terça-feira, abril 20, 2021

Tag: Adriano Senkevics

Descolonizando o gênero com Raewyn Connell

“Considero esse encontro essencial para o futuro das Ciências Sociais”; foi com essa fala, pronunciada em inglês com sotaque australiano, que a socióloga Raewyn Connell abriu a palestra “Descolonizando o gênero: teorias de gênero ao sul do globo no século XXI”, realizada na Faculdade de Educação da USP nesta terça-feira, 27 de agosto, e organizado pelo Grupo de Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual (EdGES), do qual faço parte. Adriano Senkevics, Baseada principalmente nos achados de suas pesquisas que culminaram na obra “Southern Theory: The global dynamics of knowledge in social science” (2007), Connell propôs uma revolução na nossa forma de entender, criticar e se apropriar do conhecimento que circula globalmente, sobretudo nas humanidades. Sua fala circulou em torno das teorias de gênero, sua especialidade, mas facilmente transbordava para além. Neste contexto, Connell tem se aproximado do assim chamado “estudos pós-coloniais”, uma tentativa de descolonizar o que ainda em nós é tão colonizado. No ...

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PNE e a “ideologia de gênero”

Mais um motivo apareceu para atrasar a votação do Plano Nacional de Educação (PNE), o qual já deveria estar valendo para o decênio 2011-2020. Um dos projetos de lei mais polêmicos dos últimos anos, o PNE define as metas e as estratégias da educação brasileira para os próximos dez anos, orientando as políticas educacionais em todos os níveis. Primeiramente truncado por conta das disputas em torno dos 10% do PIB (leia aqui), agora é a vez de o gênero entrar nesse balaio de gato. Opositores querem, a todo custo, retirar a assim chamada “ideologia de gênero” dessa lei. por Adriano Senkevics Setores conservadores, mobilizados por políticos fundamentalistas, têm se oposto à votação do PNE em razão de sua menção à “igualdade de gênero”. Nos termos dos obscurantistas, tratar-se-ia de uma “ideologia de gênero”. ( Reprodução/ensaiosdegenero.wordpress.com) A rigor, o PNE fala pouco sobre gênero. Essa pequena palavra – que abriga um poderoso ...

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Meninas e meninos no recreio escolar – Por Adriano Senkevics

O recreio é um espaço privilegiado para se estudar as crianças na escola, por estar mais distante das regras escolares e, portanto, dando mais liberdade para que as interações infantis aflorem. Assim, o recreio acaba sendo também uma oportunidade de se observar como as relações de gênero se constroem no espaço escolar. Por Adriano Senkevics Nessa rede de relações entre meninas e meninos que se expressa no intervalo das aulas, na qual, de modo geral, se faz menos presente os olhares e normas dos adultos, configurações das mais variadas são possíveis. O recreio torna-se palco para construções de masculinidades e feminilidades que fazem jus ao conceito de gênero: relacionais, múltiplas e associadas ao poder. Seguindo essa linha, o estudo de Tânia Cruz e Marília Carvalho (2006) procurou tecer uma etnografia do recreio escolar, descrevendo padrões de interações entre as crianças e o que eles nos diziam sobre as relações de ...

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O Silêncio dos Inocentes – Por Adriano Senkevics

Imortalizado pelo seu emblemático papel, o experiente ator Anthony Hopkins interpreta o psicólogo – e psicopata – Dr. Hannibal Lecter no clássico O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs, EUA, 1991), dirigido por Jonathan Demme. Sendo o filme relativamente antigo, por que discuti-lo atualmente? Seguindo o intuito deste blog, pretendo chamar a atenção para algumas questões de gênero ainda bastante pertinentes que são levantados neste thriller. Além de ser uma excelente obra – não por acaso, abocanhou as cinco principais estatuetas do Oscar – é também uma fonte rica para se discutir o papel e as expectativas sobre as mulheres. Clarice Starling, encenada por Jodie Foster, é uma agente do FBI em treinamento. Compenetrada nos seus deveres, Clarice é incumbida pelo seu chefe Jack Crawford (Scott Glenn) a extrair informações do conhecido e temido Hannibal Lecter, a fim de somar pistas para encontrar o assassino em série que ...

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“É que o povo é ignorante”

“É que o povo é ignorante”: Por Adriano Senkevics

Este texto é um misto de reflexão e desabafo. É porque estou farto de ouvir, no meio em que nasci e vivi desde então – a saber, a classe média paulistana – as acusações de que o povo, às vezes carinhosamente chamado de “povão”, é ignorante. Fala-se da ignorância e por vezes analfabetismo do povo, assim como se fala da tal da sociedade que é hipócrita, manipulável pela mídia, entre outras. O meu incômodo sobre essas afirmações reside, em primeiro lugar, no caráter classista e até elitista que elas carregam. Ué, não somos parte do povo? Também nós, da classe média branca, não somos parte da sociedade? Soa bastante problemático falar da sociedade como se ela estivesse à parte de nós: também somos influenciados pela mídia (em nossas piadas, os padrões de beleza, as informações que obtemos do mundo), na mesma intensidade e com a mesma frequência que o tal do “povo ignorante”. ...

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O Capital, um homem à frente do inimigo sem nome – Por: Adriano Senkevics

Quando o presidente François Hollande, eleito em 2012 pelo Partido Socialista Francês, chegou ao poder, já era conhecida sua afirmação de que "meu inimigo não tem nome, não tem rosto nem partido, nunca apresentará sua candidatura e jamais será eleito; no entanto, esse inimigo governa: esse adversário é o mundo das finanças". Talvez tenha sido este o contexto para que o diretor Costa-Gavras lançasse seu mais novo longa-metragem, O Capital (Le Capital, França, 2013), uma ácida crítica ao mercado financeiro, à especulação e ao capital transnacional. O filme é interessante principalmente por algumas sacadas geniais, pois o enredo, em si, beira o clichê e retoma, em vários aspectos, a trama do clássico Wall Street: Poder e Cobiça (EUA, 1987), no qual Michael Douglas interpreta um arrogante empresário, no coração de Nova York, que detinha grande poderio econômico enquanto colocava em encruzilhadas éticas seu mais promissor funcionário, papel de Charlie Sheen. ...

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Mulheres e feminismo no Brasil: um panorama da ditadura à atualidade – Por Adriano Senkevics

Os movimentos de mulheres vêm desempenhando um papel importante no ainda corrente processo de democratização da América Latina. Sua contribuição se deu tanto na luta contra os regimes militares que vieram ao poder na segunda metade do século passado, quanto no esforço de se institucionalizar, no âmbito do próprio estado, uma agenda política à serviço das demandas de mulheres. Essas histórias, contudo, têm diferentes compassos e, no Brasil, o processo de democratização, aliado ao fortalecimento de movimentos feministas, tem sido marcado principalmente por avanços dos últimos trinta anos para a atualidade. Embora o Brasil tenha conquistado o sufrágio feminino em 1933, fruto principalmente de um lobby de mulheres escolarizadas pertencentes às camadas abastadas junto a políticos simpáticos à causa (MACAULEY, 2006), o movimento feminista brasileiro, ao reflexo do feminismo latino-americano, apenas se consolidou enquanto um movimento de massa em meados da década de 1970, no contexto da luta contra o ...

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