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Discurso de John Mc Cain

“Muito obrigado a todos. Esta noite tenho um privilégio que é dado a poucos americanos: o privilégio de aceitar a indicação de nosso partido para presidente dos Estados Unidos. E eu o aceito com gratidão, humildade e confiança.

 (Photo by William Thomas Cain/Getty Images)

Em minha vida, nenhuma conquista se deu sem uma boa luta, e com esta indicação não foi diferente. Isso é um tributo aos candidatos que se opuseram a mim e é um tributo àqueles que os apoiaram. Eles são líderes de grande habilidade, que amam nosso país e que quiseram conduzi-lo para dias melhores. O apoio deles é uma honra que não esquecerei.

Sou grato ao presidente por nos liderar nos dias sombrios que se seguiram ao pior ataque de nossa história em solo americano e por nos proteger de outro ataque que muitos pensaram ser inevitável, e sou grato à primeira-dama, Laura Bush, modelo de graça e bondade em público e em particular. E sou grato ao 41º presidente e sua esposa há 61 anos, e pelo magnífico exemplo deles de serviço honrado a nosso país.

Como sempre, sou grato a minha mulher, Cindy, e a meus sete filhos. Os prazeres da vida familiar podem parecer férias breves do calendário lotado do trabalho para nossa nação. Mas eu os tenho valorizado mais ainda por isso e não posso imaginar uma vida sem a felicidade que vocês me dão. Cindy disse muitas coisas bonitas a meu respeito esta noite. A verdade, porém, é que ela é mais minha fonte de inspiração do que eu, a dela. A preocupação dela com os menos abençoados que nós vítimas de minas terrestres, crianças nascidas na pobreza e com defeitos de nascimento mostra a profundidade de seu humanismo. Sei que ela será uma grande primeira-dama.

Quando eu era garoto, meu pai com frequência estava longe de casa, no mar, e o trabalho de educar meu irmão, minha irmã e eu mesmo ficava a cargo de minha mãe, sozinha. Roberta McCain nos deu seu amor pela vida, seu profundo interesse pelo mundo, sua força e sua fé em que éramos destinados a aproveitar nossas oportunidades para sermos úteis a nosso país. Eu não estaria aqui hoje não fosse por sua força de caráter.

Meus agradecimentos sinceros a todos vocês, que me ajudaram a conquistar esta indicação e que ficaram a meu lado quando as chances a meu favor pareciam pequenas. Não os decepcionarei. Aos americanos que ainda não decidiram em quem votar, obrigado por sua consideração e pela oportunidade de conquistar sua confiança. Pretende fazer por merecê-la.

Finalmente, uma palavra ao senador Obama e seus partidários. Vamos nos enfrentar nos próximos dois meses. Essa é a natureza destas disputas, e existem diferenças grandes entre nós. Mas vocês têm meu respeito e minha admiração. Apesar de nossas diferenças, há muito mais que nos une do que nos divide. Somos todos americanos, uma ligação que significa mais para mim que qualquer outra. Somos dedicados à premissa de que todas as pessoas são criadas iguais e dotadas por nosso Criador de direitos inalienáveis. Nenhum país jamais teve uma causa maior que essa. E eu não seria um americano digno desse nome se não honrasse o senador Obama e seus partidários por suas realizações.

Mas que não haja dúvida, meus amigos, vamos vencer esta eleição. E, depois de termos vencido, vamos estender nossa mãe a qualquer patriota de boa vontade, vamos fazer este governo começar a funcionar para vocês novamente e recolocar este país no caminho da prosperidade e à paz.

Estes são tempos difíceis para muitos de vocês. Vocês estão preocupados em conservar seus empregos ou encontrar empregos novos; estão lutando para pôr comida na mesa e permanecer em suas casas. Tudo o que vocês jamais pediram ao governo é que ficasse de seu lado, não se contrapondo em seu caminho. E é exatamente isso o que eu pretendo fazer: ficar de seu lado e lutar por seu futuro.

