Artigos e Reflexões

    Mayara Silva de Souza /Foto: arquivo pessoal

    Não existem normas ou técnicas que salvam as Vidas Negras na prática

    Tecnicamente é errado falar que adolescentes e jovens são presos, isso porque a Constituição Federal brasileira além de afirmar que estes são sujeitos de direitos que devem ser assegurados de maneira prioritária pelas famílias, sociedade e Estado, também determina que as pessoas com menos de 18 anos são penalmente imputáveis. Portanto, não podem receber tratamento igual ou mais gravoso que as pessoas adultas, mas podem ser apreendidos se forem responsabilizados por algum ato infracional contrário a legislação, o que não exclui ou diminui suas responsabilidades. A legislação determina que adolescentes e jovens podem ser internados em estabelecimentos educacionais: as chamadas de medidas socioeducativas. Entretanto, vemos que prática são frequentemente as notícias das graves violações de direitos dentro destes estabelecimentos, que teoricamente devem cumprir uma função de ressocialização. Ainda, os relatos vindos das famílias reforçam o entendimento que as condições para realização de visitas são iguais às condições do sistema prisional....

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    Egberto Nogueira/VEJA

    Anitta e a deseducação política brasileira

    Acantora Anitta respondeu publicamente, em suas redes sociais, às críticas que vem recebendo, nessas mesmas redes, por ter assumido seu relativo desconhecimento no campo da Ciência Política. O raciocínio da artista não poderia ter sido mais preciso, e uma síntese honesta dele é: “não sei hoje sobre política porque antes não me ensinaram; agora pergunto porque quero aprender para depois decidir melhor meu voto; zombar desse desejo de aprender atrapalha o processo de amadurecimento político pelo qual o Brasil precisa passar”. Sem dúvida nenhuma todo o episódio diz muito sobre a “briga de foice no escuro” que é a política nacional em 2020, briga atiçada de maneira irresponsável, por vários atores, ao longo dos últimos dez anos, pelo menos. Diz muito também, infelizmente, sobre a misoginia, o elitismo e o racismo “nossos” de cada dia.  Contudo, intrincado nesse episódio das agressões a Anitta, há um aspecto basal – primeiro, portanto –...

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    (Vsevolod Vlasenko/Getty Images)

    QUERO (QUEREMOS) FICAR: nota sobre respiração no litoral-periferia

    Resumo: O presente texto visa explicitar reflexões sobre a experiência vivida de um estudante do curso de Psicologia, morador da cidade de Fortaleza, neste atual cenário da COVID-19, evidenciando brevemente a desigualdade social e racial na capital cearense. Observa-se, por exemplo, que o Homem, indivíduos brancos/as, promove a não existência de outros sujeitos. O ‘eu-meu’ do autor se entrelaça com o ‘nós-nosso’ ao longo do artigo, recuperando o sentido da coletividade, com influência de estudos da Psicologia Social. Por fim, não considera-se um texto-fim, pelo contrário, pode ser lido a partir de um lugar aberto para diálogos e trocas. Vinte e três anos de habitação no litoral oeste da terra da luz parece ser o suficiente para conhecer todas fortalezas desta cidade. Porém, a cada momento percebo que não dá para contar os grãos de areia espalhados pela pista, nem a quantidade de telhas da minha sala, pois sempre algo...

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    GETTY IMAGES

    O que será?

    Vai no @leandro_assis A série "Confinada" diz quem é o juiz O núcleo da Elite transforma mãe preta em aprendiz Esquecendo que R$600 nos remete ao vis à vis Um país que sangra tanto pra minoria sorrir Velho e criança em pranto até a esperança ruir Cadê o Estado que nunca agiu? Não vejo aqui! Fica claro que o desleixo é estratégia pra nos subtrair O Covid se espalhando pelo morro é sacrilégio Vejo vários pedindo socorro mas poucos entendem que quarentena é privilégio Pra esse tipo de doença é difícil achar remédio E os menos estudados recebem ajuda de quem, por sorte, conseguiu passar do médio Há falta d'água até hoje Estamos mesmo no século XXI? Brincam com a alma desse povo como jogam resta 1 Inadimissível a ausência do suporte a classe trabalhadora O dinheiro acabou, o mês virou e a fome mais ameaçadora Quem luta por nós?...

