De crítico de moda a mecânico: quem é o negro-gato Rafael Zulu?

Enviado por / FonteDo Jornal do Brasil 

De jornalista de moda assumidamente homossexual a mecânico no horário nobre, Rafael Zulu, aos poucos, vai se firmando como um jovem (e belo) ator de uma nova geração que surge, aos poucos, nas novelas da Globo. Mas,antes de qualquer aparição na telinha dos televisores em frente aos quais nos sentamos, Rafael é que passava grande parte do tempo estático, em frente a uma outra tela: a de um computador. Descubra esse ‘mistério’ do passado em nosso bate-papo com o ator…

Rafael Zulu (Alex Santana/Vogue)

Heloisa Tolipan – Você se chama, na certidão, Rafael Gervásio dos Santos. O nome ‘Zulu’ remete automaticamente à beleza negra, por conta da tribo africana. Você que criou esse nome artístico tão legal?

Rafael Zulu – Na verdade, uma amiga e atriz, Josie Pessoa, que me deu esse sobrenome, relutei num primeiro momento mas depois adotei!

HT – Antes de ser ator, você estudava Telecomunicações. Qual foi o momento da virada, em que decidiu embarcar nessa nova carreira?

RZ – Acho que ator nasce ator, ou melhor artista nasce artista! Decidi mudar tudo quando vi que não estava tão feliz sentado na frente de um computador somente!

HT – Após viver na TV um crítico de moda, o que mudou em relação a sua visão sobre este universo, antes e depois dessa experiência em sua vida?

RZ – Ainda bem que nunca fui um cara de ter preconceitos bobos quanto a cor, classe social, homossexualidade e coisas mais… Mas no processo de estudo para o personagem não mudei minha visão, mas me encantei com eles e vi o quanto é delicado e dificil ser homossexual num país como o Brasil! Finge-se aceitar, mas o povo ainda tem uma cabeça muito fechada!

HT – Pois é, o Adriano, de ‘Ti-ti-ti’, era homossexual assumido. Em Fina Estampa, tivemos um personagem gay muito querido por todos, o Crô. O que falta para que o tabu-símbolo da imagem dos gays nas novelas, que é o beijo, seja superado?

RZ – Falta pararmos de encarar o homossexual como um ser diferente, que não chora, não sofre, não sente dor… o dia que entendermos que somos iguai,s mesmo gostando de coisas diferentes, talvez isso acabe! Mas pelo visto isso ainda vai levar tempo!

HT – E por falar no Adriano, que era um crítico de moda: muitos ainda afirmam que negros não são tratados igualmente na hora de escalar elenco na TV. Você acha que ainda rola essa diferenciação preconceituosa?

RZ – Acho que avançamos nesse quesito! Hoje encontramos muito mais negros ocupando papeis de relevância nas tramas! Não sei como é o processo de escalção dos autores e diretores! Só acho que ainda não somos um produto que interessamos tanto nesse sistema televisivo!

HT – E na vida real, você apoia ações afirmativas (como cotas em universidades) engendradas pelo governo?

RZ – Apoio a cota social! Ou seja, aquela pessoa que não tem grana para finaciar seus estudos deve, sim, ter uma abono e um apoio do govero. Consequentemente muitos negros vão se enquadrar e sair ganhando como isso!

HT – De colunista fashion a mecânico: você se considera um ator versátil?

RZ – Sim, e acho que com estudo podemos ser versáteis sim, mas sobretudo me considero um ator que tem tido boas oportunidades! Muitos atores são versáteis mas, infelizmente, são sempre escalados apenas para tirar a a camisa, ou só ser o galã, ou o empregado e assim vai…

HT- E o assédio da mídia, como funciona? Há poucos dias, por exemplo, você foi apontado como novo affair de Fernanda Paes Leme, por exemplo…. Te incomoda a abordagem da imprensa especializada em celebridades?

RZ – Não, claro que não me incomoda! É a consequencia de ter escolhido essa profissão para sobreviver! A mídia tem uma relação comigo (e eu com ela) muito bacana! Estabeleço sempre isso em cada entrevista!

HT – Teatro e TV já estão marcados na sua carreira. Cinema está em seus planos?

RZ – Está sim, esse ano tenho convites para dois longas!

HT – Você se considera um cara vaidoso? Cuida do seu corpo? Pratica esportes?

RZ – Sinceramente, não sou vaidoso não! Não pratico esporte e nem vou a academia!

 

 

 

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