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Charlottesville e nosso racismo velado

Charlottesville e nosso racismo velado

Desde o “Não” de Rosa Parks em 1955, no ônibus em Montgomery, se negando a aceitar a lei que obrigava negros a cederem seus lugares a brancos nos ônibus que não se vêem episódios tão brutais envolvendo as questões raciais na em solo americano.

Por Sandro Daumiro da Silva para o Portal Geledés

Naquele exato momento ela iniciava junto com o Reverendo Martim Luther King, Malcon X, entre outros a luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos.

E agora, em pleno ano de 2017, vemos novamente os Estados Unidos em meio a uma nova luta antisegregacionista. Nos Estados Unidos permite-se que o racista seja racista e declare em alto e bom som que o é. A Marcha de Charlottesville é isso, uma afirmação dos supremacistas brancos e dos nazistas de que aos olhos deles eles são superiores a todas as outras etnias.

Enquanto o racismo lá é escancarado, aqui ele se esconde, fica velado atrás das ofertas de emprego que pedem boa aparência ou em entrevistas de emprego que escolhem os brancos pra ocuparem espaços mesmo que o candidato negro tenha o mesmo currículo ou até superior. Exemplo disso é a pesquisa divulgada em 2014 pela ABRH Joinville em que evidenciou a preferência dos empregadores por homens, jovens e brancos.

No Brasil não se fala abertamente que se é racista, mas os números comprovam que o homem negro e a mulher negra estão entre os piores remunerados, sendo que a mulher negra que está na base desta pirâmide é 60% menor que o de um homem branco que ocupa o topo do ranking salarial, Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

O racismo se mostra por aqui quando uma gestante negra tem um acompanhamento pré-natal menor que o da gestante branca ou quando não temos nos altos cargos administrativos das empresas executivos negros e quando olhamos para o poder legislativo e executivo e não vemos pessoas negras. E o racismo grita quando no Brasil se vê um extermínio da juventude negra em que 77% dos jovens assassinados são negros.

Enfim, enquanto nos preocupamos com o racismo escandaloso e escancarado em Charllotesville não nos damos ao trabalho de perceber nosso racismo que age silenciosa e covardemente por aqui. Pensemos.

Sandro Silva
Coordenador Estadual da Igualdade Racial de Santa Catarina

**Este artigo é de autoria de colaboradores  do Portal Geledés e não representa ideias ou opiniões do veículo. 

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