E acabo de encontrar a parceira certa para me ajudar a promover mudanças em Washington: a governadora Sarah Palin, do Alasca. Ela tem experiência executiva e um histórico real de realizações. Ela já enfrentou problemas difíceis como independência energética e corrupção. Já equilibrou um orçamento, reduziu impostos e enfrentou os interesses especiais. Ela já estendeu a mão para o outro lado e convidou republicanos, democratas e independentes a servir em sua administração. Ela é mãe de cinco filhos. Ela já ajudou a administrar uma pequena empresa, trabalhou com suas mãos e sabe o que é preocupar-se com os pagamentos da hipoteca, despesas de saúde e o custo da gasolina e da alimentação.

Ela sabe de onde vem e sabe para quem trabalha. Ela defende o que é certo e não deixa que ninguém a mande ficar sentada. Sinto muito orgulho de ter apresentado nossa próxima vice-presidente ao país. Mas mal posso esperar para apresentá-la a Washington. E me permitam oferecer um conselho à turma velha de Washington, aquela que gasta muito, não faz nada, põe o eu em primeiro lugar e o país em segundo: as mudanças estão chegando.

Não tenho o costume de quebrar promessas feitas a meu país, e a governadora Palin, tampouco. E, quando dizemos a vocês que vamos mudar Washington e parar de deixar os problemas de nosso país para serem resolvidos por alguma geração de menos sorte, vocês podem contar com isso. Temos um histórico de fazer exatamente isso e temos a força, a experiência, a capacidade de julgamento e a coragem para cumprir o que prometemos a vocês.

Vocês sabem, eu já fui chamado de político de espírito independente, alguém que marcha ao ritmo de seu próprio tambor. Às vezes isso é dito como elogio; às vezes não. O que isso realmente quer dizer é que eu entendo para quem trabalho. Não trabalho para um partido. Não trabalho para um interesse especial. Não trabalho para mim. Trabalho para vocês.

Já combati a corrupção, e não importava se os culpados fossem democratas ou republicanos. Eles tinham violado a confiança pública e tinham que ser responsabilizados. Já combati grandes gastadores nos dois partidos, que desperdiçam o dinheiro de vocês com coisas que vocês não querem nem necessitam, enquanto vocês enfrentam dificuldades para comprar comida, encher o tanque e pagar suas hipotecas. Já lutei para tirar cheques de milhões de dólares de nossas eleições. Combati lobistas que roubaram de tribos indígenas. Combati negociatas no Pentágono. Lutei contra empresas de cigarros, advogados, empresas farmacêuticas e chefões sindicais.

Lutei pela estratégia certa e por mais tropas no Iraque, no momento em que isso não era algo popular de se fazer. E, quando todos os especialistas disseram que minha campanha estava acabada, falei que eu preferiria perder uma eleição que ver meu país perder uma guerra.

Graças à liderança de um general brilhante, David Petraeus, e aos corajosos homens e mulheres que ele tem a honra de comandar, essa estratégia teve sucesso e nos salvou de uma derrota que teria desmoralizado nossas Forças Armadas, criado o risco de uma guerra mais ampla e ameaçado a segurança de todos os americanos.

Uma boa briga não me mete medo. Por razões que apenas Deus conhece, já enfrentei algumas brigas bem difíceis em minha vida. Mas aprendi uma lição importante ao longo do caminho. No final, não importa tanto que você consiga lutar. O verdadeiro teste é aquilo pelo qual você luta.

Eu luto pelos americanos. Luto por você. Luto por Bill e Sue Nebe, de Farmington Hills, Michigan, que perderam seus investimentos imobiliários no mercado habitacional ruim. Bill conseguiu um emprego temporário depois de passar sete meses desempregado. Sue trabalha em três empregos para ajudar a pagar as contas.

Luto por Jake e Toni Wimmer, de Franklin County, Pensilvânia. Jake trabalha como carregador, é treinador da Liga Mirim e levanta dinheiro para deficientes mentais e físicos. Toni é professora e está fazendo mestrado, pagando as mensalidades com seu trabalho. Eles têm dois filhos; o menor, Luke, recebeu diagnóstico de autismo. Suas vidas deveriam ter importância para as pessoas que eles elegem. Elas têm importância para mim.

Luto pela família de Matthew Stanley, de Wolfboro, New Hampshire, que morreu servindo a nosso país no Iraque. Eu uso seu bracelete e penso nele todos os dias. Pretendo honrar o sacrifício de sua família, assegurando que o país que seu filho tanto amava e para o qual não retornou continue protegido contra seus inimigos.

