O voo alto de ‘Besouro’ pelo cinema

Fonte: O Dia-

Filme sobre o capoeirista baiano faz quase 180 mil espectadores em uma semana


Rio – Cercado de expectativas, o longa ‘Besouro’, de João Daniel Tikhomiroff, já garantiu bons números logo nos primeiros dias em cartaz. Lançado no último dia 30, o filme do diretor carioca já atraiu 174.802 espectadores em 144 salas até a última quinta-feira, com renda de R$ 1.629.087.

A curiosidade em torno do longa é mais que justificada: com orçamento de R$ 12 milhões – alto, para os padrões nacionais -, teve luxos como o chinês Huen Chiu Ku, que trabalhou em filmes como ‘Matrix’, ‘O Tigre e o Dragão’ e ‘Kill Bill’, como coreógrafo das lutas do filme.

A história é baseada no livro ‘Feijoada no Paraíso’, de Marco Carvalho, espécie de biografia romanceada do lendário capoeirista baiano que enfrentou o preconceito racial no início do século 20. Segundo as várias histórias sobre Besouro, ele tinha o corpo ‘fechado’ pelo candomblé e era capaz até de ‘voar’.

“Capoeira dessa forma nunca tinha sido feita. E a história do personagem pedia essa relação com esse mundo mágico”, explica João Daniel. Intérprete do protagonista, o estreante Ailton Carmo, professor de capoeira, garante que os voos do filme não são tão fantasiosos assim. “Não tem tanta diferença para o que a gente faz. Além do mais, se você pensar, no caratê o cara voa? Não voa. Então ele precisa de efeitos especiais”, compara.

Assim como Ailton, outro personagem importante do filme, Quero-Quero, também é interpretado por um não ator, Anderson Grillo. “Para mim, era essencial que os dois fossem excepcionais capoeiristas. Não queria a limitação de atores que aprendessem por uns meses”, explica o diretor. Por isso, ele chamou a preparadora de elenco Fátima Toledo (de ‘Pixote’ e ‘Tropa de Elite’, entre outros) para transformar atletas em atores.

A cultura negra é representada não só pelos capoeiristas, mas também pelos orixás, que aparecem em diversas cenas. “A maioria do elenco é de negros. E negros lindos. É um filme que tem o negro como protagonista, como herói, e isso no Brasil é muito importante. Quebra alguns paradigmas”, analisa João Daniel.

Saga de capoeirista na Internet

Antes mesmo da estreia de ‘Besouro’, já havia um zunzunzum em torno do filme, que chegou a concorrer para representar o Brasil na tentativa de uma vaga entre os indicados ao Oscar de filme estrangeiro. “Um trecho ficou por duas horas num site. Alguém pegou e jogou no YouTube. Em 48 horas, tinha o maior número de acessos da história do cinema nacional”, diz João Daniel.

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