terça-feira, maio 18, 2021

Tag: genocídio da juventude negra

O adolescente João Pedro, morto após ser baleado em ação policial Foto: Reprodução/ redes sociais

Caso João Pedro: Quando o Estado mata nossos filhos a Justiça não acontece, diz mãe do adolescente morto em operação policial

Já faz um ano desde que a professora de educação infantil Rafaela Coutinho Matos viveu os piores dias de sua vida. João Pedro, seu filho de 14 anos de idade, foi morto com uma bala de fuzil durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, enquanto brincava com amigos na casa dos tios. O crime ocorreu no mesmo mês do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, cujo vídeo do policial branco com os joelhos sobre o pescoço do homem negro gerou protestos em todo o mundo. No Brasil, a comoção em torno do assassinato de João Pedro foi tão grande que, no mês seguinte ao crime, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu em decisão liminar (provisória) a realização de operações policiais em comunidades do Rio durante a pandemia do novo coronavírus, exceto em "hipóteses absolutamente excepcionais", com anuência do Ministério Público. As ...

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(Foto: Geledés)

Adolescente negra de 15 anos é morta a tiros por policiais em Ohio, nos EUA

Uma adolescente negra de 15 anos foi morta a tiros pela polícia em Columbus, Ohio, na tarde desta terça-feira, 20, disseram as autoridades, pouco antes do júri responsável pelo julgamento do ex-policial Derek Chauvin condená-lo pelo assassinato de George Floyd no ano passado. A morte da menina, identificada por familiares como Makiyah Bryant, ganhou rapidamente as redes sociais e desencadeou protestos na capital de Ohio. A Divisão de Polícia de Columbus não forneceu detalhes sobre o incidente, que foi confirmado no Twitter pelo prefeito da cidade, Andrew Ginther. O prefeito afirmou que há imagens feitas pelas câmeras de corpo da polícia e pediu aos moradores que mantivessem a paz. Ativistas do 'Black Lives Matter' marcham contra o parlamento de Ohio após a morte da adolescente Makiyah Bryant. (Foto: Stephen Zenner/Getty Images/AFP) "Esta tarde, uma jovem perdeu a vida tragicamente", disse Ginther. "Não conhecemos todos os detalhes. ...

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Foto: @pixabay/ Nappy

E as nossas crianças negrxs da periferia?

Atualmente, nos últimos dias, viemos acompanhando no noticiário, em diversas mídias, o caso da criança Henry Borel, de 4 anos, que sofreu uma morte violenta por meio de tortura e consequentemente homicídio cometido pelo médico e vereador Jairinho, apontado como principal suspeito do assassinato. Sobre o principal acusado do crime temos a sua formação de médico que diante do seu juramento em que consagra a sua vida pela saúde e bem-estar dos pacientes, como pode aquele que deve cuidar do outro com zelo com o objetivo de curar as dores sendo ele, o médico, o próprio causador da dor? As faculdades de medicina aprofudam os seus conhecimentos nos Direitos Humanos? Jairinho, um homem branco formado em medicina, construiu sua campanha para vereador com base nos preceitos de familia, contra a ideologia de gênero e a favor da escola sem partido apoiado pelo então presidente genocida da República. Até quando iremos ...

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Manifestantes protestam em Minneapolis, no estado americano de Minnesota, contra a morte do cidadão negro Daunte Wright em 11 de abril — Foto: Nick Pfosi/Reuters

Manifestantes entram em confronto com a polícia nos EUA após morte de jovem negro

Manifestantes entraram em confronto com a polícia neste domingo (11) em Brooklyn Center, cidade próxima a Mineápolis, após um policial matar um homem negro durante uma abordagem. A morte de Daunte Wright, de 20 anos, ocorreu a cerca de 15 km de onde George Floyd foi morto, em maio do ano passado, também durante uma ação policial nos Estados Unidos (veja mais abaixo). A polícia do Brooklyn Center disse que os policiais pararam um homem devido a uma infração de trânsito, pouco antes das 14h, e descobriram que ele tinha um mandado de prisão em aberto. Enquanto a polícia tentava prendê-lo, ele entrou no veículo e um policial atirou, segundo a corporação. O motorista ainda dirigiu por vários quarteirões antes de atingir outro veículo e morrer no local. A versão da família é diferente. A namorada de Daunte diz que ele levou um tiro antes de voltar para o carro. ...

