Brasileiros acham que há racismo, mas somente 1,3% se consideram racistas

 

Individualmente, o brasileiro tem o costume de dizer que não é preconceituoso, mas está convencido de que vive em um país no qual as pessoas são discriminadas em função da cor da pele. Esse perfil consta de uma pesquisa inédita, à qual o Correio teve acesso

Étore Medeiros e Ana Pompeu

O preconceito é uma marca comum no cotidiano dos brasileiros. Está nas casas, nas escolas e no ambiente de trabalho. Dados preliminares de uma pesquisa inédita do Instituto Data Popular põem à prova o mito da democracia racial. O estudo, em fase de conclusão, mostra que, apesar de 92% dos brasileiros acreditarem que há racismo no país, somente 1,3% se considera racista.

O instituto calculou que 92 milhões (68,4%) dos brasileiros adultos já presenciaram um branco se referir a um negro como “macaco”. E, destes, apenas 12% tomaram alguma atitude. O levantamento mostra ainda que um em cada seis homens brancos não queria ver uma filha casada com um homem negro.

 

 

“O racismo é um crime sem pai e sem mãe. Dizem que existe, mas não admitem que são racistas. As pessoas querem colocar isso (democracia racial) como parte da cultura do Brasil, mas isso é mentira. É uma farsa criada e, a cada dia, precisamos desconstruí-la. É importante que a sociedade veja que nunca será desenvolvida, cidadã e democrática enquanto conviver com esse tipo de crime”, analisa Carlos Alberto Júnior, ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). “O caso de Cláudia, em primeiro lugar, não é um caso isolado. Infelizmente, aconteceu. Mas, felizmente, foi gravado. Casos assim têm acontecido quase que sistematicamente, e é isso que estamos combatendo”, diz o ouvidor.

A estarrecedora forma como Cláudia da Silva Ferreira foi “socorrida” por policiais militares (leia Memória), no Rio de Janeiro, ganha eco em Brasília. Um ato contra o racismo, marcado para o fim da tarde de hoje, na Praça Zumbi dos Palmares, em frente ao Conic, prestará homenagem à brasileira vitimada por uma sociedade que “autoriza” que negros sejam “assassinados diariamente”, como diz a nota que convoca as pessoas para participarem da manifestação. “Ela deixou de ser Cláudia e virou ‘a mulher arrastada’. O fato de ela ter perdido o nome já diz muito”, exemplifica Naiara Lira, de 28 anos, que estará no evento.

Correio Braziliense

Foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press

 

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