25 de julho: Dia de comemorar a resistência da mulher negra latino americana e caribenha ao racismo e sexismo

O Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha foi instituído em 25 de julho de 1992, em encontro na República Dominicana, e será comemorado em todo o País

 

A partir de amanhã (24), a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) participa de uma série de eventos para comemorar o Dia da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha. Durante as atividades, serão discutidas estratégias que fortaleçam o trabalho das organizações de promoção da igualdade racial e de gênero no Brasil.

Brasília: V Festival Afrolatinas

Tem início hoje (23), em Brasília, o V Latinidades – Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha. Durante sete dias serão realizados shows, oficinas e debates para dar visibilidade ao histórico de lutas e resistência da mulher negra na América Latina.

Amanhã, a diretora de programas da SEPPIR, Mônica Oliveira, participa da mesa que vai discutir a saúde integral da mulher negra. Segundo a diretora, atualmente, 60% das mulheres vítimas de morte materna são negras: “Durante a gravidez, as mulheres negras têm menos chance de passar por consultas pré-natal, seja por dificuldades de acesso, por falta de informação ou mesmo por discriminação nos serviços”, explica.

Ainda no Latinidades, a gerente de projetos da SEPPIR, Eunice Léa de Moraes, participa do debate sobre emprego e renda. O relatório de Perfil do Trabalho Decente divulgado na última quinta-feira (19) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), revelou que jovens negras têm menos acesso à escola e ao trabalho. Na faixa etária entre 15 e 24 anos, uma em cada quatro jovens negras brasileiras não estuda ou não trabalha, esse número corresponde a 25,3% dessa faixa da população.

Este ano o evento homenageia a filósofa e militante Sueli Carneiro, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra. O tema da V edição do festival é Juventude Negra, que orienta os seminários e debates envolvendo profissionais negras latino-americanas e caribenhas e também africanas. A programação inclui a feira de afro-negócios, em que empreendedoras negras expõem seus produtos e serviços ao público. O encerramento terá apresentações artísticas e desfile de moda baseado nas vestimentas de religiões de matriz africana.

A escolha do tema Juventude Negra vem da necessidade de discutir os desafios enfrentados por esta parcela vulnerabilizada da sociedade que, infelizmente, constitui a principal vítima da violência urbana e tem sido alvo predileto dos homicidas e dos excessos policiais. No Brasil a juventude negra encabeça o ranking dos que vivem em famílias consideradas pobres e recebem os salários mais baixos do mercado. Encabeçam, também, a lista dos desempregados, analfabetos, dos que abandonam a escola antes de tempo e dos que têm maior defasagem escolar.

No contexto do festival, de junho a novembro de 2012, serão realizadas ações em São Paulo e em Brasília, no Complexo Cultural da República de 23 a 29 de julho, nas Regiões Administrativas do Paranoá, Varjão, Itapuã, Cidade Estrutural e no Presídio Femino Colméia.

Este ano a grande novidade do evento é a parceria com o Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília – que, juntos, vão realizar uma semana de grande shows no Museu Nacional de Brasília, de 23 a 29 de julho. Além do Cena Contemporânea, outra parceira é a Feira Preta SP, que acontecerá nos dias 28 e 29 de julho.

Outros Estados

A saúde da mulher negra também será tema de palestra realizada pela Prefeitura da cidade de Itajaí em Santa Catarina, a ser realizada na sexta-feira (27). “Nossa tarefa enquanto SEPPIR é levar informação e formação para essas atividades e é estratégico porque, informados, eles se articulam melhor para nos ajudar a mudar esses dados”, explicou Mônica Oliveira.

No dia 26, a secretaria discute o cenário da Política de Promoção da Igualdade Racial para Mulheres com foco nas moradoras de Comunidades Tradicionais, no I Seminário Estadual de Mulheres de Comunidades Tradicionais, que será realizado pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Espírito Santo.

A Secretária de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR, Ângela Nascimento, participa da oficina: Desafios da Interseccionalidade das Agendas de Cairo e Durban no Brasil: Cairo + 20 (1994) e Decênio das e dos Afrodescendentes das Nações Unidas (2012-2022) que será realizada em Curitiba de 27 a 29 de julho.

Com informações da Griô Produções e da Assessoria de Comunicação da SEPPIR

 

 

Fonte: Seppir

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