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Jhordan Natividade foi encontrado morto a 8 quilômetros de onde ele e Edson foram abordados por PMs (Foto: Reprodução)

Jovem morto após abordagem de PMs na Baixada foi executado com tiro no rosto

Uma análise preliminar feita pela Polícia Civil no local do crime constatou que um dos jovens mortos após uma abordagem policial em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, foi encontrado com duas perfurações na cabeça, mas que aparentam ser entrada e saída do mesmo disparo de arma de fogo. Jhordan Luiz de Oliveira Natividade, de 17 anos, tinha orifícios na sobrancelha e na nuca. Segundo Informação de investigação preliminar feita pela Delegacia de Homicídios (DH) da Baixada Fluminense, à qual O GLOBO teve acesso, a suspeita dos investigadores é de que o disparo tenha entrado pela parte da frente da cabeça e saído pela de trás. O documento aponta ainda que Edson de Souza Arguinez, de 20 anos, tinha três perfurações causadas por tiros, uma nas costas e duas na barriga. Nos casos de homicídio, peritos criminais comparecem ao local do fato ou do encontro dos cadáveres e fazem análises preliminares, ...

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Arquivo Pessoal

Choremos pelas crianças que vão morrer a tiros de fuzil como Emily e Rebeca

É como se tudo estivesse previsto em um roteiro que todos temos que seguir. Primeiro a tragédia: as primas Emily, de 4 anos, e Rebeca, de 7 anos, são assassinadas em uma comunidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a tiros de fuzil. A partir desse flagelo, já sabemos tudo o que vai acontecer - e tudo o que não vai acontecer. O crime ocorreu na noite de sexta-feira. Lídia Santos, avó de Rebeca, conta que voltava do trabalho e iria ao encontro das meninas, que a esperavam na calçada para cumprir a promessa de comprar um lanche. Assim que desceu do ônibus, Lídia viu um carro da Polícia Militar. Em seguida, foram feitos os disparos. A avó e outras testemunhas acusam os PMs de terem atirado. Em nota, a corporação nega que os policiais tenham apertado o gatilho. Um projétil atingiu Rebeca na cabeça. Outro tiro acertou o ...

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(Foto: Geledés)

Duas meninas, de 4 e 7 anos, morrem em tiroteio em Duque de Caxias

Duas crianças, de 4 e 7 anos, morreram após serem baleadas em um tiroteio em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na noite desta sexta-feira (4). O crime aconteceu na comunidade Santo Antônio. De acordo com moradores, as duas meninas, que são primas, estavam brincando na porta de casa. Emilly Victoria, de 4 anos, foi baleada na cabeça. Segundo familiares, ela completaria 5 anos ainda este mês. Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, de 7 anos, levou um tiro no abdômen. A avó das meninas contou que estava chegando do trabalho. As meninas a esperavam na calçada para comprar um lanche, quando passou um carro da polícia, por volta das 20h. Os familiares disseram que não sabiam se havia algum tipo de perseguição, mas só viram a polícia atirando. A Polícia Militar afirma que uma equipe do 15º Batalhão (Duque de Caxias) estava fazendo um patrulhamento na Rua Lauro Sodré, na ...

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Agatha Félix, de 8 anos, morava no Complexo do Alemão (Foto: Reprodução das redes sociais)

PM réu por morte da menina Ágatha Felix está com Covid e audiência é adiada para 2021

O policial militar Rodrigo José de Matos Soares, acusado de matar a menina Ágatha Vitória Sales Felix, de 8 anos, foi diagnosticado com Covid-19 e, por isso, a pedido da defesa dele, a primeira audiência sobre o caso – que ocorreria nesta quinta-feira (26) – foi adiada para abril de 2021. É a segunda vez que a sessão na 1ª Vara Criminal é prorrogada. Em junho, foi determinada a remarcação da audiência por conta da pandemia. Ágatha Felix foi morta no Complexo de favelas do Alemão, Zona Norte, na noite de 20 de setembro de 2019. A menina estava dentro de uma kombi com a mãe quando foi baleada nas costas. Dois meses após o crime, a investigação da Secretaria de Polícia Civil concluiu que não havia tiroteio no momento em que a criança foi baleada. Também foi confirmado ao fim do inquérito que a bala que atingiu a menina ...

