terça-feira, setembro 21, 2021
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Homens Negros e suas sexualidades: A saída de Lucas Penteado do BBB

Hoje eu vim falar sobre BBB. E eu sei que muitos de vocês já devem estar querendo fechar a página aqui mesmo. Seja por acharem o programa, e as pessoas que o assistem, fúteis — Enxergando qualquer tentativa de estabelecer debates mais sérios sobre o que acontece na casa como um exagero — seja porque você está assistindo o programa e ficando mal com os horrores que estão sendo feitos e ditos lá dentro. Eu te entendo. Independentemente de qual dos dois grupos você esteja, eu te convido a ficar até o final do texto. Vou me esforçar para que valha seu tempo.

Para quem não tem acompanhado a televisão e a internet nos últimos dias (e por isso, imagino, tenha conseguido manter pelo menos parte da sua sanidade), a vigésima primeira edição do Big Brother Brasil vem dando o que falar. Primeiro por ser a edição com maior participação de negros — E de negros engajados com causas raciais — e depois por muitas dessas mesmas pessoas terem demonstrado uma completa falta de noção, empatia e conhecimento de causas que dizem defender.

O que me motivou a escrever esse texto foi uma discussão entre as participantes Lumena, Pocah (sim, aquela Pocah), Karol Conká (sim, A Karol Conká) e Lucas Penteado na última noite de sábado (06/02/2021). Lucas, que vinha sendo isolado e xingado por 15 dos 19 participantes por ter bebido demais numa festa e ter brigado com quase todos na casa (Não vou explicar a treta aqui, mas existem resumos do acontecido na internet), foi acusado de estar usando sua sexualidade para ganhar público. Isso após Lucas ter beijado Gil, um outro participante, durante a última festa do programa que ocorreu na noite de sábado. Pocah, Conká e Lumena duvidaram de que Lucas fosse, de fato, bissexual. Na visão delas, Lucas estaria fingindo fazer parte da comunidade LGBT para conseguir “limpar sua imagem”. As três ficavam destacando o fato de serem mulheres bi e lésbica, respectivamente, assumidas e que ele (Lucas) nunca tinha mencionado sua sexualidade antes, tomando isso como uma prova de que ele estaria mentindo.

Lucas se defendeu dizendo que era muito difícil para ele ser LGBT e negro na favela, que temia represália tanto das pessoas quanto da própria família e por isso sempre sentiu muita dificuldade em falar sobre isso. As meninas não acreditaram nele e seguiram acusando-o de ser manipulador e de estar fingindo e se apropriando de uma causa social para benefício próprio. Essa foi a gota d’água para Lucas que pediu para sair do programa, deixando a casa na mesma noite.

Para ser honesto, eu não tenho o hábito de assistir BBB. Voltei a assistir ano passado depois de toda a confusão envolvendo os homens da casa. Esse ano, depois de ter visto que teria uma grande quantidade de negros conscientes sobre os dilemas raciais, eu decidi que assistiria, mas não aguentei. Amanhã vai fazer uma semana que parei de assistir Big Brother por causa do mal estar que as ações cometidas pelos negros da casa contra o Lucas causaram em mim. Mas depois do que aconteceu na noite de sábado eu resolvi vir aqui escrever esse texto sobre a saída do Lucas. Antes de tudo vou deixar claro aqui que sou um homem negro, gay, favelado, vindo de uma realidade não muito distante da do Lucas.

Vamos começar do começo

O que é um homem? O que faz de um homem, um homem? Como defini-lo? Como se constrói um homem? O que entendemos hoje como “homem” surge a partir da rejeição e exclusão daquilo que é considerado feminino. Tarefas domésticas são consideradas atribuições femininas, a cor rosa é uma cor relacionada ao feminino, emoções, especialmente aquelas de carinho e afeto, assim como ato de demonstrar essas emoções, são coisas ligadas às mulheres, então tudo isso, dentre outras coisas, devem ser suprimidas, excluídas e negadas para que um homem se torne um homem. Por isso homens são estimulados a usarem azul — Ou ao menos, NÃO usarem rosa — e a não demonstrarem e suprimirem suas emoções. Quem nunca ouviu: “ENGOLE O CHORO’’ em caso de tristeza, especialmente depois de apanhar por fazer alguma coisa errada, ou “VOCÊ É UM HOMEM OU UM RATO?” quando demonstramos medo? E, é claro, enquanto os meninos brincam de carrinho, de lutinha e jogam futebol, meninas brincam de casinha, afinal, esse é o lugar e a atividade que se espera que as mulheres ocupem/realizem.

