As lendárias eleições no Estado do Maranhão: do vale-tudo ao surreal

Por: Fátima Oliveira

É dificílima a luta de ideias em meio ao atraso feudal do Maranhão nas eleições. Embora a psiquiatria informe que sociopatas não possuem limites quando contrariados, a coisa aqui é bruta, sem um pingo de civilidade!

No poder há quase meio século, Sarney et caterva acionaram o arsenal do sindicato da fraude eleitoral herdado do pernambucano Victorino Freire (1908-1977), que aportou aqui em 1933 para chefiar o gabinete do interventor Martins de Almeida. A convite de Getúlio Vargas, foi chefiar o gabinete do ministro da Viação e Obras Públicas, de onde pavimentou, com verbas públicas, sua escalada de poder no Maranhão, tendo retornado em 1940 para a campanha à Presidência da República do seu amigo Eurico Gaspar Dutra, que presidiu o Brasil de 1946 a 1951.

Victorino não precisou ser governador do Maranhão para mandar em tudo por quase 30 anos – deputado federal (1946) e várias vezes senador. Era íntimo da Presidência da República (lição aprendida por Sarney, íntimo de qualquer presidente). Quando saía do Rio, dizia: “Vou ao Maranhão apertar as cangalhas!” Na iminência de perder uma eleição, arregimentava o sindicato da fraude. Disse, em “A Laje da Raposa”, que em 1965 tinha candidato, mas torceu para Sarney! Entendido, né?

Citei passagens pontuais para cotejar com as eleições de 2014, em que métodos victorinistas de terror tentam impedir que o povo eleja democraticamente um governador para pôr um fim ao meio século de saques aos cofres públicos e de penúria do povo, hoje com IDH de 0,639 (Brasil: 0,727) e 959.193 famílias no Bolsa Família. Em 2010, um pouco mais da metade do povo, do total de 6,3 milhões, sobrevivia desse benefício! Dispensa comentários.

Nas eleições de 2014 inventaram histórias escabrosas para destruir a imagem/dignidade de quem é contra Sarney et caterva, tendo como pano de fundo a cultura política das capitanias hereditárias para o Parlamento e o Executivo. Há “famílias políticas” – mandatos passam de pai para filhos, netos, genros e noras, via currais eleitorais e fraudes, como algo salutar e natural!
Há desde anticomunismo de botequim sujo, afirmando na TV que o Maranhão seria o primeiro Estado comunista do país, acusações falsas de ficha suja contra Flávio Dino, candidato a governador pelo PCdoB, e intimidação do irmão do candidato pela Polícia Militar. Tem mais: da depredação do patrimônio público, inclusive da prefeitura da capital, até um vídeo mentiroso forjado na penitenciária de Pedrinhas, no qual um preso acusa Flávio Dino de ser ladrão de banco!
Descoberto o crime – o presidiário disse que recebeu dinheiro e promessas de fuga e proteção eterna –, iniciaram a divulgação de incêndios em São Luís acusando Flávio Dino – que está com 60% de intenções de voto na pesquisa do último dia 26 – de tocar fogo na cidade! Sarney é 100% cria de Victorino e superou o mestre.

A joia da coroa do terror está incrustada no barril de pólvora que é a penitenciária de Pedrinhas, em São Luís, cujas chaves no dia da eleição deveriam ficar nas mãos da Força Nacional de Segurança Pública. Se há uma obra que é a mais perfeita tradução do sarneysmo é Pedrinhas – construída e inaugurada pelo governador Newton Belo, em 12.12.1965, passou para a grife Sarney em 31.1.1966, quando ele tomou posse.

O que acontece no Maranhão fere os ideais republicanos, logo deve interessar a todo o povo brasileiro expurgar o clã Sarney do poder. Karl Marx tem razão: “A história se repete, a primeira vez como tragédia, e a segunda como farsa”.

 

 

Fonte: O Tempo 

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