Tag: Nossas Histórias.

Finalização do Aeroporto de Brasília (Inaugurado em 1957). Acervo: Arquivo Público do Distrito Federal. NOV-D-4-4-B-16' (864)

Historiadoras e historiadores negros realizam exposição virtual sobre racismo e trabalho

Sob a curadoria da Rede Historiadorxs Negrxs, Geledés - Instituto da Mulher Negra, em parceria com o Acervo Cultne e com o Google Arts & Culture, a exposição Racismos: lutas negras no trabalho livre é parte do projeto "Nossas Histórias: vidas, lutas e saberes da gente negra". Ela será a quinta sala de um conjunto de exposições on-line que têm tratado da trajetória, experiências e ativismos de homens e mulheres negras. No dia 13 de maio de 1888 foi assinada a Lei Áurea, que decretou a abolição formal da escravidão no Brasil. De forma que, o fim desse regime foi marcado por uma série de disputas em torno dos projetos de emancipação, em um contexto no qual a maior parte da população negra já era livre e liberta. Gente que lidou com  muitos desafios para assegurar a vida em liberdade. Antes e após o fim do escravismo, os percursos desses ...

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Exposição virtual: Racismos – Lutas Negras no Trabalho Livre

Com muita satisfação, anunciamos a abertura da Exposição “Racismos - Lutas Negras no Trabalho Livre” no Google Arts & Culture! Nesse 13 de maio, fazem 133 anos desde a abolição formal da escravidão no Brasil. Na época, muitos homens e mulheres negras já questionavam a precariedade do projeto de liberdade assinado. No século que se seguiu, o que vemos é a constante reatualização dos racismos no mundo do “trabalho livre”. A partir de uma reflexão sobre esse processo, apresentamos nessa exposição fotografias e periódicos da imprensa negra e operária que nos dão notícias da situação dos trabalhadores negros em diferentes centros urbanos. Na Rádio Amefricana, apresentamos diversos documentos históricos, além de canções da sambista Cris Pereira. O material pode ser acessado em português e inglês e é mais um resultado da parceria entre a Rede de HistoriadorXs NegrXs, o Geledés e o Acervo Cultne! Ao longo de todo 2021, muitas ...

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José do Patrocínio Marques Tocantins e a abolição em Goiás

A história de luta das pessoas negras em diáspora revela a constante renovação de estratégias na busca pelo direito fundamental à “liberdade”. Um olhar para a Província de Goiás no século XIX revela a participação de pessoas escravizadas, libertas e livres em variadas ações abolicionistas. Entre as experiências negras durante o oitocentos, nos deparamos com a atuação de José do Patrocinio Marques Tocantins (1844-1889), principalmente na imprensa, onde funda o jornal O Publicador Goyano, especialmente criado para debater a abolição. Antes desse empreendimento, o jornalista foi diretor e redator do Correio Official de Goyaz, ligado aos atos do governo provincial, além de ter atuado como redator, editor e sócio n’A Tribuna Livre e como redator no Goyaz, os dois últimos vinculados à oligarquia Bulhões e às ideias do Partido Liberal. Primeira folha do órgão O Publicador GoyanoFonte: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional Em todo o Império ...

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Amanda Paranaguá Dória, a baronesa “morena” da abolição

Era aniversário da República naquela tarde de 15 de novembro de 1925, quando a senhora Maria Amanda Lustosa da Cunha Paranaguá Dória, baronesa de Loreto, abriu o portão da residência da sua irmã, Maria Argemira, onde morava, em Botafogo, Rio de Janeiro, para o jornalista Mozart Monteiro, que a procurava para saber mais sobre o falecido imperador Pedro II, por ocasião do seu centenário de nascimento. Ter sido amiga íntima da família imperial e dama de companhia da princesa Isabel a tornou uma autoridade largamente conhecida e recomendada no assunto. “Amandinha”, como os íntimos a chamavam, era acostumada a receber muitos interessados sobre os tempos do império e mostrar-lhes as inúmeras fotografias, postais e cartas que colecionava. Sua morada se constituía como um “lugar de memória”, expressão de Pierre Nora, na medida em que privilegiava a recriação de laços entre o tempo presente e o tempo vivido, materializado e perenizado ...