Essa concepção de masculinidade, também conhecida como masculinidade patriarcal, concebe o homem como centro das famílias e da sociedade, o único digno e verdadeiro detentor do poder na sociedade. Uma das características que definem o patriarcado é a capacidade de exercer poder sobre um outro alguém, isto é, do homem exercer poder sobre uma outra pessoa, de ter pessoas submissas a ele.

O interessante é que, essa visão do que é ser homem, que se define pelo completo oposto, exclusão, negação e, por que não, ódio do que é entendido como feminino, é só uma de várias outras formas de conceber o ser homem. Essa é a visão dos europeus sobre masculinidade. Mas então por que ela é a única que conhecemos? O patriarcado, que era uma das ideias constituidoras da sociedade europeia — Onde as mulheres deviam ser submissas aos homens — se universalizou a partir do processo de colonização, sendo imposto sobre outras sociedades. Estas outras sociedades na Ásia, na África e nas Américas não possuíam a mesma visão sobre o que significa ser homem e o lugar que as mulheres deveriam ocupar na sociedade. Exemplos disso são algumas sociedades da África e os indígenas aqui do Brasil. Muitos desses povos não enxergavam, por exemplo, mulheres como inferiores. Elas gozavam de relativa independência em comparação as mulheres europeias.

Um escritor indiano chamado Ashis Nandy em seu livro “O inimigo íntimo” conta um pouco sobre o processo de imposição dessa masculinidade patriarcal europeia na Índia, onde ele relata que a masculinidade padrão para aquela sociedade era outra, muito mais pacífica, aberta aos sentimentos dos próprios homens, a escuta e a compreensão. Segundo Nandy, essa concepção sobre masculinidade dos europeus só é aderida pelos indianos porque eles passam a entender que ela é a melhor postura para um contexto de violência e luta (no caso, os indianos estavam lutando contra a colonização inglesa). Eles entenderam que a única forma que lutar e expulsar os invasores ingleses das suas terras, era incorporando a própria postura dos europeus, ganhando nos termos dos próprios ingleses.

Sim, eu sei que tá chato, mas me acompanha só mais um pouco…

Hoje, essa masculinidade concebida pelos europeus há séculos é a nossa masculinidade padrão. E a nossa sociedade já vem percebendo seus efeitos negativos há alguns anos. Sabe-se que é a criação e a exposição de meninos a esse ideal não só de como o homem deve ser, mas também de como o mundo deve ser, que faz com que homens, quando adultos, se sintam na liberdade de tocar, sarrar, se esfregar, assediar, estuprar mulheres. Porque são criados para desconsiderar consentimento. Afinal, como eu disse ali em cima, a visão patriarcal pensa o homem como o centro de tudo, assim como atrela a hombridade a capacidade de ter pessoas sobre as quais se pode impor poder. Sendo assim, muitos homens sentem que podem impor suas vontades sobre outras pessoas, inclusive através do uso da força, o que é enxergado como um certificado da sua masculinidade.

Como mencionei ali em cima, a masculinidade que hoje entendemos como padrão foi adotada por indianos porque eles entenderam que era a melhor para contextos de extrema violência e luta anticolonial e isso se mantém no Brasil dos dias de hoje. Nas favelas, cenário bastante marcado pela violência, os meninos são, muitas vezes, criados para serem ainda mais duros, ou seja, a masculinidade padrão, patriarcal, é imposta de forma ainda mais intensa, porque entende-se que essa é a melhor forma de prepará-los para realidade, de que esta é a melhor forma de manter esses meninos negros vivos. Obviamente existem diferenças entre o Brasil de 2021 e a Índia colonial do séc XIX, mas não existe outra palavra para definir o que acontece hoje nas favelas e periferias do país além de “violência extrema”. A maioria das pessoas que morrem no país são homens negros favelados entre 15 e 29 anos. Isso levou aos ativistas negros cunharem o termo “genocídio da juventude negra”.

