Gilberto Gil mostra show acústico em Lisboa e diz que África é “a última fronteira do humanismo”

Fonte: UOL –

Após ser apresentado no último domingo (8), na cidade do Porto, em Portugal, o show “Concerto de Cordas”, no qual Gilberto Gil é acompanhado pelo filho e violonista Bem Gil e pelo violoncelista Jaques Morelenbaum, estreou nesta terça-feira (11), em Lisboa, no Centro Cultural Belén (CCB). O músico fez uma apresentação única do formato no Brasil, no dia 23 de outubro, no Rio de Janeiro.

Gilberto Gil iniciou o show às 21h10, com a música “Máquina de Ritmo”. Sozinho no palco, o cantor vestia uma camisa rosa, calça e sapatos brancos, num misto de sambista e orixá, figuras que simbolizam duas das muitas facetas musicais apresentadas no “Concerto de Cordas”, que está em turnê pela Europa.

O público que encheu os 1.400 lugares do Grande Auditório do CCB ouviu a primeira música em puro silêncio, com total atenção. Após aplausos, Gil tirou os primeiros sorrisos da plateia, quando informou que a música de abertura do show é portuguesa, não por ser uma composição de algum artista português, mas por ter sido feita por ele no Algarve (região portuguesa ao sul). Deste momento até o fim do espetáculo acústico, uma estreita ligação entre o artista e o público se manteve.

No segundo tema, “Esotérico”, Gil já não estava sozinho em palco. O artista anunciou a entrada de seu filho Bem Gil, violonista, que o cumprimentou com um beijo, e em seguida entrou Jaques Morelenbaum para completar o trio acústico. Os assobios de Gil, presentes em quase todas as canções, aproximaram o público do músico, e contextualizado pelo caráter acústico do show, o som agudo reafirmou a marca orgânica do “Concerto de Cordas”. Enquanto isso, Bem Gil dava apoio para as criações melódicas de seu pai, por meio da harmonia e do ritmo de seu violão.

Cello de Morelenbaum e Dominguinhos
A terceira música, “Banda Um”, progrediu de forma contagiante e envolveu a platéia. Os músicos homenagearam Dorival Caymmi com “Saudades da Bahia”, ao mesmo tempo em que criaram a impressão de estarem em um espaço íntimo, como a “sala de casa”. O som alegre e agudo do assobio de Gil criou um contraste na parte final do tema com o som circunspecto do cello de Morelembaum. No cenário minimalista, os músicos eram iluminados durante todo o tempo por luzes brancas, que eram suavizadas de acordo com a intimidade que cada canção sugeria. Em volta dos músicos luzes coloridas eram projetadas no chão do palco, que delimitavam o espaço onde atuavam.

O cello foi tocado com mestria por Morelenbaum no tema “Superhomem”. A música “Rouxinol” – “Joguei no céu o meu anzol/Pra pescar o sol/Mas tudo que eu pesquei/Foi um rouxinol” – foi cantada em português e em inglês por Gil. Uma das músicas mais aplaudidas de todo o show foi “Chiclete com Banana”, de Jackson do Pandeiro, cuja letra foi acompanhada pelo público. As músicas mais recentes de Gil –“Das duas uma” e “Quatro coisas”–, criadas para o casamento da filha e para sua mulher, respectivamente, foram executadas com emoção e introduzidas com bom humor pelo musico.

Em “Lamento nordestino”, de Dominguinhos, discípulo de Luiz Gonzaga, o cello de Morelenbaum foi o destaque. O trio fez outra música de Dominguinhos, “Tenho sede”, mas sem o peso dramático característico, pois foi executada de forma rápida e leve. “Panis et Circense” foi muito aplaudida em função de Gil mostrar suas possibilidades vocais, em um ensaio com cara de brincadeira, acompanhado de perto pela elegância do cello. Com o fim do show mais próximo, Bem Gil teve seu momento de destaque em “Seu olhar”.

Alem do sertão e do samba, a África também se fez presente nas músicas “La renaissance africaine”, cantada em francês, e “Alapala”. Gil afirmou ao público que a África é “a última fronteira do humanismo”. “Andar com fé” foi recebida com aplausos do público logo nos primeiros acordes. Após “Expresso 2222” com Bem no pandeiro, às 22h50, os músicos retornam para o bis e apresentaram mais duas: “Raça humana” e “Viramundo”, música do disco “Louvação”, de 1967.

Durante a extensa carreira do musico, e após a Revolução dos Cravos, em 1974, -momento que marcou o fim da ditadura em Portugal– Gilberto Gil se apresentou no país inúmeras vezes. O músico já dividiu o palco com nomes de expressão da música portuguesa, como a cantora de jazz Maria João, a fadista Mariza e a pianista Maria João Pires. Dias antes da primeira apresentação do “Concerto de Cordas” em Portugal, Gilberto Gil fez uma apresentação inédita ao lado de Teresa Salgueiro, ex-integrante do Madredeus. O entusiasmo do público pelo “Concerto de Cordas”, reafirmou o lugar de prestígio que Gilberto Gil ocupa em Portugal.

Veja abaixo o repertório do show “Concerto de cordas”:

“Maquina de ritmo”
“Esotérico”
“Banda Um”
“Saudade de Bahia”
“Superhomem”
“Rouxinol”
“Metáfora”
“Chiclete com banana”
“Das duas uma”
“4 coisas”
“Não tenho medo da morte”
“Lamento sertanejo”
“Tenho sede”
“Panis et circenses”
“Estrela”
“Seu olhar”
“La renaissance africaine”
“Alapala”
“Andar com fé”
“Expresso 2222”

bis

“Raça humana”
“Viramundo”

Matéria original

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