Guest Post »

Após repercussão, escola com gestão militar no DF refaz mural com rosto de Mandela

Imagem do ex-presidente da África do Sul tinha sido coberta de branco a pedido da PM, segundo a direção. Frase de Pitágoras sobre educação e castigo foi adicionada ao mural.

por Por Marília Marques no G1

Novo grafite exibe rosto e mesma frase apagada após início da gestão militar no CED 1
Novo grafite exibe rosto e mesma frase apagada após início da gestão militar no CED 1 — Foto- Estela Accioly:Arquivo pessoal

Depois de apagar um grafite com o rosto do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela – ícone da luta pela igualdade racial –, a direção do Centro Educacional 1 da Estrutural, no Distrito Federal, decidiu refazer a imagem (veja acima). A obra ficava no pátio interno de uma das escolas do DF que terá educação militar em 2019.

O caso foi revelado pelo G1 e, após a repercussão negativa, a parede ganhou novos desenhos e voltou a estampar a famosa frase do político sul-africano. O grafite foi concluído nesta quinta-feira (14).

Rosto de Nelson Mandela grafitado, em 2018, no CED 1 da Estrutural
Rosto de Nelson Mandela grafitado, em 2018, no CED 1 da Estrutural — Foto: Ana Elisa Santana/Arquivo pessoal

“Educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”

A pintura foi feita pelo mesmo grupo de artistas voluntários do Paranoá que tinha decorado o muro no ano anterior (veja acima). Os grafiteiros acrescentaram, dessa vez, os rostos da poetisa brasileira Cora Coralina e do educador Paulo Freire.

Segundo a diretora da escola, Estela Accioly, tanto a decisão para apagar a imagem anterior, como a de refazer o mural, vieram da atual gestão compartilhada com a Polícia Militar. “Colocamos em um muro mais bem posicionado, no pátio interno da escola”, explica.

Além dos desenhos, o muro da escola ganhou a frase atribuída ao filósofo e matemático grego Pitágoras. "Educai as crianças e não será preciso castigar os homens".
Frase atribuída a Pitágoras, matemático grego, foi pintada em muro de escola no DF — Foto: Estela Accioly/Arquivo pessoal

No entanto, quando o grafite foi apagado, a PM do DF informou que “não tinha participado da decisão”. Questionada, a corporação também não deu mais detalhes sobre a reforma realizada no colégio.

‘Educar para não punir’

Além dos desenhos, o muro da escola ganhou a frase atribuída ao filósofo e matemático grego Pitágoras.

“Educai as crianças e não será preciso castigar os homens”.

A escolha, segundo a diretora, também foi uma “sugestão compartilhada” e faz referência ao “bom senso e ao que a escola busca”, diz. “Seguimos a decisão de pintar o muro para comunidade perceber que a escola agora é um colégio da PM”.

“A frase [de Pitágoras] representa a educação, as crianças e a disciplina.”

Na fachada externa da escola, o que era um “mural da inclusão” também se tornou um muro branco. Agora, ele estampa o nome do “Colégio da Polícia Militar” em letras garrafais.

Paredes do CED 1, na Estrutural, foram pintadas de branco no 1º dia de educação militar na escola
Paredes do CED 1, na Estrutural, foram pintadas de branco no 1º dia de educação militar na escola — Foto: Marília Marques/G1

A direção da escola informou que a arte anterior era composta por desenhos de crianças obesas, cadeirantes e/ou com algum tipo de deficiência. “Os alunos se identificavam e se sentiam representados”, afirma Estela.

“Queríamos aproximar nossos estudantes, e mostrar que a escola é para todos.”

Apesar de se dizer “triste” com a pintura do muro, a diretora afirma que a “educação inclusiva vai continuar no projeto pedagógico”, com ações de consciência racial e respeito à diversidade.

Parede que abrigava rosto e frase de Nelson Mandela foi pintada de branco após projeto piloto de educação militar no CED1
Parede que abrigava rosto e frase de Nelson Mandela foi pintada de branco após projeto piloto de educação militar no CED1 — Foto: Marília Marques/G1

O projeto implementado nesta segunda-feira (11) no CED 1 ocorre também em outras três escolas do DF: em Ceilândia, Recanto das Emas e Sobradinho.

Segundo o GDF, essas regiões foram escolhidas para abrigar a iniciativa porque apresentam “alto índice de criminalidade” e têm estudantes com “baixo desempenho” escolar.

Caso o projeto piloto apresente bons resultados, a ideia deve ser incorporada em outras 36 escolas do DF. O custo para aplicação da proposta em cada escola é orçado em R$ 200 mil por ano. Essa despesa deverá ser custeada pela Secretaria de Segurança Pública.

Related posts