Luto para restaurar o orgulho e os princípios de nosso partido. Fomos eleitos para mudar Washington, e deixamos que Washington nos mudasse. Perdemos a confiança do povo americano quando alguns republicanos cederam às tentações da corrupção. Perdemos sua confiança quando, em lugar de reformar o governo, os dois partidos o fizeram inchar. Perdemos sua confiança quando, em lugar de nos libertarmos de nossa dependência perigosa do petróleo estrangeiro, os dois partidos e o senador Obama aprovaram outra lei de bem-estar corporativo para as empresas petrolíferas. Perdemos sua confiança quando priorizamos nosso poder em detrimento de nossos princípios.

Vamos mudar isso. Vamos recuperar a confiança do povo, voltando a defender os valores que os americanos admiramos. O partido de Lincoln, Roosevelt e Reagan vai voltar aos fundamentos.

Acreditamos que cada pessoa tem algo a contribuir e merece a oportunidade de alcançar seu potencial que lhe foi dado por Deus, desde o rapaz cujos antepassados chegaram no Mayflower até a filha latina de trabalhadores migrantes. Somos todos filhos de Deus e somos todos americanos.

Acreditamos em impostos baixos, em disciplina nos gastos e em mercados abertos. Acreditamos em premiar o trabalho duro e aqueles que assumem riscos. Acreditamos em deixar que as pessoas conservem os frutos de seu trabalho.

Acreditamos em uma defesa forte, no trabalho, na fé, no serviço, em uma cultura de vida, na responsabilidade pessoal, no Estado de direito e em juízes que façam justiça com imparcialidade e não legislem desde a tribuna. Acreditamos nos valores das famílias, dos bairros e das comunidades.

Acreditamos em um governo que deslanche a criatividade e a iniciativa dos americanos. Em um governo que não faça suas escolhas por você, mas que trabalhe para que você tenha mais escolhas a fazer por si mesmo.

Vou manter os impostos baixos e reduzi-los onde for possível. Meu adversário os vai elevar. Vou abrir mercados novos para nossos bens e serviços. Meu adversário os vai fechar. Vou reduzir os gastos do governo. Ele os vai aumentar.

Meus cortes nos impostos vão gerar empregos. Os aumentos dele vão eliminar empregos. Meu plano de saúde vai facilitar a mais americanos encontrar e manter um bom seguro-saúde. Seu plano vai forçar pequenas empresas a cortar empregos, reduzir salários e empurrar as famílias para um sistema de saúde administrado pelo governo, em que um burocrata se interpõe entre você e seu médico.

Manter os impostos baixos ajuda as pequenas empresas a crescer e gerar novos empregos. Reduzir o segundo maior imposto sobre empresas no mundo vai ajudar as empresas americanas a competir e impedir a transferência de empregos para fora do país. Dobrar de US$3.500 para US$7.000 a isenção do imposto para quem tem filhos vai ajudar a melhorar as vidas de milhões de famílias americanas. Reduzir os gastos do governo e eliminar programas fracassados vai permitir que vocês guardem mais de seu dinheiro próprio para gastar, poupar e investir como acharem melhor. Abrir novos mercados e preparar trabalhadores para competir na economia mundial é essencial para nossa prosperidade futura.

Sei que alguns de vocês foram deixados para trás na economia em transformação e que, com frequência, pareceu que seu governo nem se deu conta disso. A assistência governamental aos trabalhadores desempregados foi projetada para a economia dos anos 1950. Isso vai mudar em meu governo. Meu adversário promete trazer empregos antigos de volta, querendo fazer a economia global desaparecer como que num passe de mágica. Nós vamos ajudar trabalhadores que perderam um emprego que não vai voltar a encontrar um emprego novo que não vá desaparecer.

Vamos prepará-los para os trabalhos de hoje. Vamos usar nossas faculdades públicas para ajudar a formar profissionais para aproveitar oportunidades novas em suas comunidades. Para os trabalhadores em indústrias que foram duramente atingidas, vamos ajudar a cobrir parte da diferença de salário entre seus empregos antigos e seus empregos temporários, de salários mais baixos, enquanto passam por retreinamento que os ajude a encontrar trabalho novo e garantido por um salário decente.

