EUA. Mulher acusou falsamente um adolescente negro de roubo do telemóvel e foi considerada culpada de um crime de ódio

Uma mulher, na Califórnia, que acusou falsamente um adolescente negro de lhe roubar o telemóvel e depois o atacou no lobby de um hotel em Nova Iorque foi declarada culpada de detenção indevida e crime de ódio em segundo grau, anunciou a Procuradoria Distrital de Manhattan.

Em Dezembro de 2020, Miya Ponsetto foi vista num vídeo a atacar Keyon Harrold Jr., de 14 anos, que se encontrava com o seu pai, músico, no Hotel Arlo. Ponsetto justificou-se afirmando que pensava que ele tinha o seu telemóvel, mas os investigadores determinaram, mais tarde, que não o tinha.

O vídeo do incidente rapidamente se tornou viral, com muitas pessoas a acusarem Ponsetto de discriminação racista em relação ao adolescente, uma acusação que ela negou. O incidente também ocorreu numa altura em que os apelos contínuos a que se faça justiça em acusações de cariz racista e em relação à reforma da polícia têm sido os mais elevados desde há muitos anos devido às mortes de pessoas negras – como George Floyd e Breonna Taylor – às mãos de agentes policiais.

O acordo de defesa exige que Ponsetto, 23 anos, siga os termos da liberdade condicional previstas já para outro caso na Califórnia e compareça em sessões de aconselhamento e evite novos incidentes criminais.

Se não agir em conformidade, Ponsetto poderá vir a cumprir uma pena até quatro anos, confirmaram os advogados. No entanto, se ela seguir efetivamente esses termos, pode apelar para que a acusação deste delito passe para uma acusação menor de assédio agravado em segundo grau.

O advogado de Ponsetto, Paul D’Emilia, afirmou que a sua cliente está grata pelo acordo, e tem “levado uma vida exemplar” desde o incidente.

“Reconhecemos a abordagem ponderada e empática do Procurador Distrital para chegar a um resultado aceitável, principalmente à luz da pressão injustificada que tem sido exercida por muitas vozes não familiarizadas com os detalhes mais específicos do que ocorreu naquela noite”, declarou D’Emilia.

“A Sra. Ponsetto aguarda com expetativa a eventual possibilidade de apresentar apelo final para acusação de assédio, um apelo que nos parece corresponder de forma mais realista às suas ações naquela noite no Hotel Arlo. A Sra. Ponsetto deseja que Keyon Harrold aceite o seu arrependimento e pedido de desculpa pelo seu comportamento nessa noite, e que todos os envolvidos possam prosseguir as suas vidas com mais sensatez e compreensão”.

Já o Procurador Alvin Bragg afirmou que Ponsetto “demonstrou um comportamento vergonhoso”.

“Como homem negro, já experienciei discriminação racista inúmeras vezes na minha vida e estou solidário com o jovem que foi vítima neste incidente”, declarou Bragg. “Esta alegação assegura a devida responsabilização da Sra. Ponsetto, analisando as causas subjacentes ao seu comportamento e assegurando que esta conduta não volte a ocorrer”.

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