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    Sobre a falta de coroas: A dificuldade de se reconhecer homem negro tendo cabelo liso

    Eu preciso confessar uma atitude que venho tendo, de maneira recorrente, já faz algum tempo: o ato de procurar por fotos de homens pretos de cabelo liso no Google. Desde criança qualquer pessoa de cor já passou pela experiência de não se encontrar em desenhos e seriados de TV. É quase um rito de passagem, notar que as percepções de beleza, o que deve ser visto, não repassa pela aparência de seus semelhantes. Eu passei por essa experiência e sem duvida alguma vibrei de alegria ao conhecer produções antigas e perceber novas criações que tensionavam os padrões estéticos ao que se estava acostumado. Mas de certa forma, para mim, ainda faltava algo. Vindo de avós e avôs tanto brancos quanto pretos retintos de cabelo 4b/4c, eu nasci sendo um preto de pele clara e de cabelo liso. Ao observar todos esses exemplos na TV, no cinema, na música, por mais...

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    Você é Racista Sim

    Eu já me deparei com inúmeras situações em que fui vítima de racismo e não sabia o que tinha acontecido. Não tinha noção do peso das palavras, das atitudes, dos pequenos gestos… Hoje eu sinto muita dor, por não ter feito nada. Naquela época eu não tinha o conhecimento que tenho hoje, e agora sei muito menos do que saberei daqui há 10 ou 15 anos. A diferença é que não mais sentirei essa dor, porque estou transformando-a em estrutura, em alicerce, na base do homem que me tornarei até lá. Recentemente tive uma conversa com uma pessoa que fez um comentário racista em uma foto, não entendia que tinha sido preconceituoso e disse que não era racista. Disse que eu deveria rever meu conceito sobre o que é racismo. Um homem branco, cheio de privilégios falando que eu não sabia o que era racismo, citando até, a constituição de...

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    Escritora Cidinha da Silva (Foto: Elaine Campos)

    A Velha e a Iaô

    Como a estátua da namoradeira na janela, a senhora septuagenária espiava o movimento da rua. Minha filha subia a Ladeira do Garcia apressada e a senhora gritou, iaô, oh iaô, o que você está fazendo com a cabeça no sol uma hora dessas, iaô? Hora de estar dentro de casa iaô, já é quase meio dia. Venha aqui tomar um copo d'água. Deborinha, sem opção, chegou à porta da casa e tomou a benção. A senhora a abençoou e mandou entrar. Entre surpresa, feliz e ansiosa, entrou. Surpresa porque para uma paulistana a frase "só se vê na Bahia" faz todo sentido quando esse tipo de hospitalidade se apresenta. Por isso também a felicidade, o aconchego de um sentimento de família, mesmo que as duas nunca tivessem se visto antes. Ansiedade porque tinha compromisso de hora marcada, coisa de trabalho, e precisava torcer para que a mãe a liberasse logo....

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    Reprodução/Netflix

    Dias sem Fim (All Day and a Night)

    Recentemente estreou na Netflix o Filme de Joe Robert Cole, All Day and a Night, traduzido para o Brasil como Dias Sem Fim. O filme narra a história da vida de Jahkor Abraham Lincoln e como as teias do racismo estrutural o levaram a ser condenado à prisão perpétua, por matar um homem e sua namorada. É muito importante que você entenda que eu acredito que ninguém nesse mundo deve possuir o poder de roubar o direito de vida de outra pessoa. E a minha pergunta é quantas pessoas pretas as autoridades têm matado a sangue frio ou descaradamente em seus falhos sistemas estruturais enquanto você lê essa frase? Estamos vivendo uma pandemia e segundo o Google Notícias são cerca de 12.000 mortos no Brasil e sabemos muito bem a cor dessas mortes, entretanto a pessoa que representa a maior autoridade no país banaliza a situação e coloca em risco...

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    Foto: shutterstock

    Vamos? … Como adiar o fim do mundo?

