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Programa de Comunicação

Geledés entende a Comunicação como um Direito Humano e a partir dessa perspectiva vem trabalhando essa questão como uma política fundamental  para os movimentos sociais em geral e de mulheres negras, em particular, operando a partir da compreensão de que a comunicação é vital para qualquer movimento social, não apenas como instrumento de visibilidade, mas como nexo de empoderamento, investindo na capacitação de mulheres negras em Comunicação, Mídia e Advocacy. Essas ações têm sido ancoradas em atividades inter-relacionadas, que se traduzem nas estratégias para uma atuação que leve a resultados concretos: formação, educomunicação e empoderamento institucional e pessoal das ativistas.

Capacitação de PLPs (Promotoras Legais Populares) em  Comunicação, TICs e Advocacy

realização: Geledés e UNICID – Universidade da Cidade de São Paulo – SP/nov 2008

O Projeto foi destinado a mulheres formadas pelo Projeto de Promotoras Legais Populares do Geledés – Instituto da Mulher Negra com o  objetivo de capacitar essas lideranças comunitárias femininas em comunicação, mídia e advocacy, no sentido de multiplicar informações e qualificações nesses temas; instrumentalizar e fortalecer o grupo dentro das atividades que já desenvolvem no seu campo de trabalho.

As selecionadas têm entre 30 e 69 anos de idade, e residem na Zona Leste, periferia da cidade de São Paulo. Vale ressaltar que um grande número delas veio de situação de violência doméstica, tornando-se, após o período de atendimento e acolhimento, em PLPs, e hoje atendem as mulheres de sua comunidade.

Um dos aspectos positivos desta capacitação foi a parceria do Geledés com a UNICID – Universidade da Cidade de São Paulo, que conta com o terceiro lugar em excelência no ENAD, no seu curso de Comunicação, que disponibilizou toda infra-estrutura necessária para sua realização (laboratórios de informática, de apoio tecnológico e estúdio de TV).

Essa parceria – Geledés/UNICID permitiu não apenas uma alta qualidade na capacitação como também a promoção da auto-estima dessas mulheres, que nunca tiveram acesso a uma faculdade particular. Todas as treinandas receberão o certificado da própria Universidade. Além de permitir o empoderamento no seu trabalho social, essa certificação também é também útil para o campo profissional, caso elas resolvam utilizar os conhecimentos do curso.

Para essas mulheres, essa capacitação tem significado uma abertura para o mundo. Através das aulas teóricas foi possível a leitura e o debate de textos sobre o tema, e a apresentação de trabalhos escritos realizados individualmente ou em grupo.
Nas aulas práticas, puderam localizar recursos disponíveis na Internet, identificando websites destinados ao desenvolvimento de atividades das mulheres treinadas, nas áreas do direito, da educação, violência doméstica e sexual, cidadania e a partir de temas de maior interesse do grupo.

Criaram, ainda, uma lista de discussão PLPsYahoo, que deverá ser disponibilizada para PLPs de outros estados e municípios, além de e-mails próprios, a partir do qual vêm se comunicando com gestores, organizações do movimento social e outros grupos de mulheres em todo o Brasil.

Considerando-se o contexto atual, caracterizado pelo avanço das tecnologias da informação e comunicação – que provoca um novo modo de agir, pensar e sentir -, é importante transformar o computador em um instrumento estratégico nos projetos comunitários, considerando-se três fases: instrumental, leitura crítica e mecanismos de intervenção, para o avanço da cidadania. O curso cumpriu cabalmente com esses objetivos, como pode ser observado pelos vários relatos das mulheres treinadas.

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