sexta-feira, julho 23, 2021

Tag: Artigos e Reflexão

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Pesadelo Real

De uns dias cá tenho sentido meu corpo inchado. Eu que tenho projeto “tanquinho” a cada estação, imaginei que fossem os efeitos das abdominais que ando fazendo. Mas essa semana a minha barriga adquiriu uma forma arredondada e o teste da farmácia confirmou as minhas suspeitas: grávida! Tem duas semanas que estou brigada com o preto. Dessa vez parecia ser pra valer. Ele é esquentado e eu sou outro furacão. Entre nós dois tudo é muito, desde o amor até a fúria. Mas eu estava mesmo com saudades dele; não apenas o fato de estar sozinha com uma gravidez inesperada. E é uma responsa ser mãe (preta) solo nesse país! Para além disso, eu estava com saudades do seu sorriso e do seu cheiro, ai aquele cafuné que não tem igual! Queria muito beber o seu café que é nem forte e nem fraco demais, com uma pitada de canela: ...

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Rita de Cássia em um dos encontros que ela organiza para falar com as mulheres sobre a violência contra a mulher e seus direitos
(Foto: Arquivo pessoa)

Sem absorvente e com tabu

“Eu menstruei com 11 anos, só que quando isso aconteceu, eu pensei que estava morrendo, porque eu não sabia o que era exatamente aquilo. Estava no banheiro achando que estava morrendo, e lembro de gritar para minha mãe: ‘Mãe, eu estou morrendo!’, e ela respondeu: ‘Não menina, apenas desceu para você’'' , conta Rita de Cássia. Mulher, mãe solo, indígiena, professora da rede pública e uma simpatia de pessoa. Essas são as características marcantes de uma mulher que desde jovem é atraída por debates e pautas político-sociais, envolvendo os desfavorecidos da sociedade. Rita nasceu e cresceu em São Paulo, formou-se em Pedagogia e, durante muito tempo, lecionou Filosofia, História e Sociologia em instituições do Estado. A professora engravidou logo no início de sua faculdade. Conciliar maternidade e estudo não foi fácil, mas foi um desafio que Rita decidiu encarar de cabeça erguida. “Já cheguei a levar meu filho escondido para ...

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A caridade é branca. A dor é PRETA.

Oi minha querida neta, tudo bem com você¿Sim! Estou bem meu avô, e por aí como anda as coisas¿Bem! Muito bem, estou ligando para saber sobre você, como tem passado o dia de hoje¿ Está melhor que ontem¿Sim, estou sim! Meu corpo está bem melhor, já não sinto as dores que no início pareciam não ter fim… estou indo bem, obrigada. Jogamos conversa fora, falamos da situação da cidade de Franca interior de São Paulo que, desde final de maio decretou lockdow. Todas as lojas fechadas, postos de conveniências, supermercados, bares, tudo... Isso é para conseguir amenizar a situação causada pelo Covid-19 na cidade. Muito saudosista, em nossas conversas, sempre fala do passado com desejo de quero mais, poderia voltar como anteriormente éramos… saudade dos militares na rua, você iria ver minha neta como nada disso estaria acontecendo… e a conversa se estende, sou todinha a ouvidos, estou do outro ...

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Foto: Marta Azevedo

Voltando para casa

Nas semanas iniciais do isolamento social, Sabrina Fidalgo, mulher negra, cineasta premiada dentro e fora do país, demoliu numa live a ideia de que é chegada a hora dos filmes nunca vistos, dos livros jamais lidos, aquele rol de tarefas habitualmente elencadas para quando a aposentadoria chegar. (Num passado remoto, sonhei estudar produção de roteiros durante a licença- maternidade. A carreira jornalística sedimentada nas duas décadas seguintes é evidência da ilusão.) Com sabedoria desconcertante, ela dispensou o retrovisor: “Interessa o agora. O presente vai determinar o que virá. Então, me ocupo de acompanhar o que as pessoas estão fazendo nessa temporada em casa. Quero pensar novas narrativas a partir daí”. Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo  Foto: Marta Azevedo Da casa emerge a profusão de reflexões quarentênicas: famílias recolhidas, assimetrias e mazelas escancaradas. A começar pela própria compreensão sobre a palavra. Casa nem sempre é sinônimo ...