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Foto: Sérgio Lima/Poder360

Cores da violência

Registrou-se, no ano de 2018, uma mais que bem-vinda queda do vergonhoso número de homicídios no Brasil, repetida com maior vigor no ano passado. O detalhamento dos números, no entanto, revela desigualdades cruéis nessa melhora. Foram assassinados 58 mil brasileiros em 2018, o que correspondeu a uma taxa de 27,8 por 100 mil habitantes. Do total de mortos, nada menos de 75,7% eram negros (pretos e pardos), segundo o recém-divulgado Atlas da Violência 2020, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Uma década antes, em 2008, a participação dos negros no total de vítimas de homicídio se mostrava significativamente menor, 65,5%. Dito de outro modo, a violência fatal aumentou no período para os pretos e pardos, enquanto caía para os demais grupos. Não se pode afirmar que são sempre brancos a matar negros —inexistem dados a respeito dos homicidas. Mas resta evidente a deprimente vulnerabilidade dos segundos ...

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(Foto: Geledés)

Menino de 8 anos é atingido por um tiro na cabeça, em Guapimirim, na Baixada Fluminense

Uma criança de 8 anos foi atingida por tiro na cabeça, na noite de sexta-feira (28), na Rua Vereador Moacyr Pimentel, em Guapimirim, na Baixada Fluminense. De acordo com testemunhas, o menino brincava com outras crianças perto de casa quando um carro passou para rua efetuando vários disparos. O menino atingido foi socorrido por parentes e levado para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De acordo com a Secretaria de Saúde do município, a bala transfixou o crânio da criança, entrando pela testa perto do olho esquerdo e saindo na região da orelha. O menino foi operado e passa bem. Seu quadro de saúde é estável.

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O deputado Orlando Silva (Foto: Luís Macedo/ Câmara dos Deputados)

‘Há um genocídio contra a juventude negra em São Paulo’, diz Orlando Silva 

O pré-candidato do PCdoB à Prefeitura de São Paulo, Orlando Silva, afirmou hoje que lutará contra o racismo institucional caso eleito. Como homem negro, o deputado federal disse que se comoveu com o caso de George Floyd, ocorrido nos Estados Unidos, em que um segurança negro foi asfixiado até a morte por um policial branco, e fez um paralelo com os casos de violência policial contra pessoas negras na capital paulista. Eu me comovi com o George Floyd . Ele falando 20 vezes 'eu não consigo respirar' me comove profundamente. Mas vou te falar uma coisa, todo dia morre um George Floyd na periferia de São Paulo. Ele comparou com o caso de Douglas, jovem de 17 anos que foi morto por um PM em outubro de 2013 na Zona Norte de São Paulo e que teve tempo de perguntar: "Por que o senhor atirou em ...

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Movimentação na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, em abril (Foto: DANIEL CASTELO BRANCO/ESTADÃO CONTEÚDO)

Proibição de ações policiais teria poupado vida de João Pedro

"Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci." Os versos dos MCs Cidinho e Doca ironicamente tornaram-se realidade num contexto de isolamento social e de uma das mais graves crises de saúde do mundo. A decisão cautelar do ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal) de suspender as operações policiais nas favelas do estado do Rio de Janeiro durante a pandemia teve impactos importantes na vida de milhares de brasileiras e brasileiros que vivem nas favelas e periferias do estado do Rio de Janeiro. Uma análise dos primeiros 14 dias dessa medida em vigor (5 a 19 de junho) revelou que houve uma redução de 68,3% das operações realizadas em 2020 em relação à média dos anos anteriores, considerando um período de 12 anos, ou seja, de 2007 a 2019. Os dados são do GENI (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal ...

