Artigos e Reflexões

    ilustrações Amanda Favali (@favali_)

    Os Privilegiados

     A história e estudos científicos sérios demonstram o fiasco de centenas de anos de escravização do povo negro.  Na sociedade brasileira erguida sob a égide dos mitos falhos como o da democracia racial e da meritocracia, onde a miséria, o desemprego, a população carcerária tem cor. Nessa sociedade que classifica as pessoas pela tonalidade mais escura ou menos escura. Nessa sociedade pequena parcela vive em seus palácios de cristal, nós sobrevivemos como os elefantes. Exemplarmente estudo intitulado “O Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça”, que o Ipea produz desde 2004 em parceria com a ONU Mulheres, tem como objetivo disponibilizar dados sobre diferentes temáticas da vida social, com os recortes simultâneos de sexo e cor/raça, com indicadores da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE apresenta análises como Se examinarmos a escolaridade das pessoas adultas, salta aos olhos também o diferencial de cor/raça. Apesar dos avanços nos...

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    A performance "Mil Litros de Preto II - O largo transborda" alertou para a chacina de jovens negros, em São Paulo (Foto: André Velozo/Divulgação)

    Sair do isolamento para atirar… quem é o alvo?

    Ignorando mais uma vez o isolamento social, Jair Bolsonaro praticou tiro ao alvo e mostrou seu excelente desempenho em um vídeo postado no Facebook na semana passada. "De dez tiros, o pior foi 8, tá bom, né?", pergunta o presidente da República, rindo. Em meio a mais de 105 mil pessoas com Covid-19 e mais de 7 mil mortes, sem contar a subnotificação, pelo menos alguém está comemorando. Já os alvos dos disparos do presidente, como estamos? Essa é minha primeira postagem nesta coluna, até esqueci de me apresentar. Sou filha de um homem morto por traumatismo craniano. Alvo de tiros. Nunca me apresentei assim. Mas, com quinze dias de hospital, meu pai foi mais um homem declarado pardo ao ser contabilizado nas estatísticas de mortes violentas na periferia da zona norte de São Paulo. E eu era mais uma menina que crescia sem pai na Cohab. Já sei como...

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    THE SAVOY BALLROOM

    O Negro e o Jazz nos EUA

    Resumo O tema deste projeto se deu por um interesse sobre a trajetória do desenvolvimento dos Estados Unidos e do papel do negro no país. Tendo como objeto a luta pela igualdade – que inevitavelmente perpassa pela cultura de um país –, pretendo investigar a inserção de um ritmo que antes era tido como “sem valor” e que aos poucos se tornou reconhecido como parte fundamental da cultura estadunidense. ‘Jazz’ é a palavra que demonstra a presença e importância do povo negro desde o início da história dos EUA, povo esse que foi tratado como “irrelevante”, mas que colaborou efetivamente na construção da nação e de sua cultura. A análise fílmica tem por objetivo investigar o racismo sofrido pelos negros e a tentativa de desvinculação do jazz de suas ‘raízes negras’, através do ‘esvaziamento de valor’ do estilo musical quando ainda era maioritariamente um ritmo periférico, e da grande disparidade...

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    (Foto: Marta Azevedo)

    O significado do ‘nós por nós’

    Quando a História deste terrível 2020 for contada, o movimento social terá capítulo de honra. Criminalizadas, desprezadas, desqualificadas, apartadas do debate oficial sobre políticas públicas, foram as organizações da sociedade civil que, desde a primeira hora do primeiro dia da crise, emergiram em diagnóstico, formulação, mobilização e distribuição de ajuda a pessoas, famílias e territórios lançados subitamente na vulnerabilidade. ONGs estruturadas e grupos recém-formados exibem musculatura tão surpreendente quanto bem-vinda em ações, quase sempre sem colaboração do poder público, para reduzir os danos de uma crise que espalha doença, mortes, desemprego e miséria. É a materialização do “nós por nós”, lema de um povo que, historicamente excluído, sempre contou consigo mesmo. Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS), em março, atrelou o combate ao coronavírus a hábitos rigorosos de higiene, via água corrente, sabão e álcool gel, midiativistas de favelas e periferias começaram a filmar torneiras secas Brasil afora para...

