O peso de representatividade negra 

Enviado por / FontePor Jenyfer Muniz

Artigo produzido por Redação de Geledés

As Tartarugas Ninjas, famosa desde sua criação em 1980 com quadrinhos, desenho e até mesmo filme, aparece em 2023 com outra imagem, desdobramento e um novo título: As Tartarugas Ninja – Caos Mutante, com direção de Jeff Rowe e produção realizada por Seth Rogen, Evan Goldberg e James Weaver. 

Dessa vez as tartarugas Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donatello, são retratadas como adolescentes, curiosos e com várias ambições, sendo três as principais: desbravar o mundo, receber aceitação da sociedade e ter a oportunidade de estudar. 

Envolvente desde o início 

O filme começa contando desde a origem das tartarugas, um ponto bem importante de saber. A trama tem em seu início, a revelação do “vilão” responsável pela criação dos mutantes, Dr. Baxter Stockman, um cientista negro com uma triste história: nunca teve família ou amigos, sempre se sentiu deslocado e rejeitado em meio a sociedade, algo que infelizmente é real para tantas pessoas negras na realidade. 

Foram essas dificuldades que o motivaram a criar mutantes, com o intuito de ter sua própria família e juntos, dominar o mundo. O plano parece ter dado errado, quando o cientista perde a vida, porém sua única criação de sucesso se espalha pela rede de esgoto da cidade de Nova York, causando uma exposição radioativa responsável por criar animais antropomórficos (mutantes), inclusive as quatro tartarugas e seu “pai” Splinter, um rato. 

O caos mutante é um fato 

Com seu título que carrega a frase Caos mutante, o filme realmente apresenta vários caos, um deles é o fato de Splinter, que também passou pela mutação, viver por tantos anos carregando um fardo cheio de traumas, baseado em sua experiência de convivência com humanos e outros animais, que o fizeram passar por rejeições, insultos e agressões. 

Diferente do Dr. Stockman que buscava vingança, a única vontade de Splinter era se esconder e viver em família, como um porto seguro, idealizando um mundo só para ele e as quatro tartarugas em seu lar. Além de pai, Splinter é o mentor de artes marciais dos irmãos, algo que se tornou necessário para redobrar a segurança da família. 

Desde muito novos, as tartarugas sempre carregaram um sentimento diferente de seu pai com relação ao mundo existente fora do esgoto, mas é durante a adolescência, após 15 anos da mutação, que em união eles começam a conhecer partes da cidade, se interessando pela cultura, comidas, filmes, jogos, música, pelas pessoas e seus costumes, experiências essas que aos poucos moldam a identidade dos irmãos.

Essas aventuras só contribuíram para o aumento do desejo de cada uma das tartarugas de viver com novas possibilidades, e foram elas que os colocaram diante da determinada jornalista April O’neil, mulher negra, empoderada, com grande anseio por justiça para a sociedade. 

April traz uma bagagem de protagonismo negro e feminino 

A adolescente April nutre o sonho de se tornar jornalista, mas sua timidez, nervosismo diante das câmeras e alguns episódios de bullying a confinam à redação do jornal da escola. 

A trajetória de April toma um novo rumo quando ela une forças com as tartarugas, com isso, seu trabalho jornalístico feito nas ruas de Nova York com seus quatro parceiros começa a chamar a atenção dos colegas de escola, na medida que suas matérias começam a ser publicadas. 

No desdobrar da trama, a mesma April que, de início, temia a exposição diante das câmeras, se revela uma jovem empoderada ao se posicionar em defesa das tartarugas ninja e seus valores de bondade. 

Representatividade é um dos pontos fortes do filme 

Cada personagem do filme carrega um grande propósito e o de April O’Neil é representar todas as pessoas negras, mas em especial, as meninas, as mulheres e as jornalistas negras! 

A representatividade no cinema emerge como uma ferramenta poderosa, capaz de promover a igualdade e celebrar a riqueza da diversidade humana. E com sua abordagem inclusiva, o filme apresenta uma nova perspectiva para a história, que antes trazia uma April branca e poucos personagens negros, mas que hoje começa a valorizar grande representatividade ao apresentar uma personagem negra com maior protagonismo. 

Durante muito tempo, o cinema negligenciou a representação das pessoas negras, tanto nos holofotes quanto nos bastidores, gerando estereótipos equivocados e evidenciando a existencia da discriminação racial nas telas. A falta de diversidade nas histórias e personagens agravou por muito tempo a marginalização da comunidade negra desde o século passado até início deste século, atingindo diretamente a vida e identidade da geração Y e Z. 

Mas agora, com o grande protagonismo de pessoas negras no cinema, essa realidade vem sendo transformada, ao ampliar a empatia entre diferentes grupos raciais e oferecer modelos inspiradores não só para os jovens e crianças, mas também para os adultos que estão vendo depois de muito tempo, essas mudanças de total importância sendo concretizadas. 

Vale a pena assistir, sentir e reassistir!

As Tartarugas Ninja – Caos Mutante traz representatividade em peso, até mesmo nos bastidores. O filme lança em todos os cinemas nacionais no dia 31 de agosto de 2023 (quinta-feira) e com certeza vai ser marcante para quem assistir!

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