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Foto: Gabriel Inácio do Santos

O uso da palavra ‘genocídio’ no combate ao racismo estrutural

Este texto foi escrito a quatro mãos. Duas negras, duas brancas. Escolha que se deu para que possamos praticar um dos nossos principais argumentos: de que o racismo, assim como a luta antirracista, não deve mobilizar apenas negros e negras, mas também brancos e brancas. Representatividade é fundamental, mas não é o suficiente. Se entendemos o racismo como um fenômeno estrutural, nos parece coerente remexer a própria estrutura na hora de escrever e pensar sobre ele. Então, vamos aos fatos. O fato de que pessoas negras são vítimas de um genocídio constante não deveria nem ser discutido. O debate, aliás, só revela a resistência que uma sociedade moldada pela discriminação contra corpos de negros tem de se assumir racista. Como não chamar de genocídio uma sucessão de violências que sempre estouram no seio de famílias pretas? Não há refresco. Nem em tempos de pandemia e de uma suposta onda de ...

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Manifestantes carregam cartazes com os nomes de jovens mortos por ações policiais, durante o Ato Vidas Negras Importam, em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

‘Parem de matar nossos filhos’, dizem mães após assassinatos em SP

Em protesto organizado por 15 coletivos da periferia, do movimento negro e frentes populares, manifestantes reivindicaram respostas para a morte de cinco jovens assassinados pela polícia e para a falta de acesso à saúde na zona leste de São Paulo durante a pandemia. O ato batizado de Vidas Pretas Importam aconteceu neste sábado (4), em Cidade Tiradentes. Ele partiu da Praça 65 , na av. dos Metalúrgicos, às 13h e foi até às 17h30, terminando em frente ao Terminal Tiradentes, na capital paulista. Segundo a organização, entre 150 e 200 pessoas participaram do ato, entre eles familiares dos jovens Felipe Santos Miranda, Brayam Ferreira dos Santos e Igor Bernardo dos Santos, assassinados durante a pandemia. A manicure Ana Paula Bernardo dos Santos, 45, mãe de Igor Bernardo, 17, morto em 18 de março, esteve presente. Segundo ela, o filho foi morto com quatro tiros por ter sido confundido com outro ...

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Maria Carolina Trevisan (Foto: André Neves Sampaio)

Quem cala é cúmplice: o que racismo nos EUA e atos anti-STF têm em comum

"Ficar em silêncio, sem interferir, é ser cúmplice", disse o chefe da polícia de Minneapolis (EUA), Medaria Arradondo, ao afirmar que todos os quatro policiais envolvidos no assassinato de George Floyd foram demitidos e deveriam ser julgados e punidos. Floyd, um homem negro, foi morto por um policial branco, Derek Chauvin, diante de outros três oficiais, que nada fizeram nos oito minutos em que durou seu sufocamento. Arradondo deu essa resposta ao vivo a uma emissora de TV, neste domingo (31 de maio), ao ser questionado pelo irmão de Floyd sobre justiça, em uma entrevista comovente, no meio dos protestos contra a violência racial que tomaram os Estados Unidos. O chefe da polícia de Minneapolis é negro. É o primeiro homem negro a alcançar a chefia do departamento de polícia da cidade do estado de Minnesota, que tem longo histórico de violência racial. Arradondo levou 28 anos até conseguir alcançar ...

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Genocídio do povo negro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Audiência na ALERJ debate as violações de Estado em favelas e o genocídio da juventude negra no Rio

Uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) debaterá na próxima quinta-feira, 17 de outubro, das 10h às 14h, a crescente onda de violações dos direito dos moradores das favelas e periferias do Estado e o genocídio da juventude pobre e negra. A audiência "Mães e Mulheres Moradoras de Favelas para debater a Política de Segurança Pública no RJ” reunirá as comissões da Mulher, Direitos Humanos, Discriminação, Educação, Trabalho e Habitação acontece no Plenário Barbosa Lima Sobrinho no Palácio Tiradentes. Além de mães e familiares de vítimas de estado estarão presentes representantes da FAF-Rio (Federação Municipal das Favelas do Rio), FAFERJ (Federação de Favelas do Estado do Rio de Janeiro), presidentes de diversas associações de moradores, integrantes do movimento Parem de Nos Matar e diversos outros movimentos sociais. Juntos exigem que os moradores de favelas tenham os mesmos direitos e liberdades civis constitucionais que os demais moradores ...

