Jovem morre depois de ser parado por PMs. Amigo diz que ele levou coronhada

Paolla Serra

Um jovem de 17 anos morreu depois de ser abordado por quatro policiais do 9º BPM (Rocha Miranda), por volta das 3h15m de domingo, na esquina das ruas Maria José e Conde de Linhares, em Oswaldo Cruz. O amigo, que pilotava a moto onde Fabiano de Oliveira Braga estava, conta que o colega levou uma coronhada de fuzil, caiu e bateu a cabeça no chão. Os PMs, que pertencem à Companhia Destacada do Morro São José Operário e, segundo a própria PM, estavam fora da área de atuação, estão presos administrativamente. Fabiano foi a terceira vítima de policiais do 9º BPM em 13 dias.

Segundo o cabeleireiro Carlos Vitalino Cardoso, de 22 anos, ele e Fabiano, bisneto de major da PM já falecido, saíam de uma festa e seguiam para casa, na Capitão Macieira. No caminho, cruzaram com um carro da PM. Carlos conta que os militares não estavam com a sirene ligada nem os pediram para parar a moto:

— Eles fecharam a gente e desceram do carro. Não pediram documento nem perguntaram nada. Um pegou uma faca e rasgou o pneu da moto. Eles já foram dando com o fuzil na cabeça dele e nas minhas costas. Ele caiu e começou a passar mal. Morreu nos meus braços.

No registro de ocorrência, feito na 29ª DP (Madureira), os soldados Leonardo Alves da Silva, de 25 anos; Phellipe da Sá Laranjeira Azevedo, de 23; Carlos Henrique Conceição da Silva, de 26; e Hugo Leonardo Silva de Carvalho, de 29, deram outra versão. Os PMs alegaram que estavam em patrulhamento na Domingos Lopes quando viram os rapazes, sem capacete. Eles disseram ter ligado a sirene e ordenado aos jovens para parar, mas eles não teriam obedecido. Começou, então, uma perseguição.

Os militares afirmaram que a dupla só parou depois que um pneu da moto furou. E garantiram que Fabiano caiu durante a revista feita depois que ele desceu da moto. Nesse momento, ele estaria em pé, com as mãos apoiadas numa mesa de sinuca de um bar fechado.

maedefabiano

Em nota, a PM disse que assim que “tomou conhecimento da gravidade dos fatos da ocorrência com quatro policiais militares e dois jovens no bairro do Campinho, o comandante-geral, coronel José Luís Castro Menezes, determinou que os policiais envolvidos no caso fossem autuados pela Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM ). Num primeiro momento, eles foram presos administrativamente na sede do 9º Batalhão da Polícia Militar. Ainda hoje (ontem), os quatros vão ser encaminhados para a Unidade Prisional da PM”.

De acordo ainda com a Polícia Militar, o comandante do batalhão, tenente-coronel Wagner Morehtzohn, esteve na 29ª DP (Madureira) para tomar conhecimento dos fatos e acompanhar pessoalmente o caso. Segundo ele, a viatura estava fora da área de atuação, já que pertencia à Companhia Destacada do Morro São José Operário e o fato ocorreu no Campinho. “Se ficar comprovado, ao longo do Inquérito Policial Militar, que isso ocorreu sem uma justificativa, os policiais também terão cometido um crime militar, o que pode resultar em um procedimento administrativo e culminar com a expulsão deles dos quadros da corporação”, diz a nota.

O comando da PM afirma também “que esse tipo de atitude não corresponde aos princípios da corporação. As responsabilidades serão apuradas com rigor. Ao contrário do que ocorreu, a função da Polícia Militar é servir e proteger à população. Esse é o nosso compromisso”, finaliza a PM, na nota.

Fonte: Extra

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