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    Editora Rocco/Vashti Harrison

    Representatividade importa: educação antirracista e literatura infantil

    Nasci em 1980. Cresci vendo “Xou da Xuxa” e desenhos protagonizados por personagens brancos. Eu também era uma criança que gostava de ler. Nos meus livrinhos, havia príncipes e princesas. Todos loiros de olhos azuis. Alguns eram diferentes, tinham os olhos verdes, como a apresentadora Angélica. Quando eu desenhava, as personagens eram brancas. As minhas bonecas também eram majoritariamente brancas. Com exceção das bonecas de pano que minha mãe fazia para mim. Essas tinham cabelos escuros e cacheados. Por não ter tido muitos livros protagonizados por personagens negros na minha infância, sou uma adulta que consome literatura infantil. Eu compro todos os lançamentos interessantes, livros escritos por autoras e autores negros como Bell Hooks, Toni Morrison, Maya Angelou, Lázaro Ramos, dentre outros. Dos meus livros infantis favoritos, indico dois lançamentos. O primeiro é Sulwe, escrito pela premiada atriz queniana Lupita Nyong’o, ilustrado por Vaschti Harrison e publicado no Brasil pela...

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    Babu Santana BBB20 (Reprodução/TVGlobo)

    As convicções de Babu Santana

    Não, esse não é um texto sobre a atual edição do Big Brother Brasil. Não iremos fazer uma análise moral sobre os participantes do programa ou suas torcidas. Aqui queremos tratar de um tema presente no programa a partir de apontamentos e fala de um dos jogadores. Alexandre da Silva Santana, ou somente Babu. De forma simples e direta, Babu, trouxe em diversos momentos o tema racial em seus diversos aspectos. Uma das principais convicções apresentadas por Babu é que o Brasil é um país racista, e que ele é um homem negro inserido nessa realidade. É sobre isto que este texto aborda: raça, racismo, negritude e branquitude no Brasil. A raça como processo histórico Devolver o orgulho pro gueto, e dar outro sentido pra frase “tinha q ser preto” Leandro Oliveira, ou Emicida A noção de raça, como forma de dividir e categorizar seres humanos, surgiu durante a expansão...

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    Imagem: Simon Plestenjak/UOL

    Reflexões sobre o COVID-19 e a Realidade nas Favelas Brasileiras

    Estamos vivendo atualmente uma pandemia causada pelo COVID-19, que tem interferido diretamente no modo de vida da população mundial, somos orientados a adotar as medidas preventivas recomendadas pela OMS, como forma de reduzir o contágio, diante deste cenário precisamos pensar qual é a realidade das comunidades periféricas neste momento de crise. É nítido que sempre existiu uma negligência histórica por parte do Estado nas favelas brasileiras. Serviços públicos básicos não chegam, e isso, se amplifica ainda mais em momentos de crise, como a que estamos vivenciando atualmente. A pandemia causada pelo COVID-19 tem gerado um agravamento de uma crise já existente, em que suas consequências refletem diretamente nas áreas sócias, políticas e econômicas.  Este é o cenário perfeito para proliferação do coronavírus que vem causando muita preocupação nessas comunidades. Fique em casa, evite aglomeração de pessoas, lave bem as mãos com água e sabão, várias vezes ao longo do dia,...

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    A escritora e ativista Ana Paula Lisboa Foto: Ana Branco / Agência O Globo

    Mande notícias

    Existe ainda em mim um lugar reservado para o inacreditável. No fundo eu sei que não deveria me surpreender, mas sigo boquiaberta com a falta de noção da Humanidade. Não é tudo, não me surpreendo, por exemplo, com quem pede intervenção militar ou faz buzinaço em frente a hospital. Essas pessoas eu já conheço e, sinceramente, não esperava nada de muito diferente. Quem me surpreende são as outras, as que pregam o bem, o amor, a democracia, mas não descem de seus pedestais. Eu fico mesmo ainda surpresa que mesmo quem se diz a última bolacha do pacote da desconstrução, em 2020, numa pandemia, ainda chama África de África. Assim, como se fosse um grande bloco preto homogêneo. Ontem, por exemplo, eu estava assistindo à TV brasileira, como vocês sabem, eu vivo em Angola. No jornal da tarde, a âncora chamava ao vivo correspondentes em várias partes do mundo (todos...

