Uma revolução chamada Enem

O Enem é hoje a principal forma de acesso dos estudantes ao ensino superior brasileiro. São 7,17 milhões de jovens que farão a prova este ano em busca de uma vaga nas principais universidades do país. De outro lado, muitas instituições substituíram o tradicional vestibular pelo exame, e outras já o utilizam como parte do processo seletivo. Em 2013, pela primeira vez, todas as 59 universidades federais aderiram ao Enem, seja integral ou parcialmente.

Divulgação/Enem

Gilberto Alvarez*, Jornal do Brasil

Do ponto de vista do contedo, o Enem inovou e trouxe a transversalidade e a interdisciplinaridade às provas. Trata-se de um método para despertar no aluno a relação entre temas diversos, quebrando a visão fragmentada da realidade que as regras rígidas e estanques das disciplinas impunham aos alunos. O êxito desta inovação vem motivando a discussão sobre a reforma curricular do ensino médio, de forma que esta esteja alinhada às novas exigências e, ao mesmo tempo, seja capaz de preparar os alunos para a prova.

Aliás, essa discussão sobre a reforma do currículo é bem antiga dentro do Ministério da Educação e Cultura (MEC) e foi retomada recentemente, depois da divulgação do baixo desempenho e da estagnação dos alunos do ensino médio no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011. O que se pretende é um novo currículo que seja capaz de proporcionar uma formação diversificada, tendo como base as áreas de competência abordadas no exame: matemática e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias.

Esta redefinição propõe um aluno mais atento, curioso, capaz de raciocinar e de interpretar. A transversalidade estimula o aluno a pensar, tirando-o do raciocínio limitado e condicionado. Conectar o aluno com as várias dimensões de um mesmo assunto proporciona uma visão panorâmica de como cada tema afeta os diferentes aspectos de nossas vidas e do dia a dia. O resultado esperado é tornar o aprendizado mais próximo da realidade, permitindo um maior entendimento, reflexão e fixação dos contedos.

A dinâmica desta reforma estará na relação da educação com a tecnologia, visto que hoje os jovens estão conectados por seus celulares, tablets e computadores. O edital publicado pelo MEC sobre os livros didáticos determina, além de exigir a organização das disciplinas conforme o estabelecido pelo Enem, que as editoras apresentem obras com complementos digitais e-books, jogos e aplicativos. Uma união que, além de despertar a curiosidade do aluno, trará a inovação por exercitar a criatividade e tornar o ensino médio mais atrativo.

A educação caminha para um novo tempo no Brasil, e muitos são os desafios para que essa mudança seja aplicada em 2014 e 2015. Mais importante que inserir esse novo contedo nas escolas é dar o apoio e o preparo necessários aos professores. O profissional precisa conhecer e entender o que será trabalhado, enxergar a necessidade de inovar a sala de aula e despertar o aluno para o conhecimento.

* Gilberto Alvarez Giusepone Jr., especialista em Enem, é diretor do Cursinho da Poli (SP).

Fonte: Jornal do Brasil

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