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Quem conta um conto, aumenta um ponto: a trajetória da luxuosa senhora baiana Rita Gomes da Silva

Em meados do século XVIII, uma mulher negra escandalizou a sociedade baiana por sua riqueza, luxo e inteligência. Rita Gomes da Silva, de alcunha Rita Cebola, morou na conhecida Cidade da Bahia, Salvador. Mulher negra, possivelmente escravizada, casou-se duas vezes com homens importantes. Nesse meio tempo conquistou sua liberdade e, quando cabia, esbanjava luxo colonial. No que foi possível reconstruir de sua trajetória, Rita da Silva soube usar os recursos disponíveis a seu favor e de seus pares. Por isso o codinome de “cebola” fazia referência a sua astúcia e versatilidade. Sua fama marcou histórias por séculos. A notável trajetória de Rita continuou sendo lembrada no século XXI, ora como uma mulher negra, vendedora de verduras, conhecida por sua habilidade de negociar espaços de sobrevivência no interior daquela sociedade, ora como um exemplo da importância de mulheres negras baianas ao longo da história.   Ana Bittencourt, membro de família importante de ...

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Ceilândia – Distrito Federal, território negro na contramão de Brasília

Vinte e um de abril de 2021, dia que marca os 61 anos da inauguração de Brasília. Anunciada como meta e síntese do governo de Juscelino Kubistchek, a cidade foi erguida sobre concepções desenvolvimentistas, modernistas e racionalistas. Ao mesmo tempo, as expectativas acerca da cidade moderna mobilizaram populações de todas as regiões do país, de modo que homens e mulheres vislumbraram na construção da capital a possibilidade de uma melhoria na condição de vida.  Como sinalizado por historiadoras e historiadores, o país onde Brasília foi anunciada como capital da esperança fora fundado numa estrutura escravista e racializada, em que as elites não se ocuparam em promover políticas públicas de garantia de cidadania para a população negra no pré e no pós-abolição. Nesse sentido, Brasília não foi um ponto fora da curva, visto que a população negra que para lá se dirigiu enfrentou diversas tentativas de interdição do exercício de uma ...

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Musas Negras: raça, gênero e classe na vida de Gilka da Costa Machado

Em 2018 assistimos ao florescer da maior campanha popular para eleição da primeira mulher negra como imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL): Conceição Evaristo. Porém, os imortais desprezaram quase que completamente tal campanha, pois a premiada e consagrada escritora recebeu apenas um voto. Essa suposta indiferença tem explicação histórica: é um comportamento característico da tradição racista, patriarcal e aristocrática dos cânones literários moderno-coloniais. As regras que legitimam a produção de conhecimento são, até hoje, eurocentradas, excluindo os saberes que não se encaixam neste padrão. Isto faz com que um país de maioria negra como o Brasil mantenha esta ausência de escritoras negras na ABL e, com isso, o reconhecimento de seus saberes, de suas escrevivências. Não que nós, escritoras afro-diaspóricas, deixemos nos silenciar. Mulheres negras, ameaçadoramente brilhantes, perturbaram e perturbam a (des)ordem do patriarcado colonizador que institui também as regras de produção do conhecimento considerado legítimo. Este é o ...

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Imprensa e cidadania em São Tomé e Príncipe (1911-1925)

Em 10 de julho de 1911, no primeiro número do periódico Folha de Annuncios / A Verdade (o jornal mudou de nome em seu terceiro número), publicou-se um texto sem título, mas assinado por Josué Aguiar, que dizia: “Os nativos d’esta ilha não têm outra ambição que não seja lutar pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e pelo interesse moral e material da terra que os viu nascer. Querem que justiça se faça a todos, sem distinção de cores e de raças e é isso que solicitam do governo central nas suas reclamações. É necessário que isto se diga para que se saiba e não se façam juízos errados”. Em março de 1925, a redação do jornal O Combate, em texto de apresentação, por sua vez, afirmou o seguinte: “Não fazemos programa porque o nome do nosso jornal diz tudo. O Combate, nasce para a luta; luta sem tréguas nem quartel ...