A educação é uma questão de direitos civis deste século. O acesso igual ao ensino público já foi conquistado. Mas de que vale o acesso a um ensino falido? Precisamos revigorar as burocracias escolares fracassadas, com competição, empoderar os pais com escolhas, derrubar barreiras para professores qualificados, atrair e recompensar bons professores e ajudar os maus professores a encontrarem outros tipos de trabalho.

Quando uma escola pública deixa de cumprir suas obrigações para com os alunos, os pais merecem uma escolha na educação de seus filhos. E eu pretendo lhes proporcionar essa escolha. Alguns podem escolher uma escola pública melhor. Alguns podem optar por uma escola privada. Muitos vão escolher uma escola semipública. Mas eles terão a oportunidade de escolher, e seus filhos terão essa oportunidade.

O senador Obama quer que nossas escolas se reportem a sindicatos e burocracias entrincheiradas. Eu quero que as escolas se reportem a pais e alunos. E, quando eu for presidente, elas o farão.

Meus concidadãos americanos, quando eu for presidente, vamos deslanchar o projeto nacional mais ambicioso em décadas. Vamos parar de enviar US$700 bilhões por ano para países que não gostam muito de nós. Vamos atacar o problema em todas as frentes. Vamos produzir mais energia em casa. Vamos perfurar novos poços marítimos, e vamos fazer isso já. Vamos construir mais usinas nucleares. Vamos desenvolver tecnologia de carvão limpo. Vamos aumentar o uso de energia solar, do vento e das marés e o uso de gás natural. Vamos incentivar o desenvolvimento e consumo de automóveis de combustível híbrido e elétricos.

O senador Obama pensa que podemos alcançar a independência energética sem perfurar mais poços e sem mais energia nuclear. Mas os americanos sabemos que não é verdade. Precisamos utilizar todos os recursos e desenvolver todas as tecnologias necessárias para salvar nossa economia dos danos causados pelos preços crescentes do petróleo e para restaurar a saúde de nosso planeta. É um plano ambicioso, mas os americanos são ambiciosos por natureza, e já enfrentamos desafios maiores. É hora de mostrarmos ao mundo novamente como os americanos lideram.

Esta grande causa nacional vai gerar milhões de novos empregos, muitos deles em indústrias que serão o motor de nossa prosperidade futura _empregos que estarão presentes quando seus filhos ingressarem na força de trabalho.

Hoje a perspectiva de um mundo melhor permanece a nosso alcance. Mas precisamos enxergar claramente as ameaças à paz e liberdade em nosso tempo e enfrentá-los, como fizeram americanos anteriores a nós, com confiança, sabedoria e determinação.

Nos últimos anos desferimos um golpe sério contra a Al Qaeda. Mas ela não foi derrotada e vai nos atacar novamente se conseguir. O Irã ainda é o principal Estado patrocinador do terrorismo e está a caminho de dotar-se de armas nucleares. Os líderes da Rússia, ricos de petrodólares e corrompidos pelo poder, rejeitaram os ideais democráticos e as obrigações de uma potência responsável. Eles invadiram um país vizinho pequeno e democrático para aumentar seu controle sobre o suprimento petrolífero mundial, intimidar outros vizinhos e fomentar suas ambições de reconstruir o império russo. E o corajoso povo da Geórgia precisa de nossa solidariedade e nossas orações. Como presidente, trabalharei para estabelecer boas relações com a Rússia, para que não precisemos temer a volta à Guerra Fria. Mas não podemos ignorar agressões e desrespeito internacional à lei que ameacem a paz e estabilidade do mundo e a segurança do povo americano.

Enfrentamos muitas ameaças neste mundo perigoso, mas não tenho medo delas. Estou preparado para enfrentá-las. Conheço o funcionamento das Forças Armadas, o que elas podem fazer, o que podem fazer melhor e o que não devem fazer. Conheço o funcionamento do mundo. Conheço o bem e o mal nele. Sei como trabalhar com líderes que compartilham nossos sonhos de um mundo mais livre, mais seguro e mais próspero e sei como enfrentar aqueles que não os compartilham. Sei como conseguir a paz.

