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#AgoraÉQueSãoElas: ‘A gente quer as mesmas leis do mundo dos homens’

#AgoraÉQueSãoElas: ‘A gente quer as mesmas leis do mundo dos homens’

#AgoraÉQueSãoElas é uma semana de mulheres ocupando os espaços masculinos de fala. Estou temporariamente cedendo o meu espaço e quem vai falar é a minha amiga Carol Patrocinio.

Por Carol Patrocinio, no Blog do 

Uma das pessoas mais lindas, inspiradoras de luta e legais que eu conheço, sem mais:

Por Carol Patrocinio:

Eu poderia começar esse texto contando que quando eu tinha uns 9 anos um garoto que morava no apartamento da frente e tinha uns 19 parou atrás de mim, estendeu o dedo do meio, colocou a mão entre minhas pernas e passou o dedo da minha vagina até o meu anus. Pareceria sensacionalista, mas é apenas a verdade. Foi a primeira vez que eu abri mão de uma roupa que fazia com que eu me sentisse gostosa porque entendi que aquilo só tinha acontecido por causa dela. Nos anos seguintes eu apenas abri mão de me sentir gostosa. Podia ser bonita. Podia ser agradável. Podia ser engraçada. Gostosa nunca mais.

Mas eu prefiro começar esse texto contando que meu filho me disse, quando tinha 9 anos, que parecia muito difícil ser mulher. Eu perguntei o motivo e ele me disse que sempre que a gente andava juntos os homens ficavam olhando para o meu corpo e que eu deveria ficar incomodada com isso.

Demorou para eu entender que não era sobre mim. Não era sobre eu ser ou não gostosa. Era sobre poder. Sobre quem pode faz e o outro abaixa a cabeça. Quase uma coisa de selva: quando o leão passa todo mundo deve ficar imóvel. Não importa como você se sinta. Ele é o leão.

Só que na nossa sociedade racional e civilizada não existe leão. E, cada vez mais, as pessoas se cansam de baixar a cabeça, ficar imóveis, aceitar e se calar.Porque cansa. Porque machuca. Porque a gente sabe, racionalmente, que não deveria e nem poderia ser assim. Pessoas são pessoas, não importa o que elas têm entre as pernas.

Mas a gente sabe que não é. Feministas não querem ser homens, elas só querem ter as mesmas oportunidades que os homens. A gente quer equidade. A gente quer que tudo que nos foi tirado seja pago com juros. A gente quer ser livre, não ser enquadrada em padrões, não ter obrigações com as quais ninguém perguntou se a gente queria se comprometer. Queremos andar nas ruas sem medo, decidir sobre nossos corpos sem que religiões se intrometam, escolher os trabalhos que nos agradem, ter acesso a educação sem que digam que aquilo não é para nós. A gente quer parar de ser cobrada da perfeição, submissão e santicidade.

  • Ninguém questiona um homem que não quer ser pai.
  • Ninguém questiona um homem que não quer casar.
  • Ninguém passa por um homem na rua e fala o que gostaria de fazer com ele na cama.
  • Ninguém, antes de contratar um homem, pergunta se ele pretende ter filhos nos próximos anos, nem se ele tem com quem deixar as crianças caso elas fiquem doentes. Na verdade, ninguém nem se importa se um homem é pai.
  • Ninguém desvaloriza um homem ou suas conquistas porque ele é solteiro.
  • Ninguém chama um homem de queridinho, lindinho, meu bem ou similares para descreditar o que ele diz.
  • Ninguém diz que um homem está agindo de certa forma por causa dos hormônios.
  • Ninguém diz que um homem é mandão quando ele é o chefe e está dizendo o que deve ser feito.
  • Ninguém diz que falta sexo na vida de um cara quando ele está mal-humorado.
  • Ninguém pergunta se um homem já engravidou mulheres por aí e as abandonou, mas uma mulher que faz um aborto é um monstro.
  • Ninguém policia o corpo de um homem e diz que ele PRECISA ser malhado.
  • Ninguém questiona as roupas de um homem ou faz uma ligação entre elas e sua vida sexual.

São pouquíssimos os homens mortos por ciume ou posse. São pouquíssimos os homens assediados sexualmente no trabalho. São pouquíssimos os homens pais solteiros. São pouquíssimos os homens que precisam mudar totalmente quem são para se encaixar em padrões que invarialmente você vai falhar.

A gente não quer mais ser a exceção. A gente quer viver de acordo com a regra. A gente quer as mesmas leis do mundo dos homens. Somos pessoas e queremos ser vistas como tal.

A Carol tem vários espaços na internet:
Tumblr: http://carolpatrocinioyahoo.tumblr.com/
Blog no HuffPost Brasil: http://www.brasilpost.com.br/carol-patrocinio/
Além de twitter e Instagram! ;)

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