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Uma mãe obstinada: maternidade negra no pós-abolição (Recife, 1890)

No habeas corpus aberto em 1890 na cidade do Recife, encontramos a história de Gertrudes Rosario Maria da Conceição, acusada da faina de “pegar crianças”. Gertrudes era uma criada doméstica de 21 anos, ex-escravizada, analfabeta, solteira, africana – pela idade importada ilegalmente para o Brasil – e mãe de Olindina, alvo do litígio.  Em algum período próximo ao 13 de maio de 1888, Gertrudes decidiu ir para Belém. Como tinha uma filha “em tenríssima idade”, precisou deixá-la aos cuidados da família Siqueira, de modo a garantir um teto para a menina enquanto se aventurava nessa empreitada. Anos depois, quando resolveu morar no Ceará, resolveu buscar sua filha. De início, tentou recuperá-la de forma amistosa, mas sem sucesso. A fim de alcançar o seu intento, pediu para sua amiga, Maria de França, uma liberta que tinha conhecido no Pará, que resgatasse a menina da casa dos Siqueira. Elas concordaram em partir ...

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O patrício José Cláudio Nascimento e as experiências negras de educação popular

Já são muitos os/as estudiosos/as que reconhecem a figura de Abdias do Nascimento quando se trata do ativismo negro no período pós-abolição. Isso não acontece por acaso, visto que esse intelectual negro esteve em diversas frentes de ativismo e resistência da população afro-brasileira. Entre uma das mais famosas, estava a participação na gestão do Teatro Experimental do Negro (TEN), onde com outros intelectuais negros, como Guerreiro Ramos, construiu seminários de proporção nacional. De todo modo, sabemos que ele não atuou sozinho e entre as figuras que faziam parte de sua rede de sociabilidade está o patrício negro José Cláudio Nascimento, personalidade ainda muito pouco conhecida entre os/as pesquisadores/as que investem na história do pós-emancipação e da educação brasileira.  Em 5 de novembro de 1949, o jornal Diário Carioca reporta uma das atividades promovidas pela Conferência Nacional do Negro, capitaneada pelo já citado Teatro Experimental do Negro. A mesa daquele dia ...

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Uma cidade e um complexo industrial sob o mito da democracia racial

A região do Vale do Paraíba, Sul Fluminense do Estado do Rio de Janeiro, foi historicamente ligada à produção de café. Memorialistas locais escreveram sobre fazendas, plantações e famílias importantes (geralmente escravocratas). A cidade de Barra Mansa está nesse circuito e Volta Redonda, que ao final dos anos 1930 possuía menos de 3.000 habitantes, era seu distrito rural. Tudo muda nos anos 1940, pois o governo Vargas, no contexto da Segunda Guerra, em associação com o capital estadunidense constrói a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).  O período de construção da usina (1941-1946) envolveu um processo de migração tamanho que mais de 48.000 trabalhadores chegaram à região. Na década de 1950 a população local cresce, chegando a 56.380 habitantes e em 1954, Volta Redonda se emancipa de Barra Mansa. Nesse cenário, a CSN já era um complexo fabril presente em vários estados.  Quando iniciei minha pesquisa de mestrado (2008), eu procurava os ...

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Exposição sobre Léa Garcia estreia no Google Arts & Culture

Com muita alegria, anunciamos a abertura de quarta sala da Exposição “Léa Garcia – Atriz e Ativista Social Negra” no Google Arts & Culture! Nesse 11 de março a atriz Léa Garcia faz 88 anos de vida! Para comemorar, preparamos uma exposição sobre suas sete décadas nos palcos, desde sua estréia no Teatro Experimental do Negro, passando pelo cinema e televisão. Entre a atuação e o ativismo negro, essa história é narrada através das fotografias guardadas pela própria dona Léa em sua casa, e cedida para o professor Júlio Cláudio para preparar sua biografia. Integram também a exposição imagens dos acervos do Ipeafro e Arquivo Nacional, vídeos históricos e depoimentos dos atores, atrizes e diretores Antônio Pitanga, Carmen Luz, Joel Zito Araújo, Jorge Coutinho e Naira Fernandes, que contam um pouco de sua relação com essa grande dama dos palcos brasileiros! O material pode ser acessado em português e inglês ...