Quando eu tinha 5 anos de idade, um carro estacionou diante de nossa casa. Um oficial da Marinha abriu a janela e gritou para meu pai que os japoneses tinham bombardeado Pearl Harbor. Vi meu pai em poucos momentos nos quatro anos seguintes. Meu avô retornou daquela mesma guerra exausto do peso que carregara, e morreu no dia seguinte. No Vietnã, onde fiz algumas das amizades mais profundas de minha vida, alguns desses amigos nunca voltaram para casa comigo. Odeio a guerra. Ela é mais terrível do que qualquer coisa que se possa imaginar.

Estou me candidatando à Presidência para proteger o país que amo e impedir outras famílias de terem que arriscar seus entes queridos na guerra, como fez a minha. Vou recorrer a toda minha experiência com o mundo e seus líderes e a todas as ferramentas que estão à nossa disposição diplomáticas, econômicas, militares e o poder de nossos ideais para construir as bases para uma paz estável e duradoura.

Na América, mudamos as coisas que precisam ser mudadas. Cada geração faz sua contribuição própria para nossa grandeza. O trabalho que nos cabe está à nossa frente, nítido. Não precisamos procurar por ele.

Precisamos a mudar a maneira como o governo faz quase tudo: desde a maneira como protegemos nossa segurança até a maneira como competimos na economia mundial; desde a maneira como reagimos a desastres até os combustíveis que movem nossa rede de transportes; desde a maneira como treinamos nossos trabalhadores desde a maneira como educamos nossos filhos. Todas essas funções do governo foram projetadas antes da ascensão da economia global, da revolução da informática e do fim da Guerra Fria. Precisamos recuperar nosso atraso em relação à história e precisamos mudar a maneira como trabalhamos em Washington.

O rancor partidário constante que nos impede de solucionar esses problemas não é uma causa _é um sintoma. É o que acontece quando pessoas vão a Washington para trabalhar por elas mesmas, e não por vocês.

Já trabalhei inúmeras vezes com membros dos dois partidos para consertar problemas que precisavam ser consertados. É assim que governarei como presidente. Estenderei minha mão a qualquer pessoa que queira me ajudar a fazer este país andar novamente. Tenho o histórico pessoal e as cicatrizes que comprovam minha disposição. O senador Obama não os tem.

Em lugar de rejeitar boas idéias porque não fomos nós que as tivemos primeiro, vamos aproveitar as melhores idéias dos dois lados. Em lugar de brigar para ver quem fica com o crédito, experimentemos dividi-lo. Este país espantoso é capaz de fazer qualquer coisa que decidamos fazer. Convidarei democratas e independentes a trabalhar comigo. E minha administração fixará um novo padrão de transparência e responsabilidade.

Vamos finalmente começar a fazer as coisas para as pessoas que contam conosco, e não vou me importar com quem fica com o crédito por isso.

Tenho sido servidor imperfeito de meu país há muitos anos. Mas fui servidor dele em primeiro e último lugar, sempre. E nunca passei por um dia, durante tempos bons e tempos ruins, em que não agradeci a Deus por esse privilégio.

Muitos anos atrás, algo incomum me aconteceu que me ensinou a lição mais importante de minha vida. Fui abençoado pelo infortúnio. Digo isso com sinceridade. Fui abençoado porque servi na companhia de heróis e testemunhei mil atos de coragem, compaixão e amor.

Em uma manhã de outubro, no golfo de Tonkin, eu me preparei para minha 23ª missão sobrevoando o Vietnã do Norte. Eu não me preocupava com a possibilidade de não voltar em segurança. Pensava que eu era mais durão que qualquer pessoa. E eu era bastante independente, também, naquela época. Gostava de desobedecer algumas regras e brigar às vezes por simples diversão. Mas eu o fazia para meu próprio prazer, meu próprio orgulho. Achava que não existia uma causa mais importante que eu mesmo.

