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Visibilidade lésbica: O estalar de chicote no movimento LGBT

Visibilidade lésbica: O estalar de chicote no movimento LGBT

Já não basta ser lésbica. Ainda tinha que ser negra. Eu ouvi esta frase de uma ex-sogra. E esta cena é muito comum entre pessoas negras LGBTs. Sim, antes de tudo, somos pessoas pretas. Sabemos, por exemplo, que as pessoas protagonistas do Stonewall foram pessoas pretas LGBTs.

Por Camila Marins Do Rio Gay Life

No entanto, a branquitude se apropriou dessa luta, apagando os corpos e as memórias do povo preto, uma vez que quem deu início à rebelião foram: a mulher lésbica negra Stormé DeLarverie em aliança com as travestis, Silvia Rivera e Marsha P Johnson (negra), ao contrário do que contam os homens gays brancos cis.

O apagamento de pessoas negras LGBTs é imenso, por extrativismo e a apropriação da nossa força de trabalho, do nosso ativismo, dos nossos corpos e afetos. E essa lógica racista atravessa todos os espectros da sociedade, desde mídia, cultura, esporte, mercado de trabalho. Afinal, quantas pessoas negras LGBTs você vê nos meios de comunicação? E no esporte?  E na política?

Antes de tudo, é preciso pensar quem tem direito à vida nesse país. A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil, de acordo com a CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] do Senado sobre o Assassinato de Jovens.  Já o Rio de Janeiro é reconhecido como uma cidade “LGBT friendly”. No entanto, precisamos perguntar: friendly para quem e onde? Quais são os corpos que importam? Olhe para o lado, pois o chicote estala em nossas costas todos os dias, inclusive no movimento LGBT.

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