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Judiciário brasileiro em preto e branco: os casos de Juvêncio Serafim e Eduardo Silva no Rio de Janeiro do início do século XX

Não é de hoje que o tratamento desigual no âmbito das instituições prejudica a população negra. O racismo, ao figurar como motor das relações sociais no país, impacta nossas vidas dos mais diversos modos e intensidades. Lembro os casos de dois curandeiros que atuaram no início da República, que trouxe consigo nova legislação. O Código Penal de 1890 é um exemplo disso. Ele criminalizava a manipulação e a prescrição de ervas, chás, a prática do hipnotismo, do magnetismo e do espiritismo, caso fossem praticados por pessoas não diplomadas em medicina. Era muito frequente que africanos e afro-brasileiros que lidavam com suas crenças e tradições fossem enquadrados nesses crimes. Os curandeiros aos quais quero me referir eram Juvêncio Serafim do Nascimento, negro, alfaiate, analfabeto, descendente de africanos escravizados, nascido na Bahia; e Eduardo Silva, branco, engenheiro, europeu, nascido em Gibraltar, território inglês na costa da Espanha. Ambos se envolveram com práticas ...

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Arquivo Pessoal

Reações ao mito da democracia racial no contexto moçambicano (séc. XX)

No início da década de 1950, houve uma crescente contestação contra o colonialismo, resultando no surgimento de vários movimentos de libertação nacional no continente africano. De forma relacional, ocorreu uma significativa mobilização do regime salazarista (1933-1974) para garantir as colônias portuguesas na África: Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné portuguesa, Angola e Moçambique. O Estado português, no intuito de fortalecer sua posição no continente, valeu-se estrategicamente das ideias do sociólogo Gilberto Freyre nessa conjuntura, bem como financiou a sua viagem à Portugal, à África e à Ásia e promoveu a divulgação de suas obras e do seu pensamento nos meios de comunicação.  É nessa conjuntura que Freyre aproxima-se cada vez mais da política colonial portuguesa e cria uma teoria que beneficiava os interesses políticos, econômicos, culturais e étnico-raciais de Portugal: o luso-tropicalismo. Tal conceito defendia que os portugueses tinham uma forma específica de agir e estar nas sociedades tropicais ...

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O Pioneirismo haitiano nas lutas pela liberdade no Atlântico

Quando falamos em liberdade, igualdade de direitos, cidadania, democracia, países europeus e os Estados Unidos são facilmente acionados como lugares pioneiros e espaços de protagonismo. A Revolução Americana e a Revolução Francesa são exemplos constantemente mobilizados para justificar uma “aspiração” quase natural desses países à liberdade e à igualdade. Porém, a pretensa universalidade do acesso aos direitos reivindicada por esses países é colocada em xeque quando observamos a ausência de debates raciais e de discussões sobre a abolição da escravidão nas demandas levantadas por esses movimentos. Durante a Revolução Francesa, poucas vezes a abolição da escravidão foi uma pauta real dos debates. Quando o assunto surgia na Assembleia, quase sempre puxado pelos membros da Societé des Amis des Noirs , as discussões eram ambíguas e falavam mais sobre o fim do tráfico de escravizados e as relações econômicas com as colônias do que propriamente sobre o ...

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Arquivo Pessoal

Estratégias Coletivas de Liberdade em Goiás do séc. XIX

As estratégias de liberdade desempenhadas pelos escravizados tiveram muitas dinâmicas. Em algumas oportunidades, era a carta de alforria o recurso daqueles que buscavam conquistar a saída da escravidão. Por meio desse instrumento jurídico, o escravizado poderia alterar seu status, passando-se a liberto. Vale lembrar que a experiência colonial portuguesa, signatária do Direito Romano, definia o status do filho pelo ventre da mãe, ou seja: filhos de mães cativas eram considerados escravos; ao passo que aqueles gerados por mães livres ou libertas eram considerados livres.  Como fonte estratégica para recuperar nossas histórias, as cartas de liberdade dispõem de informações sobre as personagens históricas como: procedência, ofício, preço e, também, as formas de concessão. A alforria decorria de um acordo entre senhor e escravizado, sendo essencialmente uma questão privada. Mas estes arranjos também se tornavam possíveis em decorrência de relações coletivas, as verdadeiras redes que permeavam as várias fases das negociações.  Para ...

