segunda-feira, agosto 8, 2022

Tecnologia Africana na Formação Brasileira

O texto que segue sobre tecnologia africana foi escrito pensando no ensino de história e cultura africana e nas formulações dadas ao racismo antinegro na sociedade brasileira.

Divulgação

No Brasil muitas pessoas negam a existência de racismo contra a população negra, primeiro por serem pessoas que se beneficiam deste racismo. Portanto, tem as suas conveniências e negar a sua existência éuma maneira de disfarçar os propósitos de manter a população negra numa situação subalterna. os membros dos grupos sociais subalternos trabalham muito, recebem pouco e obedecem bastante para sobreviverem. Os problemas do racismo contra a população negra são problemas sociais e econômicos da sociedade brasileira no campo da dominação dos grupos subalternos. Terminado o escravismo criminoso, uma forma de deixar a população negra em condições de vida subalterna foi produzir um grande processo de desqualificação social das negras e negros.

As profissões que eram de domínio da população negra foram transferidas para outras populações ao longo do século. Vejam, não se trata de um problema de “raça” no sentido da “raça biológica”, pois a ciência mesmo tem demonstrado não existirem raças. Trata-se de um problema dos mercados de trabalho, das posições sociais entre os grupos sociais e um problema político de quem manda e de quem tem que obedecerpor imposições sociais. Mas é um problema que não é individual e sim coletivo. não basta ter uma negra ou um negro presente para não existir racismo. Para não existir racismo o acesso tem que ser coletivo e livre das ideologias racistas.

A maioria das pessoas partem de uma definição do racismo genérica e pouco útil para compreensão da sociedade brasileira. Pensam o racismo como o ódio entre as raças, mas não é isto o que ocorre no Brasil e sim a forma de controle social entre grupos sociais. o racismo brasileiro executa um longo e fortíssimo trabalho de manutenção das estruturas sociais. Exclui o coletivo de uma participação ampla na sociedade brasileira por formas práticas e não diretamente declaradas. Uma das formas é produzindo ideias ambíguas, erradas ou preconceituosas sobre a populaçãonegra. ideias que muitas vezes nós mesmos negros não percebemos o que está por detrás delas e as admitimos como verdade.

Vejam como são as coisas: o meu professor de filosofia na faculdade era marxista, socialista e democrático. no entanto ele dizia que somente os gregos faziam filosofia. ou seja, somente os gregos trabalhavam com a racionalidade científica. isto induz a ideia de que os africanos não teriam filosofia e de que também não teriam produzido pensamentos dentro da racionalidade científica. deduziríamos que estariam atrasados com relação aos europeus. isto produz ideias racistas que desqualificam socialmente os africanos para a produção do pensamento filosófico. No entanto existe filosofia africana, existem muitos filósofos que são africanos e aparecem na história como gregos somente pelo fato da Grécia ter mantido estas regiões do norte africano como colônias durante um período da história. a lógica racional levaria a pensar que existe filosofia em todos os povos, e que na filosofia ocidental existe tanto de africano como de grego. Mas esta afirmação será sempre contestada pelos pensadores eurocêntricos, pois pensar os gregos como os empreendedores da filosofia qualifica socialmente os europeus como povos historicamente racionais.Isto é uma faceta do racismo eurocêntrico do qual mesmo negras e negros filósofos participam.

CEAP – Seguem em anexo um texto introdutorio para educadores sobre tecnologias africanas na formação historica do Brasil. O texto é muito basico e trata-se introduzir novas visões sobre o escravismo no Brasil.

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