Nova temporada de Mister Brau abordará racismo, refugiados e Lava-Jato

Para Taís Araújo, comédia é útil para debater temas pesados. Série também vai abordar questões sobre feminismo e conflito familiar

Do UAI

foto: Maurício Fidalgo/Globo

Uma cantora famosa internacionalmente é o destino de Michele, personagem de Taís Araújo, na quarta temporada de Mister Brau, com previsão de estreia em abril, na Globo. Com essa nova fase, Brau (LázaroRamos) e a própria estrutura familiar ficarão abalados. Para a atriz, abordar o empoderamento feminino na série era necessário, mas isso não significa que a história terá mais foco nela nos próximos episódios.

“O Brau não perde o protagonismo! A gente está contando a trajetória desse cantor que fica sem a identidade artística de repente. Aí, quando ele fracassa, para ter um conflito, a sua mulher, que estava sempre na infraestrutura da carreira do marido, acontece. Ela bomba para que a gente possa discutir essa demanda toda da sociedade e também para se criar um confronto real dentro da casa”, adianta Taís.

À medida que Michele vai fazendo sucesso, os embates aumentarão na série. Primeiro porque Brau cai no esquecimento do público e se incomoda com a fama da mulher. Depois, serão os filhos que sentirão falta da mãe, que ficará mais tempo viajando para se apresentar em outros países. Para Taís, poder usar a comédia para tocar em assuntos que permeiam a rotina das pessoas é importante. Além do feminismo e dos conflitos familiares, Mister Brau ainda vai falar de racismo, do drama dos refugiados e da Operação Lava-Jato.

“A gente está fazendo um programa de comédia, na TV aberta, que não tinha pretensão de abordar esses assuntos, embora o primeiro episódio tenha sido forte porque eles compraram uma casa e foram acusados de roubo. Ali já dava um toque de que a série queria discutir algo. O humor é a melhor maneira de fazer as pessoas refletirem sobre temas pesados”, argumenta a atriz.

Nos novos episódios, Taís Araújo teve de se esforçar ainda mais para dar conta de cantar e fazer as coreografias de Michele no palco. Para isso, ela conta que começou a se preparar dois meses antes dos outros colegas de elenco e, assim, facilitar o processo todo. No entanto, confessa que, desde que interpretou a Penha, em Cheias de charme (2012), já sabia que não levava jeito para soltar a voz.

“Desde as Empreguetes sei que não tenho aptidão para o canto, mas, mesmo se houvesse esse talento, não seria cantora porque não tenho vocação. É muito ensaio, dedicação, mas é divertido brincar de popstar”, afirma.

Para segurar a onda de interpretar uma cantora com fama no mundo inteiro, a atriz revela que usou alguns truques para não fazer feio. Mesmo assim, lembra de momentos em que pensou que não fosse conseguir cantar uma das músicas do repertório de Michele. Em outros, foi a dança que lhe rendeu dores de cabeça. Taís não conseguia entender como fazia para mexer o corpo e soltar a voz ao mesmo tempo e, por isso, decidiu estudar artistas como Beyoncé. E foi após muita observação que ela optou por usar o microfone como uma espécie de muleta para se libertar da pressão de acertar a coreografia.

FAMÍLIA “Eu não canto nem danço, a realidade é essa. Fiquei fazendo aula, mas vi que, se tirasse o espelho da minha frente, não saberia os passos. Aí fomos ensaiar tudo de novo. Com microfone, não conseguia levantar o braço e me falaram para trocar pelo headseat. Só a Britney Spears usa isso! Fui entender como elas fazem, porque cantar pra caramba e dançar ninguém consegue. Tem de ter técnica para dar conta, o que eu não poderia aprender em dois meses de preparação”, constata.

Tanto trabalho pode ser prazeroso, mas também tem seu preço. Para se dedicar à série, Taís diz que vê pouco seus filhos, João Vicente, de 6 anos; e Maria Antônia, de 3. Para a atriz, esse é um sacrifício necessário. Assegura que tenta recompensá-los com mais atenção nas suas férias. “Quando começo a gravar mais, vejo muito pouco as crianças. Mas tenho uma profissão que me proporciona que, daqui a pouco, possa ficar três meses dedicada aos dois, e isso gera um equilíbrio.” (Estadão Conteúdo)

Beyoncé brasileira

Allan Fiterman, um dos diretores de Mister Brau,  ressalta o investimento na superprodução de Michele (Taís Araújo) nesta quarta temporada. “Em oito episódios, há 12 shows. Dentro do estúdio, a gente gravou só um pedaço do palco para depois fazer um 3D gigantesco para parecer que ela está num grande festival. A casca inteira do palco, a plateia, a gente vai inserir com computação. Nesta temporada, ela se apresenta em vários países. Michele é quase a nossa Beyoncé brasileira.”

OUTROS PAPÉIS
Alguns personagens famosos da atriz

Em Cheias de charme, como Penha

Taís foi Helena em Viver a vida

Em A favorita, viveu a vilã Alícia

+ sobre o tema

Rapper Jay-Z processa estrela do beisebol por nome de boate

O rapper Jay-Z e um sócio estão processando David...

Ao ritmo das águas e da musicalidade afro-indígena, Héloa lança o álbum ‘Opará’

Cantora sergipana estará no programa "Hora do Rango" desta...

Os negros nas histórias em quadrinhos – parte 2

A Era de Prata (1956 – 1969) Ebulição Social...

No Japão, Pelé faz homenagem às vítimas do tsunami

Ex-jogador visitou área devastada e foi a escola na...

para lembrar

Jay-Z comprará serviço de streaming de música Wimp, rival do Spotify

O rapper e empresário americano Jay-Z comprará o serviço...

Presidente Lula vibra com a vitória do Brasil contra a Costa do Marfim

Presidente assistiu ao jogo na Granja do Torto, com...

O Investimento Social Privado e a questão racial no Brasil

Por: Andrés A. Thompson     O Investimento Social...

Racionais MC’s faz apresentação única em São Paulo

Depois de alguns meses dedicados à projetos individuais, os...
spot_imgspot_img

Flávia Souza, titular do Fórum de Mulheres do Hip Hop, estreia na direção de espetáculo infantil antirracista 

Após mais de vinte anos de carreira, com diversos prêmios e monções no teatro, dança e música, a multiartista e ativista cultural, Flávia Souza estreia na...

Segundo documentário sobre Luiz Melodia disseca com precisão o coração indomado, rebelde e livre do artista

Resenha de documentário musical da 16ª edição do festival In-Edit Brasil Título: Luiz Melodia – No coração do Brasil Direção: Alessandra Dorgan Roteiro: Alessandra Dorgan, Patricia Palumbo e Joaquim Castro (com colaboração de Raul Perez) a partir...

Tony Tornado relembra a genialidade (e o gênio difícil) do amigo Tim Maia, homenageado pelo Prêmio da Música Brasileira

Na ausência do homenageado Tim Maia (1942-1998), ninguém melhor para representá-lo na festa do Prêmio da Música Brasileira — cuja edição 2024 acontece nesta quarta-feira (12),...
-+=