Por isso, a dificuldade de Lucas Penteado é completamente normal e compreensível, porque para homens negros favelados LGBTS o processo de aceitação da sua própria sexualidade ou identidade de gênero é sempre muito mais longo, demorado e complicado. Muitos acabam nunca se abrindo para seus amigos e familiares. Isso porque a masculinidade padrão rejeita qualquer coisa que remete ao feminino, e homens que sentem atração física e romântica por outros homens (e aqui são incluídos homens bissexuais) são considerados femininos. Uma prova disso é que muitos homens héteros, quando perguntados se são gays, respondem “Não, eu sou homem”. É como se homens gays e bissexuais (especialmente quando vistos se relacionando ou beijando outros homens) fossem considerados não-homens, ou melhor, homens que “escolheram” ser femininos, o que é quase um crime, porque o feminino, dentro dessa visão da masculinidade padrão, é inferior. “Por que alguém superior (homem) ia querer se envolver/ser algo inferior (feminino)?” isso gera raiva, o que explica a violência que homens bissexuais e gays sofrem na sociedade.

Acreditem ou não, para boa parte da sociedade brasileira o beijo de dois homens, como o de Gil e Lucas, é uma imagem muito mais violenta do que a de um camburão entrando na favela e matando negros inocentes.

Pocah, Conká e Lumena batem no peito para dizerem que são duas bissexuais e uma lésbica assumidas e estranham e fazem escárnio do fato do Lucas nunca ter “se assumido” (Deus! Odeio esse termo) quando é muito mais difícil para um homem assumir para si mesmo e para o mundo que sente atração por outros homens por conta da criação baseada na masculinidade patriarcal/padrão. Se fosse fácil não existiria pela internet a fora vários homens procurando envolvimento com outros homens no sigilo. Isso se torna especialmente difícil quando esse homem é preto e favelado, onde esse padrão de masculinidade é passado de forma mais intensa porque entende-se que essa é a melhor forma de garantir a sobrevivência dos meninos negros. E com isso eu, e acredito que nem o Lucas também, queremos deixar a entender que a favela — Lugar de onde eu e Lucas somos e viemos — e todos os seus moradores sejam preconceituosos, involuídos e arcaicos, incapazes de acompanhar o avanço das pautas e das discussões da sociedade. Não. A favela é potência. É rica culturalmente, diversa, cheia de pessoas extremamente progressistas, de membros de ONGs e de movimentos sociais, lar de muitas belezas, mas também de horrores. Ela não é um lugar preconceituoso, mas também não é um lugar de completa ausência de preconceitos. A favela é como qualquer outro lugar nesse país.

Não é à toa que a comunidade LGBT zoa dizendo que homens bissexuais são lendas urbanas, porque é realmente mais difícil encontrar um homem abertamente bissexual em comparação a mulheres abertamente bissexuais. Karol Conká, Pocah e Lumena ao ficarem apontando que são assumidas há muito tempo, como forma de atestar que suas sexualidades são verdadeiras e comparação com o Lucas, que não falou sobre isso antes, sendo esse um dos motivos pelos quais ele estaria mentindo, parecem esquecer que o processo de abrir-se, assumir-se, sair do armário (okay, esse termo é ainda pior) é muito pessoal e único. Algumas pessoas vão passar por esse processo bem cedo, ainda na adolescência ou quando jovens adultos. Outros vão passar por isso quando adultos, de fato, e outros, ainda, podem nunca passar por ele. Isso vai depender da relação da pessoa com ela mesmo e da sua realidade material, do contexto em que está inserida.

No caso do Lucas, ele claramente acha que o contexto familiar e dos amigos mais antigos de infância e da sua vizinhança não é nada, nada favorável. Ele chega a dizer isso, que acredita que ninguém ao seu redor vai aceitá-lo, o que, de novo, explica a relutância dele em falar sobre isso em rede nacional. Para dizer que ele nunca deu nem pistas de que ele fosse bi, logo no início do programa já se especulava se ele era bi porque Lucas chegou a mencionar com alguém da casa que ele se sentia atraído por Fiuk e chegou a questionar com quem Fiuk ficaria.

