sexta-feira, novembro 26, 2021
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Escritor usa web para contar histórias da cultura negra em Guaratinguetá, SP

Ale Santos usa as redes sociais para falar de casos históricos de preconceito e de ícones do movimento negro. Postagens já alcançaram mais de 1 milhão de visualizações.

Do G1

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O escritor e publicitário Ale Santos, de Guaratinguetá, usa a internet para falar sobre origem do racismo (Foto: Arquivo pessoal)

Usar a web para combater o preconceito, mostrar as origens dele e contar as histórias de vida de ícones da cultura negra. Essa é a proposta que o escritor Ale Santos, de Guaratinguetá (SP), adotou e que vem ganhando seguidores nas redes sociais, principalmente no Twitter.

Ele conta que a ideia de abordar questões ligadas à origem do preconceito e sobre a saga de líderes negros surgiu depois de pensar em produzir conteúdo na internet sobre a cultura negra. O resultado é que essas histórias que ele compila em postagens já alcançaram mais de 1 milhão de visualizações e mais de 7 mil compartilhamentos.

“Sempre pensava em formas de produzir conteúdo que impactasse realmente na vida das pessoas. Eu tentava fazer isso no blog que tinha, mas ele era mais focado em moda. Por ter que trabalhar como escritor, não conseguia conciliar a vontade com a prática, até que comecei a utilizar as técnicas de contar histórias para as postagens nas redes, principalmente no Twitter”, conta.

Entre as threads – como são chamadas as postagens sequenciais que formam uma história na rede social – que mais tiveram repercussão está a história da ‘vênus negra’, nome pelo qual uma escrava ficou conhecida ao ser exposta como atração em circos pelo Reino Unido.

“Recebo muitos comentários que me motivam. Me dizem que é muito importante não deixar essas histórias se perderem. Tem muitos professores de história que comentam que citaram as postagens em sala de aula e inclusive pessoas dos Estados Unidos já pediram para traduzir”, conta.

Ele conta que para escrever sobre um assunto precisa se aprofundar em diferentes fontes de informação. “Pesquiso mitologia africana, consumo documentários, sites, livros, enfim, estou o tempo todo pensando na próxima história”, disse.

Preconceito virtual

O escritor conta que já sofreu preconceito praticado pelos ‘haters’ – como são conhecidas pessoas que incentivam o discurso de ódio na internet –, mas ele conta que transformou a forma de lidar com as ofensas.

“Os ‘haters’ racistas não se escondem. Na internet eles se sentem seguros para ofender. Sempre aparece alguém em perfil anônimo, ou até real, tentando xingar quem é negro só pelo fato de o outro ser negro. Eu denuncio e bloqueio. Isso tem um efeito muito mais transformador do que ficar discutindo com eles”, conta ele, que ainda complementa.

“Isso eu levo para fora da internet. O interior, por exemplo, precisa começar a trazer esse debate para o dia a dia. Discutir racismo desde quando ele nasce muda muito as coisas. Como disse Frederick Douglass, pai dos direitos civis americanos: ‘É mais fácil criar crianças fortes do que consertar adultos quebrados’”, defende.

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