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Os brancos não largam os privilégios

Os negros de todos os lugares já estão fartos da hipocrisia praticada pelos brancos. − Malcolm X Por Ricardo Corrêa,  enviado para o Portal Geledés Não acredito em benevolência das pessoas brancas quando o assunto é racismo. Ninguém que tenha nascido num sistema que lhe oferece inúmeras vantagens quererá perder essa herança. E mesmo sabendo que existem pessoas buscando contribuir na luta antirracista, observamos atitudes que estão internalizadas e naturalizadas. Estas atitudes são resultados da subjetividade e alimentam as estruturas que dão sustentação ao racismo. Esse espaço íntimo das pessoas tem caráter complexo, dado que ao longo de cada vivência é contaminado por informações apresentadas por inúmeras fontes e configuram diferentes subjetividades na formação humana. Nesse sentido, as pessoas brancas por não estarem sujeitas à opressão racial desenvolvem uma visão de mundo totalmente distinta das pessoas negras. Adobe A imprensa televisiva é uma fonte de informação que ...

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Oswaldo de Camargo: elo entre gerações

Questão de circunstância, de acaso, é a explicação que Oswaldo de Camargo dá para o fato de ser visto por muitos autores negros mais jovens do que ele como um elo entre as gerações. E, acrescenta, com sua modéstia habitual, que talvez isso se deva também ao fato de ter sobrevivido em relação a vários de seus companheiros de lida literária, já falecidos: “Muita gente vai antes do tempo. Eu não morri, segui escrevendo, comparecendo e informando, enquanto vários de meus companheiros se transfiguraram em lembrança… Que eu podia fazer?“, explica, sobre esse epíteto, em entrevista concedida a Thiara de Filippo1. Outro estudioso da literatura negra, Luiz Silva, o Cuti, diz que Camargo Por Flávio Carrança, Do Ciclo Contínuo Editorial   (Foto: Avelino Regicida/ Imagem retirada do site Ciclo Contínuo Editorial ) “no contexto estritamente literário, é o mais importante elo de gerações (grifo meu), pois ...

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O direito de Poder chegar e Poder ficar

Colunista da Revista.ag, a ativista e empreendedora social, que também é presidente do Instituto das Pretas, fala sobre as críticas à apresentadora Maju Coutinho Por Priscila Gama, Da Gazeta Maju (Foto: GLOBO/GIULINE BASTOS) Definitivamente existe uma normalização do racismo e do machismo no nosso país. E eu já começo o texto mandando essa real, pra que a gente não perca muito tempo fundamentando o óbvio. Falar mal de preto é uma coisa tão comum que tem gente que nem acha que isso é racismo. Enfim, a gente tá em 2019, num tempo confuso. Um tempo em que a gente enquanto sociedade se esforça pra tentar fazer transformação ou fingir que está tentando, ao passo de um governo que dá lastro pras violências raciais e de gênero, possibilitando que pessoas se sintam no direito de violentar outras sem ao menos sentirem vergonha ou medo de serem punidas. ...

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José Maurício Nunes Garcia Júnior: presença negra na medicina do RJ imperial

Conheça a história do negro formado médico em 1831 e foi patrono da Academia Nacional de Medicina (1836) Por Solange Rocha e Antonio Novaes, Do Brasil de Fato (Foto: Imagem retirada do site Brasil de Fato) Intelectuais [email protected] existiram no período da escravidão no Brasil? Afinal, sempre aprendemos que pessoas negras eram escravizadas, sem ou com baixa capacidade intelectual. Felizmente, estudos produzidos nas universidades têm mostrado muitas histórias de mulheres e homens que conseguiram superar a sua condição de escravizado, tornando-se liberto, vivenciaram uma ascensão social e puderam ocupar algum espaço de destaque na sociedade escravista. Destacamos que a marca do Brasil escravista era a hierarquia, exploração e dominação da maioria da gente negra e poucos conseguiram romper com as barreiras jurídicas e sociais. Entre os que ultrapassaram os limites da escravidão destacamos membros da família Nunes Garcia, em especial José Mauricio Nunes Garcia Júnior (1808-1884) ...