Karol Conká, Pocah e Lumena parecem acreditar que Lucas estava fingindo ser bissexual para conseguir mais público e limpar a sua imagem, e aqui existe uma insinuação de que se assumir LGBT traz algum benefício, e isso NÃO é verdade. Figuras públicas que assumem sua sexualidade ou identidade de gênero constantemente sofrem com uma onda de descrédito, ódio, perda de fãs e de seguidores, além de se exporem completamente a violências LGBTfóbicas. A sociedade brasileira é profundamente preconceituosa e está vivendo um dos períodos mais conservadores da sua história recente. O Brasil é um dos países que mais mata LGBTs no mundo. Por que alguém fingiria ser LGBT se não o fosse? Que benefícios isso pode trazer a alguém, de fato? Lucas poderia atrair uma minoria para si, mas afastaria uma maioria altamente conservadora que não via problema em segui-lo quando assumiam que ele era hétero.

Existe ainda uma outra questão que é a invisibilização das pessoas bissexuais. Toda a vez que uma pessoa bissexual se abre com o mundo sobre a sua sexualidade, muita gente duvida da sua sexualidade. Isso acontece mesmo dentro da comunidade LGBT. As meninas acharem que ele está fingindo parece uma coisa muito residual (como se fosse o resto de um preconceito que não foi totalmente processado) da bifobia (preconceito contra bissexuais) que os bissexuais enfrentam na sociedade. Sepá de uma bifobia interna. As três dizem querer lutar contra o preconceito, mas não superam o discurso que o origina.

A postura dessas meninas não é diferente da de um homofóbico que diz que LGBTs escolhem ser LGBTs “porque está na moda” ou por algum outro motivo que foge a racionalidade humana. Por que alguém arriscaria a se queimar com amigos e famílias e boa parte do Brasil “para limpar a própria imagem”?

Existe ainda um agravante no caso do Lucas que é o fato de ser ator e negro. É muito difícil ser artista no Brasil, falta incentivo tanto do governo, quanto da própria sociedade que faz pouco da arte e da cultura nacional. Esse cenário fica ainda mais difícil quando o artista em questão é negro. Isso porque existem poucos papéis disponíveis para negros na tv e no cinema. O que é o sintoma de uma outra forma através da qual o racismo se manifesta na indústria do entretenimento que é a falta de roteiristas, dramaturgos e escritores negros e a indisponibilidade dos brancos de contarem histórias que não sejam as histórias de pessoas brancas, protagonizadas por brancos. E quando digo faltam roteiristas, dramaturgos e escritores negros, não é que eles não existam, que não existam negros contadores de histórias. Eles existem, esses profissionais só não são contratados para trabalhar nos grandes canais da tv brasileira. No cinema, muitas vezes falta investimento e apoio para tirarem essas histórias do papel. Tornando a tarefa de contar e exibir histórias que tenham personagens negros que possam ser interpretados por pessoas como Lucas ainda mais difícil.

Lucas também não é um homem negro padrão. “Espera aí, como assim homem negro padrão?” Lá atrás no séc XIX quando as teorias racistas estavam sendo formuladas, acreditava-se que os negros eram uma raça inferior intelectualmente aos brancos, mais próxima do macaco, e não coincidentemente, eram também considerados fisicamente superiores aos brancos. Os formuladores dessas teorias racistas acreditavam que, como os macacos, que eram fisicamente superiores/mais fortes do que o homem porque eram intelectualmente menos desenvolvidos ( e assim viviam uma vida calcada em atividades pautadas no uso de sua força bruta para sobrevivência), assim também eram os negros. O racismo foi marcado pelo deslumbre e a curiosidade pelo físico das pessoas negras. Os homens por serem mais fortes, altos e musculosos do que os brancos (muito por conta da intensidade das jornadas de trabalho dos escravizados)— O que os deixava mais próximo do ideal de virilidade, daí surge a concepção dos homens negros extremamente viris, máquinas na cama — enquanto nas mulheres negras o que era admirado era sua corpulência, as curvas etc. Coisas relacionadas ao que era considerado sedutor e a capacidade de gerar bons filhos. Dois séculos se passaram e ainda hoje o que se espera e se procura num homem negro é seu corpo, seu físico.

