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Kofi Annan, o eterno líder das Nações Unidas

O legado de Annan não deve ficar apenas arquivado, deve servir de inspiração principalmente para os jovens africanos, valor reafirmado pelo actual secretário geral da ONU.

Por Ivan Caupers, do BANTUMEN
Foto: AFP / JOEL SAGET

Neste sábado, 18, Kofi Annan, um dos mais emblemáticos ex-secretários das Organizações das Nações Unidas, morreu de uma “breve doença”, conforme noticiaram os meios de comunicação internacionais e a conta de Twitter oficial do prémio Nobel da Paz.

Não foram especificadas as causas da sua morte e sabe-se apenas que Annan esteve hospitalizado na Suíça, na companhia de Nane, a sua mulher, e os filhos Ama, Kojo e Nina.

Kofi Annan, nascido no Gana, tornou-se no primeiro negro a assumir a liderança das Nações Unidas, entre 1997 e 2006, ocupando antes quase todos os patamares da hierarquia da organização.

O legado de Annan não deve ficar apenas arquivado, deve servir de inspiração principalmente para os jovens africanos, valor reafirmado pelo actual secretário geral da ONU. “O seu legado como campeão pela paz servem de verdadeira inspiração para todos nós”, disse António Guterres.

O campeão da paz mostrou ao mundo que competência e educação não têm origem nem raça, destacou-se expressivamente durante a guerra do Iraque e na luta contra o HIV/Sida.

Depois de terminado o seu mandato na ONU, Annan passou a envolver-se em várias organizações pelo mundo e participou de várias negociações de nações em conflito, como por exemplo no Quénia, como enviado especial da ONU na Síria, trabalhando para encontrar uma solução pacífica para a guerra que ainda hoje prolífera e também liderava o The Elders, constituído por vários líderes mundiais em prol dos Direitos Humanos.

Além das suas ações inesquecíveis para o mundo, Annan possui 27 títulos honoríficos reconhecidos por grandes universidades mundiais, 15 prémios com destaque ao Nobel da Paz em 2001 e honrado por sete vezes, em países como Alemanha, Inglaterra, Holanda, Gana e outros.

Na memória, ficará ainda o seu último discurso como secretário geral da ONU, em que destacou os grandes problemas de “uma economia mundial injusta, a desordem mundial e o desprezo generalizado pelos direitos humanos e do Estado de Direito”:

“(…) As mães continuam a morrer desnecessariamente ao dar à luz, em todo o mundo em desenvolvimento. O VIH/SIDA, a tuberculose e a malária continuam a propagar-se e a matar. A igualdade entre os sexos continua a ser apenas um sonho para as mulheres de muitos países. Os danos ambientais são uma ameaça crescente ao fornecimento de alimentos e água da população, bem como aos seus meios de subsistência e lares.

(…) Que a história não diga, acarca da nossa época, que aqueles que eram ricos em termos de meios materiais eram pobres em termos de vontade. Que ela diga que nós que éramos fortes no amor, como disse Wordsworth, fomos aqueles que fizeram verdadeiramente da pobreza uma coisa do passado.”

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