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“A lógica racista naturaliza e romantiza a violência sofrida pela população negra”

De uns tempos pra cá me pus a observar um pouco mais as facetas do comportamento humano e chego a conclusão óbvia de que vivemos numa dualidade. O ano era 2012 quando fui apresentada à obra coreográfica de Marcela Levi e Lucía Russo, chamada Natureza Monstruosa. Com micronarrativas, a animalidade humana é exposta na sua forma mais pura e terrível e fala sobre o quanto nosso lado monstruoso nos assombra e é ativado em momentos comuns do cotidiano. Mas até que ponto essa monstruosidade é algo inconsciente? Ou será que damos lugar a ela quando invisibilizamos algo que não é inerente ao interesse pessoal? Pois bem, acho que primeiro vale uma ilustração bem básica, uma comparação que até certo ponto faz sentido. Por exemplo, o comportamento de um cachorro: animal sem racionalidade considerada que é capaz de ver outro da mesma espécie morto, putrificado e não ser impactado por isso. ...

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Foto Marta Azevedo

Com Ágatha foi-se a utopia da inclusão

Morreu o sonho de uma família que acreditou na educação como passaporte da mobilidade social Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo FLÁVIA OLIVEIRA /Foto Marta Azevedo Quando percebi minha mãe morta, oito anos atrás, faltaram-me primeiro as pernas, depois a linguagem. Eu tive de permanecer sentada ou ser amparada, porque a orfandade faz desmoronar os alicerces. Ela também me devolveu ao antigo primário, quando a voz era aguda, o vocabulário restrito e os tempos verbais, uma confusão. Atravessei os primeiros dias de luto com comida quente, de preferência caldos, e muita raiva do amanhecer — eu ficara órfã e o tempo teimava em passar, a vida a correr. No sétimo dia, escrevi. Mas até hoje não sei se me conjugo filha única no presente ou no pretérito: sou ou fui. Foi assim que comecei a observar corpos e palavras dos enlutados — e a sofrer intensamente ...

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Atriz Juliana Alves é uma das participantes do projeto Foto: 342 / Reproducao

Artistas gravam vídeos em que leem cartas de crianças da Maré com relatos de violência

O Movimento 342 lança nesta segunda-feira uma série de vídeos nos quais personalidades leem cartas escritas por crianças da Maré com relatos do cotidiano de violência na comunidade, conforme antecipou jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Ao todo, a atriz Deborah Bloch, o ator Fabio Assunção e outras 13 pessoas participam do projeto. Do Extra  Atriz Juliana Alves é uma das participantes do projeto Foto: 342 / Reprodução/Extra  O lançamento da iniciativa acontece três dias após a menina Ágatha Felix, de 8 anos, ser baleada no Complexo do Alemão. Entre os participantes do projeto está Monica Benício, viúva de Marielle Franco. Realizado pela ONG Redes da Maré em sua fase inicial, o trabalho resultou em 1500 cartas escritas por crianças e moradores da comunidade da Zona Norte do Rio e esteve no centro de uma polêmica em agosto. Naquela ocasião, as cartas foram encaminhadas ao ...

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Geledés

Polícia não chegou à autoria do crime em nenhum dos casos de crianças mortas por balas perdidas este ano

Além do caso de Ágatha, três meninos e uma menina foram baleadas em 2019, mas apenas um inquérito foi concluído Por Vera Araújo, do O Globo Geledés Em nenhuma das investigações das quatro crianças mortas este ano, antes do caso de Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, a Polícia Civil chegou à autoria. Segundo dados da Secretaria de Estado da Polícia Civil, no homicídio mais antigo dos cinco, o da menina Jenifer Cilene Gomes, de 11 anos, morta em fevereiro, a vítima teria sido atingida durante troca de tiros entre "traficantes de facções rivais", numa comunidade no bairro da Triagem. A polícia informou que, "até o momento", não há indícios da participação de policiais. Jenifer estava na porta do bar da família, na Triagem, quando foi atingida por uma bala perdida. Na época, parentes da menina acusaram policiais militares. Em 2012, dois irmãos de Jenifer ...

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