ONG denuncia venda de mulheres yazidis pelo Estado Islâmico por até US$ 250

Elas são vendidas para se casarem com seguidores do grupo extremista; preços oscilam dependendo da beleza

ERBIL — Mulheres yazidis são vendidas pelo Estado Islâmico por um valor que oscila entre US$ 150 e US$ 250 dependendo de sua beleza, informou o jornal “El Mundo” nesta terça-feira, citando Ziya Petro, diretor do Comitê Independente de Direitos Humanos do Curdistão. De acordo com ele, o grupo dissidente da al-Qaeda, que ocupa grande parte de territórios na Síria e no Iraque, coloca centenas de mulheres sequestradas à venda para se casarem com seus seguidores. Em um relatório divulgado nesta terça-feira, a Anistia Internacional acusou o Estado Islâmico de promover uma limpeza contra minorias étnicas no Norte do Iraque.

 

— Entre os compradores há homens vindos de alguns países do Golfo —relatou Petro ao diário espanhol.

 

A violenta ofensiva de jihadistas do Estado Islâmico destruiu aldeias inteiras, espalhando terror e medo. De acordo com a Missão da ONU no Iraque, pelo menos 2.250 mulheres e crianças estão sendo mantidas reféns pelo grupo.

 

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos já havia alertado que algumas das reféns tinham sido transferidas para a Síria. Cerca de 300 mulheres yazidis foram entregues pelo Estado Islâmico a militantes de sua legião, vindos de lugares tão díspares como Estados Unidos, França e a região russa da Chechênia.

 

De acordo com o grupo de monitoramento na Síria, alguns militantes optaram por vender as “sabaya” (termo usado pelo Estado Islâmico para se referir “às mulheres feitas prisioneiras durante a guerra contra os infiéis”) a outros colegas por US$ 1.000 com propósitos nupciais.

 

A organização documentou 27 casos de compra de mulheres no norte de Aleppo e nas cidades sírias de Hasakah e Raqqa. Petro denunciou o silêncio da comunidade internacional:

 

— É uma grande tragédia, mas a comunidade internacional não fez nada até agora — disse ele, consternado. — Por que se levantou a voz para denunciar o rapto de meninas pelo Boko Haram e se guarda silêncio até agora? — questionou.

 

Na tentativa de ajudar as sequestradas, sua ONG elaborou um plano desesperado:

 

— Pedimos a empresários e pessoas ricas de Mossul que comprem as mulheres e, assim, facilitem a sua libertação.

 

CAMPANHA DE ASSASSINATOS EM MASSA

 

A Anistia Internacional divulgou um relatório nesta terça-feira acusando o Estado Islâmico de orquestrar uma campanha sistemática de assassinatos em massa, sequestros e limpeza étnica no norte do Iraque, que poderiam constituir crimes de guerra.

 

O grupo de direitos humanos, baseado em Londres, disse que os extremistas têm como alvo as minorias religiosas, expulsando cristãos, xiitas, yazidis e outros grupos de suas casas.

O relatório documenta vários casos em que os extremistas realizaram assassinatos em massa de homens yazidis, reunindo homens e meninos e matando-os em grupos.

A ONU anunciou na segunda-feira que estava enviando uma equipe de emergência ao Iraque para investigar “atos de desumanidade em uma escala inimagináve

 

Fonte: O Globo

+ sobre o tema

Manifesto de Repúdio ao Racismo na PUC Campinas – por Maria Rita

O racismo é uma violência que mata, adoece, incapacita....

Donas da Favela: a grande arte de travestis no Piscinão de Ramos

Botar a cara no sol e praticar nado sincronizado...

Metroviários pedem fim de quadro ‘Metrô Zorra Brasil’

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo pediram o...

para lembrar

Ela transformou sua indignação em luta contra o racismo

 “Indignação sempre foi a palavra que mais me impulsionou....

Carta da estudante Beatriz Sousa para as mulheres e jovens negras

Ao longo dos anos (e só tenho 15), cresci...

Nota Pública sobre o Dia Do Orgulho Heterossexual

O Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção...
spot_imgspot_img

Brasil registra um crime de estupro a cada seis minutos em 2023

O Brasil registrou um crime de estupro a cada seis minutos em 2023. Com um total de 83.988 casos de estupros e estupros de...

Mortalidade materna de mulheres pretas é o dobro de brancas e pardas, diz estudo

Mulheres pretas têm quase duas vezes mais risco de morrer durante o parto ou no puerpério que mulheres pardas e brancas, segundo um estudo da Unicamp (Universidade Estadual...

Plataforma Mães Negras debate impactos do peso na vida profissional

A Plataforma Mães Negras do Brasil, startup (empresa emergente) de impacto social, cujo objetivo é a promoção do desenvolvimento socioeconômico de mães negras, promove nesta quarta-feira...
-+=