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O papel do Estado na marginalização da população negra

A ordem jurídica é construída de forma escalonada com normas de diferentes camadas ou níveis cuja unidade é produto da conexão causal de dependência entre umas e outras e entre elas e uma norma fundamental. Por Guilherme Roberto Guerra, Do ConJur (Foto: Agência Brasil) A Constituição Federal é a norma fundamental no ordenamento jurídico brasileiro que representa, em sentido material, o escalão mais elevado do direito positivo, o qual regula a produção das normas gerais que, por sua vez, estabelecem a regulamentação jurídica da conduta de uma pessoa ou da coletividade no sentido de proteger o interesse da comunidade na manutenção de um determinado sistema econômico. Acerca do sistema que se pretende construir na República Federativa do Brasil, a Constituição Federal estabeleceu como objetivo fundamental a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, bem como determinou a necessidade de erradicar a pobreza e a marginalização, ...

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Graphic illustration of a crying woman

O estupro legal no país do carnaval

Quando aguardava pelo nascimento de minha primeira filha, um amigo, pai de uma recém-nascida, perguntou: “E aí? É homem ou mulher?”. Respondi que seria uma menina e, de imediato, recebi um tapa nas costas acompanhado de uma profecia em tom jocoso: “Pois é. Vamos pagar por todas as misérias que fizemos com as filhas desses sujeitos por aí!”. Um pouco assustado com a sentença, retruquei dizendo que não me recordava de já ter violentado alguém e que, o pouco que havia “aprontado” na vida, o fizera de comum acordo com as “aprontandas”. Logo, quando chegasse a vez de minha filha namorar, que o fizesse em paz e com a alma leve. Afinal, sexo é bom, e assim deve ser para todos. Sempre que faço esta reflexão, penso na aceitação do papel do macho como violador. É ele, varão, o responsável pelo deflorar da mulher, importando pouco o desejo e a ...

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Ideologia de gênero

Nos dias de hoje, demagogos se apropriaram do preconceito social Por Drauzio Varella, Da Folha de S.Paulo O médico cancerologista Drauzio Varella (Foto: Bruno Santos/Folhapress) Mal começamos a entender a diversidade sexual humana, vozes medievais emergiram das catacumbas para inventar a tal “ideologia de gênero”. Como nunca vi esse termo mencionado em artigos científicos nem nos livros de psicologia ou de qualquer ramo da biologia, fico confuso. Suponho que se refiram a algum conjunto de ideias reunidas por gente imoral, para convencer crianças e adolescentes a adotar comportamentos homossexuais. Será que devo a heterossexualidade à inexistência dessa malfadada ideologia, nos meus tempos escolares? Caso existisse, eu estaria casado com homem? Embora disfarcem, o que esses moralistas de botequim defendem é a repressão do comportamento homossexual que, sei lá por que tormentos psicológicos, lhes causa tamanho horror. Para contextualizar a coluna de hoje, leitor, não falarei de ...

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Mover-se para além da dor

Para sermos livres, devemos escolher além de só sobreviver à adversidade Por Djamila Ribeiro, Da Folha de S.Paulo (Foto: Lucas Lima/UOL) Sempre me fascinou a maneira pela qual muitas feministas negras escreveram de modo a nos inspirar a viver além da dor, de não permitirmos que nossa existência seja somente marcada por violências. Por mais que seja assim, posto que a sociedade é estruturada por racismo, machismo e capitalismo, muitas trazem a importância de encontrarmos nossas próprias definições. A autora bell hooks —assim em minúsculo, a pedido dela—, é uma importante feminista negra americana, dessas que nos fazem refletir nesse sentido. Em um texto, ela questiona o álbum “Lemonade”, de Beyoncé. Segundo a autora, por mais que o disco use narrativas de mulheres negras, ele seria mais um produto que confina essa mulher a um lugar de submissão. Diz hooks: “Para sermos verdadeiramente livres, devemos escolher ...