    O fim do mundo sempre foi um tema recorrente na história da humanidade, seja por projeções de cunho religioso, (Apocalipse) politico bélico (guerra nuclear) ou mesmo projeções calçadas na ciência (meteoro em rota de colisão com a Terra) Quem não se lembra do bug do milênio? Que tal o recente "Apocalipse Maia”?  Apesar de todas as previsões o ultimo evento que atinge o planeta, a Pandemia de Covid 19, tem se mostrado o mais potente para uma reflexão sobre a caminhada da humanidade no planeta Terra.    É o fim do mundo ou fim de um mundo?  De repente um ser invisível desfez certezas que foram construídas por séculos, nossa rotina girou 360 graus, muito das atividades indispensáveis em nossa vida, que nos proporcionava bem estar, prazer e conforto não estão na lista de atividades essenciais; de repente tudo que era sólido se diluiu no ar,  caiu o calendário festivo, esportivo,...

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    Reflexões de uma mãe preta sobre os dias das mães

    Há 02 dias, Hakim, meu primeiro filho, completou 07 anos e por causa deste evento muitos sentimentos chegaram com força em meu coração. Hakim é meu primeiro filho, mas não ó único. Depois dele houveram mais 02 filhos amados que permaneceram pouco tempo conosco e não puderam nascer. Eles também fazem parte da nossa família e estão eternizados em nossa história, em nossos corações e no meu corpo em forma de tatuagem. Quanto minha experiência com o Hakim, posso afirmar com toda certeza que sou uma mãe orgulhosa e feliz, mas minha inauguração no mundo materno foi bastante difícil. Circunstâncias difíceis de eminente risco de morte envolveram meu parto, roubaram a alegria e leveza que eu imaginava que deveriam estar presentes naquele momento. Eu já ouvi uma vez que deveria esquecer esta página difícil da minha vida e da história do meu filho, mas não tem como falar do milagre...

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    Cemitério Público Nossa Senhora Aparecida, em Manaus. Foto: Alex Pazuello/Semcom

    O racismo estrutural na crise do Coronavírus é visível quando ser negro(a) é o suficiente para estar dentro do grupo de risco

    Nossa defesa histórica da importância da construção de políticas públicas afirmativas (mulheres, negros e negras, indígenas, idosos, juventude, entre outros), a partir da compreensão de que as desigualdades sociais afetam distintamente cada grupo social, comprova-se, nesta conjuntura, ser fundamental. Isso porque, apesar do Coronavírus ser uma ameaça humanitária global, a possibilidade de sua propagação afeta mais suscetivelmente uns do que outros. Portanto, se “em tempos normais” as políticas públicas específicas são ferramentas necessárias contra as desigualdades sociais, em época de pandemia, é dever do Estado construir ações governamentais conforme as necessidades impostas por uma sociedade diversificada e plural pelas quais as nossas são formadas. A população negra é um dos grupos mais vulneráveis com a pandemia do coronavirus. Dados do jornal americano The New York Time, nos EUA, informam que as taxas de contaminações e mortes pelo COVID-19 são muito maiores em afro-americanos. Na Espanha, em Madri, coletivos de imigrantes...

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    Fabiane Albuquerque/ Foto: Glinka

    O Brasil não conhece o Brasil: o promotor que ganha 24 mil e D. Nicinha

    O Brasil não conhece o Brasil. Nenhum dos dois se conhece. Um Brasil é representado por aquele que se considera cidadão legítimo por natureza e acha que o outro existe para lhe servir. O outro Brasil, o que serve, acredita nisso  e, embora sinta a exploração, tem dificuldades para se rebelar. Ilustro esses dois Brasis através de duas falas que me chamaram a atenção nos últimos tempos. Uma delas se refere a um áudio vazado, no qual um procurador de Minas Gerais chamou de 'miserê' seu salário de 24 mil reais, acrescido de benefícios. Além disso, alegou que sua origem não é humilde e, portanto, não está acostumado com limitações. Intrigante esse Brasil! Em um país onde o salário mínimo é de R$ 1.045,00, o procurador obtém uma renda mensal superior em mais de 20 vezes ao que a maioria recebe para sobreviver. Mas há outro ponto fundamental em sua...

