Mostra histórica destaca ativismo de mulheres negras e artistas

We Wanted a Revolution: Black Radical Women 1965-85 acontece em Nova York até dia 21 de setembro.

Do Elle 

Fotografia de Lorna Simpson. Da esquerda para a direita: Alva Rogers, Sandye Wilson, Candace Hamilton, Derin Young e Lisa Jones (Lorna Simpson/Divulgação)

A mais recente exposição do Brooklyn Museum, em Nova York, é dedicada à artistas mulheres e negras e seu esforço político essencial para o crescimento da segunda onda do feminismo no Estados Unidos — e sua contínua influência ao longo dos anos e ao redor do mundo.

Catherine Morris, curadora do centro de arte feminista do museu, e Rujeko Hockley, curadora-assistente do Whitney Museum, selecionaram pinturas, fotografias, músicas, filmes, esculturas e performances de quase 40 artistas, incluindo Carrie Mae Weems, Lorna Simpson e Faith Ringgold. Além de iluminar o tema fora de uma narrativa artística branca e de classe média, a We Wanted a Revolution é a primeira exposição do museu a focar especificamente em mulheres negras e artistas.

Faith Ringgold (à direita) e Michele Wallace (no meio) no Protesto de coalizão de trabalhadores da arte, em 1971, por Jan Van Raay (Jan Van Raay/Divulgação)

“As primeiras conversas que eu e Catherine Morris tivemos sobre essa exposição aconteceram em 2014. Falávamos sobre as conexões (ou desconexões) entre mulheres negras e o feminismo mainstream e o movimento Black Power, ativismo dentro e fora do mundo da arte e do próprio Brooklyn Museum. Desde o começo, era clara a necessidade de um centro de trabalho e experiências para mulheres negras. E por elas nos guiamos: mulheres negras e artistas, ativistas, curadoras, historiadoras da arte e escritoras que vinham fazendo esse trabalho desde 1960 —  mas eu diria que surgiu muito antes disso, e continua no presente também”, conta Rujeko Hockley para a ELLE americana.

Entre uma das expositoras está Faith Ringgold, artista de projeção essencial para o movimento. Rujeko fala que “além de seu incrível trabalho e carreira, um dos motivos de sua grande presença na exposição é seu comprometimento com arte, feminismo e justiça social.”

For the Women’s House, Faith Ringgold (Faith Ringgold/ Centro Rose M. Singer/Divulgação)

For The Women’s House, de Faith, é um dos ícones da exposição, e foi criado como dedicatória para mulheres encarceradas no Instituto de Correção de Nova York, em Rikers Island, no qual ficou até que o espaço se tornou uma prisão masculina em 1988. Considerado inapropriado para os novos prisioneiros, a pintura foi retirada e iria ser destruída. Graças a um guarda, o mural foi salvo e restaurando, e reinstalado em uma nova prisão para mulheres, o Rose M. Singer Center. Essa é a segunda vez que a pintura poderá ser vista fora de Rikers Island.

O trabalho exibe  uma série de modelos positivos para mulheres, incluindo a primeira mulher presidente, jogadoras profissionais de basquete e mulheres trabalhando como médicas, engenheiras e motoristas de ônibus, entre outras vocações que não estavam abertas para mulheres na época — e que ainda não estão.

A exposição ainda destaca através de fotografias a existência de coletivos essenciais para a história do movimento, como o AfriCOBRA, fundado por Jae Jarrel, Barbara Jones-Hogu e Carolyn Lawrence, além da editora Kitchen Table, fundada em 1980-81 por Barbara Smith e Audre Lorde.

Cookin’ and Smokin’, 1972, Where We At Collective. (Arquivo Dindga Mccannon/ Coleção David Lusenhop)

O que eu mais desejo para a exposição é que ela afirme, suporte e ressoe em mulheres negras artistas, pensadoras, escritoras e fazedoras de todos os tipos. Essas artistas e obras, e questões sobre raça, feminismo e história da arte e política já eram relevantes. Eles atingiram um novo grau de urgência hoje em dia, mas é uma história que mulheres negras já vivem e vem contanto há tempo”, finaliza a curadora.

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