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Esvaziamento de Conselho da Criança expõe jovens às chibatadas modernas

A tortura sempre esteve presente na cultura brasileira. É uma prática desde quando os portugueses aportaram por aqui. Foi assim com os escravos, com os índios, com os "subversivos". Mas sua permanência e constância se revelam ainda hoje, principalmente contra os corpos negros. É o racismo, que se molda aos tempos, plástico que é. Hoje, há tortura nas favelas, nas viaturas, nos presídios, nas ruas, nos supermercados. Suas vítimas são os "suspeitos", os moradores de rua, os famintos, os dependentes de drogas, os presos, os pobres. É esse o resultado de uma sociedade constituída sobre a escravidão e que não soube trabalhar, até agora, a reparação devida. Por Maria Carolina Trevisan, Do Blog da Maria Carolina Trevisan Registro da tortura a escravos no Brasil. Imagem: Fundaj "No Brasil é a escravidão que define a qualidade, a extensão, e a intensidade da relação física e espiritual dos ...

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A eugenia aqui ao lado

Chamou a minha atenção, no último domingo (18/08), a visão de uma negra vestindo o uniforme da seleção feminina de vôlei da Argentina, numa partida amistosa contra a seleção do Brasil. O ocorrido me levou a uma breve imersão na história da população negra naquele país e a uma também rápida reflexão sobre a relação desses dois países com os negros sequestrados no continente africano. Por Wellington Oliveira, Enviado para o Portal Geledés  (Foto: Thaís Coutinho) Em todas as imagens anteriores que acessei da Argentina, seja através do esporte, do cinema, da política ou de qualquer outra fonte, não me ocorreu a presença de negros em nenhuma delas. A visão da equatoriana com cidadania argentina, Erika Mercado, em meio àquelas outras atletas, todas brancas, me deslocou de um confortável lapso. Sabia, até aqui, da história da Argentina, apenas a distinção da colonização espanhola ao invés de ...

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As trapaças do gozo individual

Num texto que viralizou, Lira Neto propõe desfrute como forma de lutar contra a maré obscurantista. Descontrair não serve como saída política. Nesse caso, reduz-se a individualização e fuga. Lutar pelo comum é criá-lo, no prazer da luta coletiva Por Veridiana Zurita, Do OutrasPalavras Credit: CC0 Public Domain Na aceleração frenética que movimenta as redes sociais, onde recebemos mensagens instantâneas, postamos, compartilhamos, retweetamos, “likamos” ou selecionamos emoticons que resumem as nossas reativas emoções, recebi diversas vezes posts que replicavam uma mesma receita para suposta superação ao obscurantismo bolsonarista. No geral, tais posts, ecoam aquela lógica de autoajuda que para todo e qualquer sofrimento há um cardápio positivo de superação. Mas a que mais me impactou, já com 8.997 retweets e 26.674 likes, foi um tweet do jornalista e escritor Lira Neto que dizia: “Leitor pergunta como seguir saudável nesta maré de obscurantismo. Sugiro a sabotagem: ler ...

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30 anos de “Faça a Coisa Certa”: o que aprendi ao estar frente a frente com Spike Lee

A América fast food trás uma geração de artistas, ativistas e políticos negros mais preocupada com o “racismo que entra pela boca” e cada vez menos interessada pela indústria da comida rápida. A juventude negra deseja viver bem sem deixar de denunciar as injustiças através da arte. Por Kenia Maria, Da Vogue Spike Lee em “Faça a coisa certa”, lançado em 30 de junho de 1989: divisor de águas (Foto: Agência O Globo) Quantas Américas existem nos Estados Unidos? Os filmes do Spike Lee me fizeram preferir o Brooklyn. Manhattan e as luzes da Time Square pouco me atraem, estou a procura da África que veio pra cá. A presença de Notourius Big, nos muros e comércios, as inúmeras homenagens aos poetas, artistas e ativistas estão vivas em cada cantinho daquele lugar. Localizado no coração do Brooklyn, Fort Greene é um dos parques mais lindos de lá. ...