Então me vi caindo no meio de um pequeno lago na cidade de Hanói, com os dois braços quebrados, uma perna quebrada e uma multidão enfurecida à minha volta. Fui jogado numa cela escura e abandonado para morrer. Não me senti mais tão durão. Quando descobriram que meu pai era almirante, me levaram a um hospital. Não conseguiram encanar meus ossos corretamente, então simplesmente me engessaram. Quando eu não melhorei e quando já tinha emagrecido tanto que pesava apenas 45 quilos, me puseram numa cela com dois outros americanos. Eu não conseguia fazer nada. Não conseguia nem mesmo me alimentar. Os dois americanos me alimentavam. Eu estava começando a aprender quais eram os limites de minha independência egoísta. Aqueles homens salvaram minha vida.

Eu estava preso na solitária quando meus captores me ofereceram a liberdade. Eu sabia o porquê. Se eu voltasse para casa, eles usariam isso como propaganda para desmoralizar meus colegas prisioneiros. Nosso Código dizia que só podíamos voltar para casa na ordem em que tínhamos sido capturados, e havia outros homens que tinham sido abatidos antes de mim. Cheguei a pensar nisso, entretanto. Eu não estava nada bem e sentia falta de tudo na América. Mas recusei a oferta.

Muitos prisioneiros sofreram mais que eu. Eu já tinha sido maltratado antes, mas não tanto quanto alguns outros. Eu sempre gostava de me exibir um pouco depois de ter apanhado, para mostrar aos outros prisioneiros que era homem o suficiente para aguentar. Mas, depois de eu rejeitar sua oferta, eles passaram a me torturar mais que nunca. Por muito tempo. E eles quebraram minha resistência.

Quando me levaram de volta a minha cela, eu estava ferido e envergonhado e não sabia como conseguiria encarar meus colegas prisioneiros. O bom homem na cela ao lado, meu amigo Bob Craner, me salvou. Com batidas na parede ele me disse que eu tinha lutado tão duro quanto conseguira. Nenhum homem pode se segurar sozinho sempre. E ele me disse para me pôr de pé novamente e voltar a lutar por nosso país e por todos os homens com quem eu tinha tido a honra de servir. Porque eles lutavam por mim, todos os dias.

Eu me apaixonei por meu país quando fui prisioneiro no país de outros. Eu amava este país não pelos muitos confortos da vida aqui. Eu o amava por sua decência; por sua fé na sabedoria, justiça e bondade de seu povo. Eu o amava porque era não apenas um lugar, mas uma idéia, uma causa pela qual valia a pena lutar. Nunca mais voltei a ser o mesmo. Eu não era mais um homem que só pertence a ele mesmo. Eu pertencia a meu país.

Não estou me candidatando a presidente por achar que possuo grandeza pessoal tamanha que a história me ungiu para salvar nosso país em sua hora de necessidade. Meu país me salvou. Meu país me salvou, e não posso esquecer isso. E eu lutarei por meu país enquanto estiver respirando, com a graça de Deus.

Se você tem críticas a fazer a nosso país, faça dele um país melhor. Se estiver decepcionado com os erros do governo, ingresse em suas fileiras e trabalhe para corrigi-los. Aliste-se em nossas Forças Armadas. Torne-se professor. Entre para o ministério religioso. Concorra a um cargo público. Alimente uma criança que tem fome. Ensine um adulto analfabeto a ler. Conforte os que sofrem. Defenda os direitos dos oprimidos. Nosso país será melhor por isso, e você será mais feliz. Porque não há nada que traga mais felicidade para a vida que servir a uma causa maior que nós mesmos.

Como presidente de vocês, vou lutar por minha causa todos os dias. Vou lutar para fazer com que todo americano tenha razões para agradecer a Deus, assim como eu O agradeço: por ser americano, orgulhoso cidadão do maior país do mundo, e, com trabalho duro, fé forte e um pouco de coragem, grandes realizações sempre estão a nosso alcance. Lutem comigo. Lutem comigo.

Lutem pelo que é certo para nosso país.

Lutem pelos ideais e o caráter de um povo livre.

Lutem pelo futuro de nossos filhos.

Lutem pela justiça e as oportunidades para todos.

Ergam-se na defesa de nosso país contra seus inimigos.

Defendam uns as outros; pela bela, abençoada e pródiga América.

Ergam-se, ergam-se, ergam-se e lutem. Nada é inevitável aqui. Somos americanos e nunca desistimos. Nunca nos escondemos da história. Nós fazemos a história.

Obrigado e Deus os abençoe.”

 

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