Essa é a imagem que vende, do homem negro musculoso, como o Michael B Jordan, Terry Crews (o maior exemplo é o Latrell de “As branquelas” que deixava as pessoas na cadeira de rodas depois de uma transa) o Rafel Zulu e o Rafael Logam. Essa imagem vende porque pode ser fetichizada, pode ser o objeto de desejo das mulheres e o corpo a ser atingido para os homens. Não que esses atores e tantos outros que se encontram dentro desse padrão não sejam talentosos, são talentosos e muito! Mas ninguém põe na mídia homens negros fora do padrão: gordos, muito magros, com traços fortes… Esses são muito mais difíceis de se ver, de serem contratados. Isso é tão forte que muitos homens negros sentem como se esse lugar fosse o único que pudessem ocupar. O de homem negro bombado, físico impecável, garanhão, pegador. Somos, inclusive, criados para isso, porque é esse tipo de coisa que se espera de um homem, é esse tipo de comportamento que é valorizada dentro da masculinidade padrão.

Sendo um menino retinto (ou seja, de pele muito escura) que não possui um corpo dentro dos padrões esperados para um homem negro, Lucas está lutando contra a maré (e torço para que seja vitorioso). Assumir-se bissexual adiciona um peso ainda maior a uma caminhada já penosa. Por que não se vê muitos atores famosos assumidos no Brasil? E quando assumidos levam uma vida altamente discreta? Por que o “não levanto bandeiras” é uma frase tão comum entre as figuras da televisão que são abertas quanto a sua sexualidade? Por que pessoas como Luis Fernando Guimarães, Marcos Nanini, Reynaldo Gianecchini demoraram décadas e só vieram a público se abrir sobre sua sexualidade quando já não estavam mais fazendo trabalhos na televisão? Porque é complicado ser ator e LGBT. Vir a público e ser honesto quanto a sua sexualidade/identidade de gênero pode sim levar a perda de papéis, contratos e oportunidades no geral. Uma das áreas onde eu vejo mais atores abertamente LGBTS é a comédia. E isso principalmente em canais como o Multishow, por exemplo.

“Por que, então, depois de tudo isso que “cê explicou, o Lucas beijou o Gil?’’ Bom, era uma festa, Lucas já tinha bebido (embora não estivesse bêbado) e achava que aquela seria a última festa dele na casa, porque já estava prevendo que as pessoas que um dia tinham sido seus aliados no jogo, votariam nele para sair. E de fato era isso que o grupo de Conká, Lumena, Pocah pretendia fazer. Lucas em uma conversa com seus aliados no jogo durante a festa disse que ia aproveitar aquela festa porque poderia ser a última dele na casa, e que estava sendo ele e seria ele mesmo caso o público quisesse eliminá-lo, estava deixando claro ali que ele não tinha fingido em nada. Creio que o beijo tenha sido um reflexo disso, dele tentando aproveitar o que ele achava que seria a sua última festa dentro de uma experiência única na vida dele que é o BBB.

Acho que é importante explicar para quem não faz parte da comunidade LGBT quão pesadas e dolorosas são as acusações feitas por Karol Conká, Lumena e Pocah, que foram incapazes de dar apoio a membros da própria comunidade, o que foi a gota d’água para Lucas. LGBTS são constantemente acusados de usarem sua sexualidade para ganharem atenção. Quem nunca ouviu esse comentário se referindo a dois homens que estão passeando de mãos dadas? Muitos acreditam que LGBTS ESCOLHEM ser como são “porque tá na moda”. São falas que fazem parte do senso comum, coisas que LGBTS ouvem o tempo inteiro, que se tornam ainda mais pesadas quando saem da boca dos próprios LGBTS quando ACHAM que estão defendendo a causa, quando, na verdade, só estão fazendo mal a membros da comunidade.

** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA SOCIEDADE. 
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