Suicídio de jovens e adolescentes pret@s é 45% maior do que de branc@s. Em Alagoas, o percentual de casos dessa população é de 37,2%.

As desigualdades  econômicas, politicas, embrulhadas pelo grave estigma do racismo, atinge em disparidade a população preta,  deixando-a exposta a uma série de vulnerabilidades sociais. Vejamos:

Por Arísia Barros, da Carta Maior 

 

Geledés

A taxa de desemprego no país atinge mais a população negra 28% (pret@sa e pard@s);

O rendimento mensal médio da população negra (pardos de R$ 2.467 e pret@s é de R$ 1.746) bem inferior ao de pessoas brancas , que é de R$ 5.416. A taxa de analfabetismo ( segundo o IBGE) entre pret@s e pard@s em 2017  foi 9,9%, enquanto a de brancos foi menos que a metade (4,2). 76,2%  das pessoas assassinadas pela polícia no Brasil são pret@s.

Somando a essa contextualização de desigualdades raciais, o  Ministério da Saúde (MS) afirma que a  cada dez jovens de 10 a 29 anos que cometem suicídio, seis são pret@s.

Os dados estão na cartilha Óbitos por Suicídio entre Adolescentes e Jovens Negros, lançada pelo MS, mostra que entre 2012 e 2016 o número de casos com pessoas brancas permaneceu estável, enquanto o das negras aumentou 12%.

O professor, psicólogo e autor do livro “Vida, Adoecimento e Suicídio”, Paulo Navasconi diz  que os dados são muitas vezes subnotificados e que alguns estudos estimam o triplo das quantidades divulgadas.

O livro “Vida, Adoecimento e Suicídio”, que aborda a negligência da literatura científica quanto à interseccionalidade dos marcadores de raça, classe e gênero, e os efeitos político-científicos desse silenciamento.

Diante de um quadro tão perverso,  como jovens pretos,  massacrados pelo racismo estrutural , sem os fatores de proteção sociais , assolados por estigmas  que os segregam,  podem enfrentar  tantos eventos, socialmente, negativos, sem adoecimento mental?

E os dados tão alarmantes mostram  a importância da criação e estruturação  de políticas públicas mais eficientes para a população negra.

Segundo,  a psicóloga Mônica Gonçalves, que estuda relações raciais e atua no campo de pesquisa da Saúde Pública: “o racismo é uma condição social que unifica todos os negros e, por isso é muito importante a implementação  da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra,(2009) , que  visa garantir a equidade e a efetivação do direito à saúde de negras e negros.”Entretanto, não existe interesse político do estado brasileiro em efetivar a política Somente 57 municípios brasileiros, dentre os mais de 5 mil existentes no país, a colocaram em prática, e no estado das Alagoas dos Palmares isso não acontece.

É uma política importante, de caráter reparatório que reconhece o racismo institucional. Por ser integral significa que ela deveria ser implementada em todas as esferas das instâncias do SUS, desde a atenção primária até a alta complexidade.”conclui  Gonçalves.

O Ministério da Saúde mostra que em 2016 o risco de um jovem negro cometer suicídio foi de 45%. Pesquisas recentes vêm apontando que o suicídio é uma prática multifatorial, isto é, acontece por questões econômicas, sociais, biológicas e culturais. “Por que não enxergamos a raça como um determinante de saúde? O racismo afirma e reafirma que corpos negros são inferiores, feios e incapazes. É como aquela frase ‘eu me faço a partir do olhar do outro’, de que modo esse outro me olha?”, diz Navasconi.
Em Alagoas , o percentual maior de casos de suicídios é  da população negra.

Precisamos conversar sobre racismo e suicídio, em Alagoas.
Fonte: Com informações da CartaCapital

 

 

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Meninos pretos não vão para o céu – Por: Arísia Barros

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