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    (Foto: Getty Images)

    Os desafios para os Direitos Humanos em tempos de Pandemia

    A Organização Mundial de Saúde – OMS declarou, em 30 de janeiro de 2020, que o surto do novo coronavírus (COVID-19) constitui uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional – ESPII. A seguir, 11 de março, declarou situação de pandemia da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. De sua parte, o Ministério da Saúde, através da Portaria n° 356/GM/MS, na mesma data regulamentou e operacionalizou o disposto na Lei nº 13.979, de 06 de fevereiro de 2020, que estabelece as medidas para enfrentamento da presente emergência de saúde pública e através da Portaria nº 454/GM/MS, de 20 de março do corrente ano, declarou, em todo o território nacional o estado de transmissão comunitária do novo coronavírus (Covid-19), adotando o isolamento domiciliar para as pessoas sintomáticas, bem como o distanciamento social para as pessoas com mais de sessenta anos, como a melhor e mais eficaz forma de conter a...

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    @TERRICKSNOAH/Nappy.co

    Mulher negra: tu és uma raiz sagrada

    Contáramos estórias de negação. Açoitaram verdades sobre nós. Encobriram nossos traços para não reconhecer a nossa beleza. Demonizaram nossos rostos para não exaltar nosso sagrado. Legados históricos do que eu não sou. Desnudar essa pele não é uma tarefa fácil. Há quem nos ensine sete passos de como recuperar o amor próprio. Mas não consideram que até o amor nos foi retirado. Toda uma subjetivação expropriada, mercantilizada, para esvaziar-nos do que é característico nosso. Nossa ontologia nunca foi (re)conhecida. Pelo contrário, aprisionaram-na em navios de aniquilamento existencial. Impuseram-nos um jeito de não sentir. De resistir a dor. De sobreviver e não viver. De aceitar e não espernear. De ceder e não ser. De fincar e não atravessar. No entanto, esqueceram eles, que nenhum cativeiro, nenhuma senzala, nenhum mocambo, nenhuma periferia – e até mesmo nenhuma prisão – podem deter o esparramar das nossas raízes ancestrais. E é essa raiz em...

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    Andréa Pachá (Foto: Fábio Seixo)

    Direito à memória

    Eunice Farah, 77 anos, era uma foliã apaixonada e pulou o último carnaval no Clube Ipiranga com filhos e netos. Erika Regina viveu 39 anos e se transformava na melhor amiga de infância de qualquer um, em cinco minutos. Ricardo Maeda, 44, ia ser um pai completo, mas não teve tempo. Fernanda Caiuby, aos 64 anos, pintava na aquarela a imaginação dos seus filhos. Manoel Chaves era o Belo. Tinha 86 anos e assim era conhecido porque lá na Bahia, dizem, era o mais bonito da sua vila. Todos morreram vítimas da Covid-19. Todos foram sepultados sem ritos ou despedidas. O olhar sensível do artista Edson Pavoni, inconformado em ver pessoas transformadas em números, deu voz e alma aos que partiram. Em uma obra coletiva, com participação de voluntários, o memorial virtual “Inumeráveis” ( https://inumeraveis.com.br) entrou no ar na quinta-feira passada. Nas lápides intangíveis, que não param de crescer, nomes...

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    (GETTY IMAGES)

    Racismo estrutural: a banalização da expressão nas redes sociais

    A ideia de liberdade é inspiradora. Mas o que isso significa? Se você é livre em um sentido político, mas não tem comida, o que é isso? A liberdade de morrer de fome?                                                                               − Angela Davis Os debates nas redes sociais sobre política, esportes, músicas, reality shows, entre outros assuntos, têm sido bastante calorosos e um campo abundante para o envolvimento das questões raciais. Em partes é muito interessante, já que nos deparamos com inúmeros pontos de vista que podem ajudar a formar nossas próprias opiniões.  Nesses últimos tempos, o racismo tem ganhado maior dimensão, escancarando a influência no modo de vida social. Por exemplo, a visibilidade das ocorrências de manifestações racistas nos estádios de futebol. Na música e no cinema observamos artistas negros sendo objetificados e hipersexualizados. Em programas de TV, estigmas e estereótipos continuam nos atingindo. Nos espaços de poder, a ausência de pessoas negras segue demonstrando a...

