industrial. Desde o governo Ronald Regan, nos anos 80, os EUA prometem uma forma de industrialização/desenvolvimento do país (não só do Haiti, mas do Caribe), mas que só atendem aos anseios norteamericanos. Uma perfeita prova da alienação do trabalho.

A intervenção ameriana no Haiti vem da época do início da Guerra Fira, quando apoiou o golpe de Estado aplicado pelo Papa Doc (François Duvalier) no qual seria Presidente vitalício, instaurando a ditadura no país, impondo regras violentas com sua polícia e persegundo a Igreja Católica. Em 1971, com a morte do Papa, veio Baby Doc, seu filho, que tratou logo de decretar estado de sítio, o que gerou uma forte repressão popular (nisso eles são melhores que a gente) o que fez a “família Doc” rumar para a França.

 

Só nos anos 90 o país foi às urnas com para escolher um presidente, parecia que a democracia finalmente havia chegado a Porto Príncipe (capital haitiana). O escolhido foi Jean-Bertrand Aristide, que em menos de um ano foi deposto pelos militares e teve de se exilar nos EUA. Mas, em 1993, o governo militar assinou um pacto com Aristide e acordaram o retorno de um governo demcrático, baseado em uma Constituição. Porém, o acordo previu que uma Força de Paz da ONU fosse instaurada no país, o que gerou a ira dos grupos paramilitares, começa um imenso choque no país que não pretendia ser dominado assim por interesses de fora.

O Brasil chega com sua “força de paz” para tentar amenizar a situação e formam logo um grande laço de amizade e fraternidade com o povo haitiano, que absorve a cultura brasileira em sua vida. Basta lembrar do dia em que nossa Seleção foi para fazer um amistoso contra a Seleção do Haiti. O rosto feliz de crianças e adultos, correndo atrás de um tanque de guerra, para tentar pelo menos receber um sorrisou ou um aceno dos jogadores.

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A população haitiana quer as tropas brasileiras como irmãos que eles consideram e não como a formça de repressão que eles tanto querem acabar. E se é para reforçar a ajuda que façamos como Cuba, Venezuela e Equador, que não mandam tropas e sim médicos, engenheiros, enfim, profissionais que ajudam de forma estrutural que procuram uma vida civil e não militar repressiva.

Com todo essa história de sofrimento, fome e condições precárias de vida, o povo haitiano só não ficou alheio de suas convicções políticas, porque interessava aos grandes que se legitimassem as escolhas para formar o corpo político do Haiti.

 

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Aí sim já houve terremoto

O terremoto foi apenas mais um capítulo, um triste e grandioso capítulo, na história de um povo que vem sendo marginalizado em sua religião e modo de vida desde que Colombo aportou com Santa Maira, Pinta e Nina.

Os meios de comunicação já começaram a demonização do povo, pois lutam fisicamente para conseguir uma lata de feijão que seja. Também pudera, são mostrados como cachorros que brigam pelo pedaço de carne que jogam. De quem foi a ideia de lançar comida do alto de um helicóptero no meio de milhares de pessoas mortas de fome? Não era de se esperar outra reação.

Fonte: Viagem Aleatoria

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