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    A filha da empregada

    Naquele dia de chuva, para não chegar atrasada, acordei as quatro e meia da manhã e fiquei mais de uma hora esperando na frente da empresa. Consegui não me atrasar, mas não puder evitar os pingos de lama na barra da calça. Minha rua de terra batida virava mangue ao sinal de qualquer fina garoa. Aos seis anos era divertido. Aos dezesseis, dolorido. A marcas da calça saíram com água. As da cara demoraram um tempo, ainda hoje sinto respingos. Cheguei antes de todas as candidatas. Mesmo sem saber quais seriam as perguntas, ensaiei várias possíveis respostas. Meu pai mandou ler o jornal. Minha mãe, o dicionário. A firmeza nas palavras sempre fora meu trunfo. Pena que, dependendo do jogo, essa carta não vale muito. Em uma recepção com portas de vidro que davam para uma sala grande, sem portas, eu e outras cinco meninas aguardávamos. Elas todas tão diferentes...

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    A pandemia da covid-19 é mais um capítulo das desigualdades raciais e de classe vigentes na sociedade - Pedro Conforte/Plantão Enfoco

    O que a atual pandemia revela sobre o 13 de Maio de 1888?

    Justamente neste mês de maio, próximo de completar três meses de pandemia e no marco dos 132 anos da abolição da escravidão no Brasil, fica mais evidente o desastre em curso desencadeado pelo novo coronavírus. Considerando as informações de “raça” e cor, é possível ver qual parcela da sociedade está morrendo mais ou qual tem mais chances de morrer com a pandemia. Negros e negras somam 43,1% dos hospitalizados, mas representam mais da metade das mortes, 50,1%, contra 47,7% de pessoas brancas, de acordo com os dados do Boletim nº 15 da Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde. Desse total, 65% das vítimas apresentaram algum tipo de comorbidade associada, com destaque para as doenças cardiovasculares (3.425 dos óbitos), diabetes (2.660 óbitos), doença renal (621 óbitos), doença neurológica (550 óbitos) e pneumopatia (544 óbitos). :: Pandemia produz aumento dos casos de racismo contra imigrantes negros no Chile :: “E daí?”,...

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    Escritora Cidinha da Silva (Foto: Elaine Campos)

    Necropolítica x Tecnologias ancestrais de produção de infinitos

    Um amigo escreveu que durante a quarentena imposta pela pandemia de Covid-19, seu trabalho, costumeiramente feito em casa, movia-se entre o contrapeso da sanidade mental e emocional e a realização das obrigações laborais e de sobrevivência, incluídos aí o banho, a cozinha, a faxina da casa, porque inúmeras vezes a vontade era mesmo de abandonar-se. As casas de centena e milhar faziam festa no ranking macabro de perdas humanas que poderiam não ter ocorrido; comerciantes e suas associações de classe pressionavam para que o comércio funcionasse a plenos pulmões visando o dia das mães. Uma agonia por dia, primeiro, salvar a economia, depois, rapidamente dar fim aos corpos das mães, das mães das mães, das mães das mães das mães. Para isso, o governo da cidade mais preparada para lidar com os quatro dígitos de mortes previstas e evitáveis anunciou medidas de impacto, pelas quais foram providenciados: quinze mil sacos reforçados para...

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    ADOBE

    14 de maio: o dia que nunca acabou

    Neste 13 de maio relembramos uma data simbólica para o país, quando a dita abolição da escravidão completa 132 anos. No entanto, para a população negra escravizada, essa data tem um simbolismo diferente, pois a dita abolição não resultou em reconhecimento da liberdade e da dignidade humana para quem foi humilhado, explorado e desumanizado por mais de 300 anos. O fim legal da escravidão ocorreu por duas razões básicas: a luta e resistência incessantes do povo negro e a pressão das elites mundiais que viam no Brasil um importante mercado consumidor que precisava de força de trabalho assalariada. Entretanto, a elite nacional, formada por grandes latifundiários e senhores de escravos, jamais aceitaria a integração da população negra em pé de igualdade. Iniciou-se então um processo de embranquecimento do Brasil. Ou seja, os negros foram úteis ao país apenas como escravos. A liberdade nesse caso foi uma forma institucionalizada de demonstrar...

