terça-feira, julho 5, 2022
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Como uma amizade com Muhammad Ali deu origem a algumas das melhores fotos de esportes do mundo

Em 9 de setembro de 1966, a revista Life publicou um artigo sobre Cassius Marcellus Clay Jr., a estrela do box em ascensão que tinha recentemente adotado um codinome mais familiar aos devotos do esporte — Muhammad Ali.

Por  Katherine Brooks Do Brasil Post

Naquela época, Ali já tinha ganhado a medalha de ouro na Olimpíada de Verão em Roma e levado o título de peso-pesado de Sonny Liston, em 1964. Ele também se tornaria uma figura polêmica para os fãs, depois de se consagrar campeão. Questionado sobre sua ligação com líderes muçulmanos negros como Malcom X, e sua objeção de consciência ao serviço militar na Guerra do Vietnã, Ali tinha que lutar dentro e fora do ringue.

“Aqueles ‘Vietcongs’ não estão me atacando”, Ali declarou, quando se recusou a servir o Exército, citando sua mais nova religião. “Tudo o que sei é que eles são considerados negros asiáticos, e eu não luto contra negros.” Na verdade, essa postura, juntamente com sua persona extremamente confiante e impetuosa, fez dele um ícone ainda mais admirado nos Estados Unidos durante o movimento dos direitos civis.

Na sessão de fotos da revista Life, em 1966, Ali conheceu Gordon Parks, um fotógrafo nascido no Kansas que, sem nenhum curso formal, iniciou sua carreira como fotojornalista na Administração de Segurança Rural, para depois se tornar o primeiro fotógrafo afro-americano da revista Life. Anteriormente, Parks tinha focado suas lentes em trabalhadores migrantes e ativistas dos anos 60. Agora estava fotografando o “The Greatest” (“O Maior”).

originalMuhammad Ali Faz Careta para Fotógrafos, Miami, Flórida 1970, © Fundação Gordon Parks – Portfólio American Champion

Parks viajou de Miami a Londres, tirando fotos de Ali como quando estufava o peito para repórteres antes de seu duelo com Henry Cooper, e depois se retraía em um indivíduo paciente, preocupado, quando tudo já tinha sido dito e feito. Ao longo de vários meses, Parks e Ali formaram um vínculo que, sem dúvida, influenciou as imagens incluídas na revista.

Com o tempo, Parks descobriu uma maneira de conciliar suas diferenças com o boxeador, e apreciar o lugar de Ali no panteão cultural. “No final, ele parecia totalmente ciente do tipo de comportamento que impõe respeito”, Parks escreveu no final do seu ensaio para a Life, que acompanhou as fotos. “Já um brilhante lutador, havia esperança de que agora poderia se tornar um campeão no qual todos pudessem se espelhar.”

O artigo foi chamado de “The Redemption of the Champion (A Redenção do Campeão)”.

O trabalho de Parks foi fundamental para trazer o homem dos constantes affairs para mais perto do público, especialmente a foto de close de Ali encharcado de suor olhando melancolicamente para além da câmera, depois de uma sessão de treinos. “Pela primeira vez, é um retrato do campeão sem nenhum indício de fanfarronice”, escreveu Jonny Weeks, editor de fotografia do jornal The Guardian.

Quatro anos depois do encontro inicial, o fotógrafo acompanhou seus treinos para enfrentar Joe Frazier, em 1970. Ali ainda era polêmico e, Parks ainda nutria empatia pelo ser humano por trás do herói. A epígrafe para esse ensaio dizia: “Gotejando polêmica, Muhammad Ali está de volta.”

o-ALI2-900Sem Título, Miami, Flórida, 1966, ©Fundação Gordon Parks

Essas fotos, tiradas em 1966 e 1970, estão sendo exibidas na Arnika Dawkins Gallery, uma instituição com sede em Atlanta, no estado da Geórgia, especializada no trabalho de fotógrafos afro-americanos retratando personagens afro-americanos. Mesmo hoje, as imagens de Parks se destacam não apenas pelos retratos exclusivamente reveladores de Ali, mas também como fragmentos de um diferente tipo de fotojornalismo, aquele que, como Stephen Sommerstein explicou recentemente, “entendeu a composição bem como o que é notícia”.

Veja uma prévia das fotos aqui, além de alguns exemplos do trabalho anterior de Parks, muitos dos quais também foram incluídos na exposição “Gordon Parks — American Champion,” na Arnika Dawkins Gallery.

Gordon Parks — American Champion estará em exibição na Arnika Dawkins Gallery até 28 de março de 2015. A Fundação Gordon Parks também lançou recentemente American Champion, um portfólio de edição limitada com fotos de Ali tiradas por Parks, e um ensaio escrito por David E. Little, curador e chefe do departamento de fotografia e novas mídias do Instituto de Artes de Minneapolis.

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