Dia do Nordestino surgiu para marcar luta contra o preconceito e discriminação

Crianças nascidas no Nordeste contam por que se orgulham da região e mostram o que mais gostam nela (spoiler: a comida é unanimidade)

A cultura e o povo do Nordeste do Brasil são celebrados todos os anos no dia 8 de outubro, data que marca o Dia do Nordestino. O marco no calendário, criado por um senador baiano em 2022, é também uma homenagem ao poeta e compositor Catulo da Paixão Cearense, nascido em 8 de outubro de 1863 em São Luís do Maranhão.

A ideia dessa comemoração, de acordo com seu criador, é responder à discriminação que muitos nordestinos já sofreram na vida. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a região Nordeste é a segunda mais populosa do Brasil, com cerca de 58 milhões de habitantes.

Lorena Rayna S. F., 12 anos, mora no quilombo Jamary dos Pretos, em Turiaçu, no Maranhão. Os costumes nordestinos de que ela mais gosta são a dança do tambor de crioula, o forró, a festa junina, a festa de tradições, a comida e o artesanato.

Ela não acha legal o preconceito que os nordestinos têm de enfrentar. “Eu acho que eles já estão errados, porque não devem ter preconceito com outras pessoas. Nós somos todos iguais, devemos ter orgulho de quem a gente é”, afirma. “Temos que ter orgulho porque o nordestino nunca desiste de lutar e conseguir seus objetivos.”

Para ela, ser nordestino significa “ser forte, ter coragem, determinação, procurar os seus sonhos, lutar para conseguir, ser trabalhador e ser corajoso”. Se fosse governadora do Maranhão, ela diz que convidaria todos os brasileiros a visitar seu estado.

“Aqui tem ótimos lugares, ótimas praias, pessoas boas, pessoas hospitaleiras, tem comidas, festanças, tradições e várias coisas. E é muito legal.”

Manuela M., 8 anos, também curtiu a ideia de se imaginar governando o estado em que mora, a Paraíba. “Eu diria que aqui é um lugar seguro, e que tem praias bonitas, e é a única capital que tem uma ilha própria para a gente ir de barco e se divertir”, imagina.

“É Areia Vermelha e Areia Dourada”, diz, se referindo ao Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha, no município de Cabedelo, e também à praia de Areia Dourada. “São lugares bonitos, com bastante sol. Tem barcos e música festiva.”

Ela também é fã do Parque Paraíba, onde sua família tem uma casa de veraneio e onde também de vez em quando aparecem peixes-boi. Um deles já ganhou até nome: Mel.

Manu nasceu na capital paraibana, João Pessoa, e diz que conhece bem a cidade. Para ela, ser nordestino significa ser “um povo alegre, feliz e tratar bem todos que chegam em nossa região”.

“Eu tenho orgulho de ser nordestina e de presenciar todas as praias, os parques e as lagoas que tem aqui. A gente comemora o São João, o Carnaval, é bem divertido. Quase todo Carnaval tem uma festa lá na minha escola. A parte mais legal de São João é o milho”, afirma.

A paraibana já visitou Porto de Galinhas e Recife, em Pernambuco, e a praia da Pipa, no Rio Grande do Norte. “Pipa pode ser uma cidade pequena, mas é cheia de harmonia e coisa legal. As ruas são lindas, principalmente de noite. Porto de Galinhas eu achei um pouco interessante o nome, porque eu não vi nenhuma galinha.”

Manu fica chateada quando alguém demonstra preconceito com nordestinos como ela, mas tenta entender. “Eu acho que em cada pessoa existe um lado bom, e acho que essas pessoas não falam isso por mal, mas sim porque elas queriam ser um nordestino. Porque aqui tem muita riqueza em cultura e outras coisas, tipo comida, que fazem parte da nossa cultura, mas são mais especiais do que as outras festas.”

Para Theo N. M., 7 anos, nascido em Recife, Pernambuco, os lugares mais legais que sua cidade tem são o Shopping Rio Mar, o Parque das Graças e as praias. Ele diz que tem muito orgulho de ser nordestino e que o que mais gosta na sua região são as comidas, principalmente os derivados do milho como cuscuz, pamonha e canjica.

Ele também já visitou a praia da Pipa, como Manuela, e adorou as areias coloridas e as dunas. Na Chapada Diamantina, na Bahia, ele gostou muito das cachoeiras.

As redes de se balançar dentro são, para Theo, o que o Nordeste tem de melhor. E, se pudesse, ele convidaria todo mundo a visitá-lo, porque em Pernambuco “é muito bom e tem muitas coisas legais para fazer”.

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