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Arquivo Pessoal

Mobilizações de professores negros em Salvador na Primeira República

Em 16 dezembro de 1912, a localidade do Politeama, no centro de Salvador estava movimentada com a presença de estudantes, professores, professoras, jornalistas, autoridades e o público em geral que prestigiavam a abertura da exposição anual de trabalhos escolares do ensino primário público da cidade. O intendente municipal (o prefeito daquele tempo) estava presente compondo a tribuna junto com outras autoridades e o professor Vicente Ferreira Café. Vicente Café era um homem negro, um docente influente, que tinha como característica o bom manejo das palavras e sua oratória. Na ocasião, ele figurava como representante do professorado e fora convidado para proferir um discurso que contemplasse aquele momento festivo. Professor Vicente Ferreira Café. Fonte: A Tarde, 19 de junho de 1924, p.1. O professor Café em seu discurso elogiou a iniciativa da intendência, tratou sobre o trabalho desenvolvido pela categoria, lembrando que os professores eram os formadores ...

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O trânsito para a liberdade e a precarização do trabalho livre no final do século XIX

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão. Apesar da resistência de mulheres e homens escravizados e de movimentos antiescravistas nacionais e internacionais, aqui ela sobreviveu à conjuntura global antiescravista surgida com a crise dos sistemas coloniais. A abolição vai acontecer apenas no final do século XIX, respaldada por legisladores, depois de um conjunto de normas jurídicas que pretendiam uma “transição” para o trabalho livre mediante a indenização das elites escravistas, do controle e da disciplina dessas trabalhadoras e trabalhadores que passariam a ter liberdade para negociar a força de trabalho. A resistência à abolição da escravidão foi justificada pela dependência do trabalho cativo e pela racialização do comportamento em liberdade dessas mulheres e desses homens, que seria marcada por insubordinação, desordens e perversão moral, como argumenta a historiadora Wlamyra Albuquerque. Aliás, esses argumentos foram usados em todas as sociedades que passaram por processos emancipacionistas, desde os Estados ...

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Experiências da negritude na fotografia baiana do final do século XX

Os negros sob o olhar da câmera Lucídio Lopes. Fotografia de Isabel Gouvea. Fonte: Catálogo Fotobahia, Salvador, 1984. Nesta primeira imagem, vemos Licídio Lopes, pescador, nascido em 1899, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. A fotografia foi feita em 1984 por Isabel Gouvea, fotógrafa paulistana, integrante do Grupo de Fotógrafos da Bahia, à época. O homem octogenário, em traje elegante, encara a câmera exibindo duas telas por ele pintadas, nas quais se veem a Igreja de Santa Ana do Rio Vermelho. O fotografado foi enquadrado numa posição que permite observar os objetos representados nas pinturas: a igreja, num plano mais atrás, convivendo no espaço tradicional do festivo bairro costeiro com as linhas arquitetônicas de um prédio recentemente erigido. No mesmo ano da captura fotográfica, o livro O Rio Vermelho e Suas Tradições, com crônicas escritas por Seu Licídio, foi publicado pela Fundação Cultural do Estado ...

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Arquivo Pessoal

Mulheres negras, política e cultura do cancelamento no Brasil republicano

Em 23 de agosto de 1946, o jornal baiano O Momento, vinculado ao então Partido Comunista do Brasil (PCB), estampava em sua segunda página uma matéria sobre o protagonismo da líder sindical Luiza Matos na região do Recôncavo Baiano. De acordo com a reportagem, ela liderou a criação do sindicado dos trabalhadores na Indústria do Fumo em São Félix, fundado em 19 de novembro de 1935. Entre 1937 e 1942, a sindicalista assumiu a presidência do sindicado e enfrentou muitas perseguições da classe patronal. Na época, ela trabalhava na fábrica Dannemann. Em decorrência de suas atividades políticas, foi demitida. Forjaram uma arapuca e acusaram-na de roubo para justificar a demissão. Ela buscou a justiça, provou sua inocência e foi reintegrada, mas não voltou à mesma indústria. Foi trabalhar na fábrica Suerdiek, de onde também foi demitida e readmitida após contendas envolvendo perseguições dos patrões e inquéritos policiais.  [caption id="attachment_158721" align="aligncenter" ...

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