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    (Foto: César Fraga/reprodução/Revista Claudia)

    Por Waldeci Ferreira Chagas: 13 De Maio não é dia de Negro, e nem de Negra

    O dia era 13 de Maio de 1973, ele tinha 10 anos, e estudava a 3ª serie primaria no Grupo Escolar, localizado na periferia da cidade. A aula nesse dia o marcara, e nunca esquecera o conteúdo, pois passara a se entender negro, e compreendera as tantas coisas que lhe ocorriam e vieram a ocorrer na vida, principalmente na escola. A Professora pedira que os estudantes fizessem trabalhos sobre as chamadas datas comemorativas. Dentre as tantas datas escritas no quadro, escolhera o 21 de Abril, enquanto o seu amigo Edson que também era negro escolhera o dia 13 de Maio, “considerado Dia da Abolição da Escravidão, ou Libertação dos Negros”, como explicara-a. A Professora, assim como a Diretora do então Grupo Escolar eram negras, mas nunca tratavam tal questão, exceto nesse dia. Mesmo assim não se reportavam as pessoas negras. Falava-se, da escravidão a que tais pessoas foram submetidas no...

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    Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

    132 anos de abolição: A luta pela nossa liberdade continua…

    13 de maio de 2020, hoje faz 132 anos da abolição da escravidão no Brasil, mas, afinal, que tipo de “Liberdade” conquistamos? Como usufruir esta tal liberdade em meio a tanta desigualdade social:  Somos a principal força de trabalho 54,9% e mesmo assim 64,2% estão desempregados (depois desta pandemia, este número irá aumentar). 47,3% das pessoas ocupadas que se declaram pretos e pardos estão em trabalhos informais, sem garantia dos seus direitos trabalhistas (IBGE, 2018).  As taxas de pobreza e de pobreza extrema são maiores entre a população negra, respectivamente: 32,9% e 8,8%.  A taxa de analfabetismo entre negros de 15 anos é mais que o dobro em comparação a de jovens brancos da mesma idade. Na região Norte e Nordeste este dado é ainda mais alarmante.  Negros e negras são as maiores vítimas de homicídios no Brasil. Nós mulheres negras somos as vítimas mais recorrentes de homicídios. 61% das...

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    Imagem: Otto Griebel, A Internacional (1929-30)

    Faltam empregos, mas sobra cinismo

    A intensidade dos problemas econômicos nos EUA, epicentro do capitalismo mundial, é um termômetro da gravidade da crise atual. O Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que a economia norte-americana irá apresentar retração em 5,9% no seu Produto Interno Bruto (PIB), o que é, possivelmente, inédito. Este resultado interrompe um ciclo de 10 anos de crescimento, iniciado em 2010, a partir da grande recessão mundial ocorrida no período 2007-2009. Período de crescimento considerado incomum, não só pela sua duração, como também pela taxa razoável de crescimento (2% ao ano, em média). A queda abrupta e profunda do PIB com a crise atual levou a um crescimento dramático do desemprego na maior economia do planeta. O país registrou em abril um índice de desemprego de 14,7%, o mais elevado em mais de 70 anos, desde que os registros começaram a ser realizados em 1948. O desemprego saltou de 3,5% em fevereiro, menor...

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    (Foto: Radoslav Zilinsky/Getty Images)

    Há uma semana: A morte pelo vírus e a morte pelo verme

    Nesta pandemia de coronavírus, as coisas mudam tão rápido que a gente perde a noção do que aconteceu ontem, antes de ontem, há uma semana. O que choca pela manhã já é notícia velha à tarde. Pensando nisso, Opera Mundi estreou a coluna “Notícias da Semana Passada”. O texto que você lê abaixo foi escrito há uma semana e publicado só agora. Com esse "distanciamento temporal", procuramos mostrar o que estava ocorrendo na semana anterior e como a epidemia afetava nossas vidas. A ideia é responder: quem nós éramos na semana passada? Hoje, publicamos o texto da socióloga Daniela Vieira: “A terra em transe franze Racha pela beira Feito cabaço de freira. Mas o Brasil ainda batuca na ladeira: Bafo, Congo, Exu, Taieira Mais Cacique e Olodum” (Aldir Blanc/Guinga, Baião de Lacan). “Glória a todas as lutas inglórias Que através da nossa história não esquecemos jamais” (Aldir Blanc/ João Bosco,...

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