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    Fabiano Mestre Foto: Fabiana Ribeiro/Campinas

    Narrativas evaristianas: Ponciá Vicêncio em tempos difíceis

    Não devemos alimentar um olhar passivo, resignante, diante da situação crítica e aterrorizante que estamos vivendo, ao mesmo tempo em que corpos são sepultados, sistematicamente, em várias cidades brasileiras, em virtude da epidêmica infecção ocorrida em nosso país. Sabemos que o alcance da infecção causada pelo novo coronavírus terá sua maior incidência nas localidades densamente ocupadas, de extrema pobreza, em que há residências de poucos cômodos e muitos moradores, favorecendo assim, o crescimento exponencial da epidemia. Não podemos negar os fatos e dados dos institutos de pesquisas, que demonstram existirem famílias, nas quais, cinco ou mais pessoas dormem no mesmo cômodo. Intermitentemente, na densa noite escura, há gemidos e gritos, que se fragmentam em esperançar, não obstante ao sofrimento sufocante, pelo ar que não chega aos pulmões. Para algumas pessoas, sobretudo as mulheres, golpeadas pelo dilacerante infortúnio da dura vida, mulheres trabalhadoras, mulheres pobres, mulheres negras, mulheres... o amanhecer se descortina em...

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    Empregada Doméstica

    Uma reflexão sobre empregadas domésticas na pandemia

    A medida mais eficaz contra o Covid-19 é ficar em casa, o que parece simples para alguns, mas, para outros, não. Profissionais como atendentes de caixa de supermercado, balconistas de farmácia, garis, médicos, enfermeiros entre outros continuam trabalhando normalmente durante a pandemia, por uma razão compreensível: atuam em setores essenciais de atendimento às necessidades básicas da população, como alimentação, saúde etc. Entretanto, venho chamar a atenção sobre um grupo de profissionais que não atua em áreas prioritárias neste momento e, que, portanto, deveriam ser liberados/as para ficarem em suas casas cuidando e sendo cuidados. Estou falando das empregadas domésticas, que, em sua maioria, são mulheres negras e periféricas. Vocês pararam para pensar por que essas mulheres não foram liberadas? Se, principalmente as elites, que usufruem dos serviços das empregadas domésticas, estão em suas casas e nem sempre trabalhando de home office, e mesmo que estivessem, acredito que seriam perfeitamente capazes...

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    Reprodução/Rede Globo

    Afinal, o que aprendemos com o BBB20?

    O Big Brother Brasil, em uma edição chamada por muitos de histórica, chegou ao fim. E a pergunta que fica é: o que foi possível aprender com o entretenimento mais assistido durante a quarentena? Alguns podem pensar que se trata apenas de um Reality Show para distrair os que já estão distraídos na vida, outros uma oportunidade para refletir sobre temas sociais pautados pelas falas dos participantes, como desigualdade social, machismo, relações abusivas, racismo, entre outros.  Antes, vale lembrar aqui que o programa chegou à sua 20º edição, ou seja, são 20 anos em que o Reality torna a vida de anônimos entretenimento para milhares de brasileiros. E diria também, uma “máquina de fazer celebridades”, os quais, por meio de suas histórias, acabam fomentando debates e/ou polêmicas. Essa edição, por ser a 20ª, contou com 20 Brothers, dez homens e dez mulheres - muito equilibrado do ponto de vista cis-,...

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    Consumidor abre torneira vazia — Foto: Martin Bernetti / AFP

    O vírus chegou mas a água do morro ainda NÃO

    Os desafios que as comunidades periféricas vêm passando nos últimos tempos ressalta as desigualdades sociais e econômicas de forma nítida. Falar do COVID 19 nas periferias tem sido um desafio que os coletivos e as organizações sem fins lucrativos resolveram encarar. Uma vez que pensar no povo e no vírus é pensar em combater a fome, e rápido, pois a fome não espera a burocracia do poder público.   O número de pessoas contagiadas pelo vírus no Território do Bem só cresce. O Território do Bem se localiza em nove bairros em vulnerabilidade social e economia da capital do Espírito Santo. Os ativistas sociais preocupados com mais de 31,5 mil habitantes buscam, todos os dias, um território humanizado e alimentado. As dificuldades apresentadas por moradores/as das periferias se perpetuam em todas as comunidades periféricas do Brasil, é sempre o mesmo relato: “não temos água, não tenho alimentação, o gel é caro,...

