Jornada discutiu literatura afro-brasileira

Evento foi realizado na primeira quinzena de dezembro, em Brasília

A Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea, em parceria com o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea (UnB/CNPq), realizou nesta segunda-feira, 10, a 1ª Jornada de Literatura Afro-Brasileira Contemporânea, que discutiu temáticas da população negra em diversas instâncias da literatura brasileira e estrangeira.

A abertura do evento foi realizada por Tatiana Dias Silva, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Regina Dalcastagné, coordenadora do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, e Maria Isabel Edon, chefe do Departamento de Teoria Literária e Literaturas do Instituto de Letras da UnB.

Em seguida foi realizada a primeira mesa da jornada, com a participação de Nelson Olokafá Inocêncio, professor da UnB. Durante sua fala sobre a representação de negras e negros na cultura brasileira, ele afirmou que, quando se discute a representação social, é preciso considerar que o imaginário é construído por diversas linguagens, e o preconceito está presente em todas elas. “As imagens são formadoras da nossa consciência, da nossa postura, da nossa ética”.

Inocêncio ressaltou que “ideia antiga não significa ideia morta. O conservadorismo tradicional ainda é atuante e tem diversas estratégias para permanecer assim. O racismo no Brasil não é velado, mas é cínico. Em outros lugares, o embate se dá de forma mais clara, mas no Brasil esse embate se dá de forma velada e ocorre por diversos meios”.
O professor lembrou também que estereótipos são “sempre uma camisa de força, penda para um lado ou para outro, sejam eles negativos ou positivos”.

Intelectuais

Fernanda Felisberto, doutora pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), tratou das Narrativas literárias e a emergência de intelectuais negras. Em sua tese, ela pesquisou a afetividade de mulheres negras na literatura, mais especificamente a afetividade dentro do espaço da casa, não no espaço da rua, lugar mais comum para a ambientação literária de personagens negras.

Segundo Fernanda, a primeira romancista negra brasileira foi Maria Firmina dos Reis, que teve seu primeiro romance – Úrsula – publicado em 1859. “Desde aquele ano até 2012, temos apenas seis mulheres negras romancistas em nosso país”, informou a doutora.

Uma das temáticas presentes nos romances estudados por Fernanda é a questão do nome – do ato de nomear, de pensar e questionar o nome. Ela lembra que, na diáspora da população negra africana, a primeira coisa que as pessoas perderam foi o nome.

A mediação da mesa ficou a cargo de Frederico Barbosa, pesquisador da Disoc/Ipea.

 

 

Fonte: Mulher Negra 

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