Refugiados ensinam idiomas por meio de experiências culturais em SP

O congolês Alphonse dará aulas de francês e inglês (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)’Abraço cultural’ terá aulas de francês, inglês, árabe e espanhol.

Culinária, danças, música e literatura estão na grade do curso.

por Paula Paiva Paulo no G1

Aprender outros idiomas, quebrar preconceitos e conhecer outras culturas, como o “fufu”, comida típica do Congo, ou a rumba e o zook, tradicionais danças africanas. Essa é a proposta do curso “Abraço Cultural”, que tem refugiados de diversos países como professores em São Paulo. O curso é promovido pelas ONGs Atados e Adus, e, exceto os professores, todos são voluntários.

O Brasil tem atualmente 7.946 refugiados, segundo o Comitê Nacional para Refugiados (Conare), vinculado ao Ministério da Justiça. Destes, a maior parte são sírios (1.894), colombianos (1.300), angolanos (1.072), congoleses – da República Democrática do Congo (829) – e libaneses (394). A palavra “refugiado” desperta preconceito, acredita um dos organizadores do curso, Daniel Morais, e a ideia é quebrar isso, além de gerar renda para os refugiados.

O congolês Alphonse Nyembo, de 28 anos, é um dos professores. Há três anos, ele deixou os pais e oito irmãos em seu país para tentar uma vida melhor no Brasil, porque lá havia “muitas guerras”.  Ele fala quatro línguas: francês, inglês, suaíli e lingala, estes dois últimos, falados no Congo.

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Wessam Alkourdi veio da Síria há oito meses (Foto: Llana Goldsmid/Divulgação)

Alphonse ensinará inglês e francês no “Abraço Cultural”. “Estou feliz com o curso, é uma ideia muito boa, uma ideia de se aproximar dos brasileiros, quebrar essas barreiras de preconceito”, disse. Paralelo às aulas, ele cursa engenharia mecatrônica. “Eu entendi que para me dar bem aqui [no Brasil] eu tenho que fazer faculdade”.

Ele pretende continuar no Brasil, mas disse que a permanência vai depender do seu desempenho na carreira aqui. “Tem que trabalhar muito, estudar, ser muito competente, porque se é difícil para os próprios brasileiros, imagina para estrangeiros. Tem que se dedicar mesmo”.

Outro professor do curso, Wessam Alkourdi, de 33 anos, veio da Síria há oito meses. Ele contou que tinha uma vida normal antes da guerra, e que seu país era visitado por todo o povo árabe para conhecer sobre a cultura e a civilização da Síria. Seu plano é trazer um irmão e duas irmãs para o Brasil em breve.

Wessam irá ensinar inglês e árabe. Ele contou que não sofreu nenhum tipo de preconceito pela sua condição. “O povo brasileiro é muito agradável e nos ajuda muito”. Sua principal dificuldade, por enquanto, é o idioma português, que ainda não aprendeu a falar.

O curso terá seu piloto em julho, com aulas de inglês, francês, árabe e espanhol nos níveis básico, intermediário e avançado. Serão três aulas por semana, de 19h30 às 22h, na Bibliaspa, ONG parceira do projeto. Dois dias serão para os idiomas, e um será voltado apenas para as experiências culturais, como culinária, dança, música e literatura típicas. Uma equipe pedagógica formada por voluntários está trabalhando na capacitação dos professores.

Serviço
Abraço Cultural – Curso de Cultura e Idiomas com Professores Refugiados

Curso intensivo de férias – Abraço Cultural
De 06 de julho a 30 de julho
Aulas às segundas, quartas e quintas, 19h30 às 22h
Níveis : básico e intermediário
Idiomas: Inglês, Francês, Árabe e Espanhol
Local: BibliASPA
Endereço: R. Baronesa de Itu, 639 – Santa Cecília

Inscrições
De 19 de maio a 30 de junho
Onde: Atados / Endereço: Rua Capote Valente 701 ou por PagSeguro no site www.abracocultural.com.br
Horários de atendimento no Atados : Seg a Sex das 14h – 17h

Valor: R$ 100 pela inscrição e R$ 300 pelo curso

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