Heróis Negros – liderança e sabedoria

Por que os Heróis não são Heróis negros? Pergunta interessante e intrigante

 

Os heróis são em geral homens, e homens brancos.

É bom nos perguntarmos sobre esta questão, pois os heróis como invenção lúdica de seres supranaturais buscam a manutenção de justiça de ética, são figuras caricaturadas de símbolos dos estados mais desenvolvidos economicamente, que na medida em que buscam mercado para os seus produtos e empresas, exportam a imagem de pessoas com estereótipos.

Os chanjemams, flashmans, japions e chiraias são um bom exemplo de como os estereótipos são exportados. Uma potência quis estabelecer laços de dominação, então, antes preparou o terreno, de aceitação dos produtos.

Os EUA fizeram isto muito bem, e continuam exportando os seus Capitães Américas pelo mundo; costumes e hábitos vêem junto, casados com produtos, empresas e investimento.

Em 2002 vi o Filme Kiriku, um ser mitológico africano, menino negro, que transforma a vida ao seu redor com o valor mais profundo do ser humano e da forma mais ética possível, e quando não há possibilidade de encontrar respostas no seu tempo e espaço, ele recorre ao ponto alto da sabedoria e cultura africana: O Sábio Avô. Mestre, e testemunha das mudanças, instabilidades e estabilidades da vida e das coisas. Um bom exemplo da reivindicação de um herói negro. Ligado, conectado e enraizado na cultura africana. Não é palhaço, não é um policial atrapalhado, um super herói que precisa de consultoria.

No entanto, eu gostaria de aprofundar ainda mais este tema intrigante, perguntando: por que uma pessoa tem que resolver todas as coisas? Por que pensar um mundo imaginário no qual uma pessoa resolve tudo? Será que é uma fuga humana da difícil tarefa de viver em grupo, em sociedade? Questionamentos irreverentes, pois o estudo da evolução humana indica que foi justamente a vida comunitária uns dos pilares que nos fez evoluir. Os desafios da vida comum, nos fez sair da condição de animal irracional, para seres mais evoluídos capazes de pensamento mais complexos, a tal ponto de dominar os outros seres e os assistir em zoológicos e parques em suas condições não pensantes.

Sei que na vida real não existem seres humanos com força descomunal, no entanto, repenso a opressão e toda a estrutura social, quando recordo de Rosa Louise McCauley, a costureira nascida nos Estados Unidos, no dia 4 de fevereiro de 1913 e falecida com 92 anos, em Detroit no dia 24 de outubro de 2005, mais conhecida por Rosa Parks.

Esta mulher simples, ousou se rebelar. Para furar uma repressão do tamanho de um Estado de leis, decretos e costumes consolidados, foi necessário um não. Um não que sofreu todas as medidas legais cabivéis, no entanto inicio um processo, que tornaria, Rosa Parks a mãe da consolidação dos direitos civis negros estadunidense. Esta mulher simples iniciou um efeito dominó naquela pequena Montgomery. No dia 1º de dezembro de 1955, ela se recusou frontalmente a ceder o seu lugar no ônibus à um homem branco.

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