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As universidades públicas e a bizarra segregação brasileira

Depois da declaração do ministro da educação, anunciando que cortaria 30% das verbas de universidades escolhidas por razões ideológicas, um corte letal foi estendido a todo o sistema federal, incluindo ensino básico e superior. Muitas respostas já mostraram, de forma justa e embasada, que as universidades federais fazem pesquisa ou que o Brasil não gasta tanto em educação superior, em comparação com países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Por Tatiana Roque, Da Cult (Foto: Leo Munhoz/Diário Catarinense) Há mais um argumento a ser lembrado. Nas últimas décadas, a expansão do sistema federal e a política de cotas mudaram radicalmente o perfil social dos alunos das universidades federais. Em um país desigual como o Brasil, isso é estratégico. Em 2018, a OCDE divulgou um estudo sobre mobilidade social entre gerações. As conclusões não são nada otimistas, como adivinhamos pelo título “Um elevador social ...

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O racismo e o sofrimento psíquico

O Banzo é o sofrimento psíquico de quem não pertence e não se pertence. Dos despossuídos de voz, estética e inteligência. Não por não as ter, mas por não se lhes permitir ter. Por Marcia Noczynski e Cristiane Alves, Do GGN (Foto: Imagem retirada do site GGN) O racismo e o sofrimento psíquico Falar sobre sua dor, num mundo onde se espera hegemonicamente que se conte sobre seus sucessos e vantagens, é um terreno fértil para a emergência do sofrimento psíquico.  Você já deve ter vivido a experiência de se queixar de algo para alguém, confiando completamente a sua dor àquela pessoa, e obter como resposta, ‘ah, mas isso não é bem assim, você está exagerando, deixe de se vitimizar.’ Quem já sentiu na pele essa desautorização do sofrer, sabe do que estou falando. O sofrimento psíquico, não tem um nome que o defina. E quando ...

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"A verdade é que de dentro da minha bolha branca eu nunca me interessei em ler ou entender qualquer questão relacionada ao negro no Brasil", diz a jornalista Andrea Assef Foto: Arte de Lari Arantes

‘Tem dias em que sinto vergonha da minha cor’

Nós brancos precisamos desconstruir o racismo institucional que nos cerca e entender que ele é um problema social atual, não somente uma herança histórica cometida por nossos ancestrais Por Andrea Assef, do O Globo  "A verdade é que de dentro da minha bolha branca eu nunca me interessei em ler ou entender qualquer questão relacionada ao negro no Brasil", diz a jornalista Andrea Assef Foto: Arte de Lari Arantes Tem dias em que eu sinto vergonha da minha cor. Geralmente, isso acontece nas noites de quinta, quando saio da minha aula no Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo (CEA-USP), depois de ouvir professores como o antropólogo Kabengele Munanga, um dos maiores especialistas na questão racial no Brasil e figura fundamental no debate nacional em defesa da implantação das cotas e ações afirmativas. Com ele, aprendi que o racismo brasileiro é o crime perfeito: ...

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Para ir muito além da crítica ao “identitarismo”

Uma intervenção radical sobre as formas tradicionais de observar negritude e branquitude procura subverter o olhar branco hegemônio e suas objetificações Por Rosane Borges, Do OutrasPalavras (Imagem retirada do site OutrasPalavras) MAIS: Este texto é o prefácio da edição brasileira de: Olhares Negros — raça e representação Bell Hooks — Editora Elefante — R$ 49,90 Lançamento: 12/3, terça-feira, às 19h Tapera Taperá — Av. São Luís, 187, 2º andar — São Paulo Debate com Rosane Borges, Mariléa de Almeida, Natália Neris | Mediação: Camilla Dias Costuma-se afirmar que cada tempo possui configurações e desafios políticos específicos. O século XIX, pedaço da história em que o homem ocidental se afirma como sujeito que conhece e pensa por meio das representações do mundo, colhe os frutos da revolução tecnocientífica: foi uma época de crença entusiasmada na noção de progresso e na filosofia da consciência. Um tempo em que certa concepção de humanismo ...

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