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    arquivo pessoal

    Morre-se em casa por Covid-19

    “No dia seguinte ninguém morreu.” É assim que começa o livro de José Saramago sobre um país onde a Morte, em pessoa, decide parar de matar. Intitulada “Intermitências da Morte”, a obra joga luz sobre a engrenagem social da morte —médicos, funerárias, cemitérios, igrejas, jornais. Se ali se parou de morrer, aqui se principia a morrer silenciosamente. Em casa, por Covid-19. Enquanto ministros de Estado se enfileiram atrás de um projeto político já defunto e os cavaleiros do apocalipse político desviam nossa atenção da pandemia, a morte não para. E é ela que deveríamos focar neste momento. Reportagem em O Globo deste domingo (26), de autoria de Yan Boechat e Gustavo Basso, sugere o tamanho da tragédia silenciosa. Em São Paulo, o número de mortes em casa dobrou durante a pandemia de Covid-19. Histórias se repetem. Pacientes com sintomas leves procuram serviço de saúde, voltam para casa, e subitamente pioram,...

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    Naiá Braga / TV Bahia

    Um risco a frente: a banalidade das mortes

    Março foi um mês atípico. Abril tem demonstrado que a normalidade dos dias é um sonho ainda distante. Os gráficos com mortos e contaminados tem postergado qualquer fio de esperança. Novos cotidianos são instaurados: checagens térmicas, lojas fechadas, isolamentos, saudades. Também novos debates: negacionistas usam das mais cínicas das máscaras para nos dizer das desigualdades e dos limites de alguns para manterem o isolamento. Reivindicam o retorno da economia como se tal medida expressasse apenas a preocupação em atender o alto número de trabalhadores do Brasil que atuam na informalidade nos últimos anos. Apesar de falaciosas, as preocupações negacionistas chamam a atenção para cenários reais: as pessoas ainda estão nas ruas. Noticiários mostraram primeiro a exposição de grupos mais empobrecidos nas filas para recebimento de doações de cestas básicas em Salvador. Mais tarde, no Rio, sujeitos desconhecedores de smartphones e ainda não integrados à moderna sociedade da informação se aglomeraram...

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    Imagem: Geledés

    Quarentena com outros olhos: maternidade, autocuidado, resgate da ancestralidade e o valor do tempo

    Começo este texto como comecei esta reflexão: olhando para a pia do meu banheiro. Caso queira, pode ir lá olhar a sua pia também, ou qualquer outro lugarzinho onde você coloque suas coisas de uso pessoal para higiene e autocuidado. Na minha pia, dentre outros itens que considero básicos como escovas, fio dental e pasta de dentes, tem uma caixinha de medicamentos: colírio, soro fisiológico, antialérgico, polivitamínico, vitamina C, vitamina D, antigases, homeopatias, própolis. Necessidade de hidratar os olhos por passar tempo demais em frente a telas de celular, computador e TV, hidratar as narinas por culpa da poluição cotidiana, o que também motiva o uso regular do antialérgico, que deveria ser item de emergência. Vitaminas em cápsulas para repor o que perdemos com uma comida e um sono de baixa qualidade. Antigases e homeopatias pelo estresse. Própolis para aumentar a imunidade reduzida com dias de angústia. Você pode não...

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    Miguel Paiva (Foto: Ederson Casartelli)

    Pobreza também é comorbidade

    O que vai mudar daqui pra frente? Até voltarmos a uma vida normal, que de normal não terá mais muita coisa a que estávamos habituados, vamos ter que criar justamente novos hábitos. O primeiro será talvez o de abrir a cabeça. Teremos que admitir que a pandemia existe, é tremenda e nos ameaça a própria vida. Essa seria a primeira mudança. Pode parecer óbvia mas muita gente não leva isso a sério. Vemos todos os dias nas praias, nos parques, nas ruas de comércio, no transporte público e no nosso convívio diário. Os governos fingem que concordam com o isolamento mas fazem pouco para fiscalizá-lo. É a mesma teoria social do uso do capacete, do cinto de segurança e da camisinha. Existem mas não é preciso usar. A máscara de proteção se tornará o mais importante objeto de uso pessoal. Se todos usarem, o que é quase impossível, eliminaremos boa...

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